Testámos o MINI Cooper de cinco portas. Mais do que apenas estilo e imagem?

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Testámos o MINI Cooper de cinco portas. Mais do que apenas estilo e imagem?

Herdeiro de um dos mais icónicos carros de sempre, será que o MINI Cooper convence como utilitário ou é somente um exercício de estilo?

Lançado originalmente em 1959, o MINI original é um dos pequenos carros mais importantes, icónicos e famosos do mundo, deixando um legado ao qual o MINI Cooper atual tem conseguido corresponder com brio.

Contudo, temos de admitir que uma parte importante do sucesso do MINI do séc. XXI — na sua terceira geração após ter passado para a égide da BMW — deve-se muito à sua estética retro.

Mas será que os argumentos do MINI, aqui na carroçaria de cinco portas, se resumem ao seu estilo ou tem mais argumentos a favor dele?

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MINI Cooper © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Tipicamente MINI

No exterior o MINI Cooper não esconde as suas origens, mesmo nesta versão de cinco portas que se afasta um pouco do conceito do original.

O visual retro e os cromados continuam presentes, evocando o modelo original e também as suas raízes britânicas. Mas apesar da familiaridade, o MINI Cooper continua a conseguir captar atenções por onde passa.

A minha opinião acerca do estilo do Cooper foi mudando. Se inicialmente não me dizia grande coisa, com o passar do tempo e uma observação mais atenta fui-me tornando fã de uma série de soluções que o distinguem dos concorrentes como, por exemplo, a altura das janelas mais pequena e bem mais verticais do que nos rivais.

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MINI no nome e… por dentro

No interior, agradou-me o revestimento colorido dos bancos cujo padrão me trouxe à memória o famoso (e muito britânico) tweed, bem como vários comandos. Desde o das luzes de cortesia, ao comando para ligar o carro ou desligar o controlo de tração, que parecem tirados do mundo da aviação.

De resto, a qualidade da montagem e dos materiais é a que se espera de uma proposta vinda do BMW Group, colocando o MINI Cooper entre as referências do segmento neste capítulo.

No campo da habitabilidade, o MINI faz justiça ao seu nome, estando longe de ser das propostas mais espaçosas do segmento, e a bagageira, de 278 l, é também das mais pequenas da classe. Dá a sensação efetiva que estamos a bordo de um utilitário.

Para tal não ajuda a reduzida superfície vidrada (apesar de resultar visualmente, tem um «preço»). Ainda assim, o MINI consegue transportar com conforto quatro adultos ou uma jovem família, mas convém fazer uma escolha algo criteriosa do que é efetivamente necessário levar.

O melhor lugar é o do condutor

Se em espaço habitável o MINI Cooper fica um pouco atrás da concorrência, no capítulo do comportamento dinâmico a proposta britânica deixa-la a alguma distância, justificando o estatuto de referência de que dispõe há já alguns anos.

Se até agora, no segmento B, era o Ford Fiesta a proposta mais divertida e interessante de conduzir, depois de ter testado este Cooper passei a atribuir esse «título» à proposta britânica.

Mini Cooper
No segmento B o MINI Cooper estabelece-se como uma das referências no campo do comportamento dinâmico. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Sem ter a leveza do Fiesta, em curva o MINI não deixa de responder com uma eficácia tremenda, uma ótima progressividade e um comportamento divertido. «Dono» de uma direção precisa, direta e comunicativa, o Cooper permite-nos «despachar» curvas cada vez mais depressa e com agradável confiança, bem à «moda» do… original.

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Mas não é só nas estradas de serra que o Cooper impressiona. Levem-no para uma autoestrada e por lá o modelo da MINI apresenta uma agradável estabilidade, um pisar digno de modelos do segmento acima e ainda um isolamento típico de propostas premium.

Curiosamente, foi em cidade que o MINI menos me impressionou. A direção que mostrou ter um peso excelente nas estradas reviradas, acaba por ser um pouco pesada de mais nas manobras. E as janelas de baixa altura não ajudam na hora de observar as «1001 coisas» que se passam em nosso redor.

Quanto ao motor, só lhe posso tecer elogios. Com apenas três cilindros este motor de 1.5 l de capacidade, com 136 cv e 220 Nm, mostra-se solícito, muito por «culpa» do binário máximo que está logo disponível às 1480 rpm e assim permanece até às 4100 rpm.

MINI Cooper
O motor do MINI Cooper é capaz, ao mesmo tempo, de alcançar bons consumos e oferecer boas prestações. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Longe de tornar o MINI Cooper num desportivo (para isso há outros propulsores), adapta-se na perfeição aos vários cenários que o utilitário britânico enfrenta. Em cidade, e bem auxiliado pela rápida, mas algo longa caixa automática, permite rolar sem esforço.

Já em estrada ou autoestrada permite encarar as ultrapassagens com à vontade, sendo que neste tipo de percursos a transmissão algo longa acaba também por beneficiar os consumos.

Por falar nos consumos, depois de muitos quilómetros feitos ao volante do MINI Cooper nas mais diversas circunstâncias, o computador de bordo registava uma média de 5,5 l/100 km, um valor mais do que aceitável para o modelo em questão.

Aliás, tenho de admitir que em estrada aberta e com alguma calma ao volante foram várias as vezes em que esse valor caiu para os 4,6 l/100 km.

MINI Cooper
As jantes de 17” permitem um bom compromisso entre conforto e comportamento. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É o carro certo para si?

O MINI Cooper até pode conquistar muitos clientes com base no seu visual, contudo não se pense que este é apenas estilo sem substância.

Uma referência no capítulo dinâmico, o MINI Cooper não desilude na hora de enfrentar os desafios diários colocados a um utilitário. Não, não é o mais espaçoso do segmento, mas consegue ser poupado, tem um estilo distinto e uma vez «despachadas» as tarefas mundanas, diverte o seu condutor nos tempos livres.

O MINI Cooper tem tudo para constar na lista de potenciais escolhas de quem quer um modelo capaz de conjugar uma utilização económica quando esta é necessária com uma condução divertida sempre que se quer «descontrair».

Contra si tem o facto de todo o estilo e a «etiqueta premium» fazerem com que o seu preço se aproxime ao de propostas do segmento acima ou ao dos muito procurados SUV e Crossover.

Preço

unidade ensaiada

37.095

Versão base: €28.699

IUC: €137

Classificação Euro NCAP: N/D

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cilindros em linha
    • Capacidade: 1499 cm2
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 válv. por cilindro (12 válv.)
    • Potência: 136 cv entre as 4500-6500 rpm
    • Binário: 220 Nm entre as 1480-4100 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática de 7 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4023 mm / 1727 mm / 1425 mm
    • Distância entre os eixos: 2567 mm
    • Bagageira: 278 litros
    • Jantes / Pneus: 205/45R17
    • Peso: 1305 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,5-6,0 l/100 km
    • Emissões de CO2: 125-136 g/km
    • Vel. máxima: 207 km/h
    • Aceleração: 8,3s
  • Equipamento
    • Tecido/Eco-Pele Black Pearl Light Chequered
    • Tejadilho e Capas Espelhos em Branco
    • Painel de instrumentos digital multifunções
    • Apoio de braços frontal
    • Informação de trânsito em tempo real
    • Integração com Smartphone (Apple CarPlay)
    • Bluetooth Avançado + Carregamento Wireless + 2* USB
    • Sistema de Navegação MINI
    • Câmara traseira
    • Vidros com proteção solar
    • Bancos dianteiros desportivos
    • Forro tejadilho antracite
    • Sensores estacionamento traseiros
Extras
Pintura Island Blue Metalizado — 580 €; Caixa automática — 2000 €; Kit reparação de pneus — 50 €; Faixas Capot em Branco — 150 €; Connected Navigation — 400 €; Pack Comfort (inclui: Kit Espelhos Exteriores com projeção do logo antiencadeamento e embaciamento; ar condicionado automático; espelho retrovisor interior com função automática antiencandeamento e pack de arrumação) — 1050 €; Camden Edition — 3550 €; Jantes de liga leve Scissor Spoke17'' — 500 €; Upgrade para MINI Service Inclusive 5 Anos ou 100 000Kms — 116 €.
Avaliação
7 / 10
Não é o mais espaçoso ou versátil do segmento, mas com um comportamento divertido e um estilo inconfundível — à imagem do original — depressa nos faz esquecer disso. Já o seu preço é um pouco mais difícil de esquecer, mesmo quando temos em conta todas as suas qualidades.
  • Comportamento
  • Consumos
  • Desempenho do motor
  • Estilo
  • Qualidade dos materiais/montagem
  • Excesso de submenus no sistema de infoentretenimento
  • Preço
  • Habitabilidade traseira
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