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Testámos o Hyundai Kauai N. O que vale o primeiro N em formato SUV?

Praticamente sem rivais diretos, não é exagerado afirmar que o Hyundai Kauai N era a variante mais esperada do modelo sul-coreano. Valeu a pena esperar?

Há muito aguardado, foi preciso esperar pela renovação da gama Kauai para ver chegar o Hyundai Kauai N, a variante mais desportiva do SUV compacto sul-coreano e mais um elemento de uma família N que promete continuar a crescer.

O Hyundai Kauai N recorre a um 2.0 l turbo que debita 280 cv e 392 Nm, o mesmo motor do aclamado i30 N, valores que são enviados somente às rodas dianteiras, o que faz com que corra numa “pista própria”, não sendo fácil apontar-lhe concorrentes diretos.

Com tração dianteira, o hot SUV compacto mais próximo que encontramos é o Ford Puma ST com «apenas» 200 cv extraídos de um bloco de três cilindros com 1,5 l de capacidade.

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Hyundai Kauai N
Ninguém fica indiferente à passagem do Kauai N, mais que não seja porque os seus escapes anunciam a sua chegada de forma bem sonora. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Com números de potência próximos do Kauai N, temos de olhar para propostas como os Audi SQ2 e Volkswagen T-ROC R, ambos equipados igualmente com um motor de 2,0 l e quatro cilindros, com 300 cv, mas só disponíveis com tração integral.

Ou seja, o SUV sul-coreano acaba por ficar num nicho próprio, mas não, esperamos, em detrimento do resultado final. Para descobrir pusemo-lo à prova.

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Vestido a rigor

O Kauai N é um carro especial e o seu exterior «grita» isso mesmo. Seja pela grelha exclusiva, pelos apontamentos em vermelho, pelas saias laterais de contornos mais agressivos, pelo novo spoiler traseiro ou pelas duas generosas saídas de escape, o Kauai N dá nas vistas e ninguém lhe fica indiferente.

Pessoalmente, tenho de elogiar o trabalho feito pela Hyundai. Afinal de contas, as versões mais desportivas seja de um SUV, de um hatchback ou até de uma carrinha devem destacar-se e nesse campo não podemos apontar o dedo ao Kauai N.

Contudo, no interior, a Hyundai podia ter usado um pouco mais desta ousadia. É verdade que temos uns confortáveis e bonitos bancos desportivos, um volante desportivo e alguns detalhes específicos, mas faltam elementos diferenciadores no tabliê.

Em modo desportivo

Como é óbvio, na primeira parte deste teste dediquei-me a conduzir o Hyundai Kauai N como este pede para ser conduzido: depressa. Para tal o melhor mesmo é selecionar o superlativo “modo de condução N”, pois nestas circunstâncias até o modo “Sport” parece algo domesticado.

Quando o fazemos a sonoridade do Kauai N torna-se gutural e acreditem, convém ter atenção para não usar este modo junto a habitações a partir de certas horas da noite.

Hyundai Kauai N
No interior a Hyundai podia ter ousado um pouco mais na decoração. Já a montagem merece elogios dada a ausência de ruídos parasita. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

Mas não é só a banda sonora que melhora. A suspensão adaptativa fica mais rígida, a direção mais pesada e a resposta do motor e caixa tornam-se mais imediatas. Mas será que todo este “arsenal” se traduz numa condução à altura das expectativas?

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A resposta é um categórico “sim”. Neste modo “N”, o Kauai N confirma que o muito elogiado chassis do Kauai tinha capacidades ainda por explorar e permite-nos imprimir ritmos bem elevados. O comportamento conjuga de forma muito interessante a eficácia com a diversão, mas o maior elogio que posso fazer ao Kauai N é a forma como é fácil conduzi-lo depressa.

Hyundai Kauai N
O controlo de tração tem diferentes modos: “Snow”; “Deep Snow”; “Mud” e “Sand”. © Thomas V. Esveld / Razão Automóvel

O motor sobe de rotação com agradável à vontade e a caixa (apesar de não ser tão interessante de usar como uma boa manual) não o deixa ficar mal, dando o seu melhor para «esticar» as rotações, sendo bem auxiliada pelo modo “N Power Shift”, que é acionado sempre que a carga de acelerador excede os 90%, reduzindo as perdas de potência nas subidas de relação.

Assim, no capítulo dinâmico, as qualidades do chassis conjugadas com um diferencial autoblocante eletrónico (“N Corner Carving Differential”) acabam por fazer esquecer que não temos tração integral como noutros hot SUV com valores de potência próximos aos do Kauai N e esse é talvez o melhor elogio que posso fazer ao modelo sul-coreano.

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E em modo familiar?

Se inicialmente tive oportunidade de conduzir o Kauai N como é suposto conduzi-lo, depois desses dias vi-me obrigado a colocá-lo ao serviço dos “deveres familiares”. Nesse contexto os modos de condução selecionados variaram entre o “Eco” e o “Normal” e foi nestes que o Kauai N mais me surpreendeu.

É que apesar de ser pensado para a performance, nestes modos de condução o Kauai N mantém todas as qualidades mais “familiares” reconhecidas ao modelo da Hyundai, permitindo-lhe assim fazer o papel de «agente duplo» sem quaisquer dificuldades.

É verdade que o espaço a bordo continua longe de ser referencial, mas o amortecimento é confortável, a direção torna-se mais “amiga” das manobras e tudo neste Kauai N parece dizer “ok, agora que já brincámos vamos lá transportar a família em segurança… mas depressa“.

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Mesmo nestes modos de condução mais “calmos” o Kauai N continua a ser um carro rápido e tremendamente eficaz, mas a Hyundai soube “domesticá-lo” para lhe permitir cumprir as funções de carro único de uma família sem se terem de fazer concessões.

Neste modo mais zen até os consumos são bastante aceitáveis, com as médias numa condução normal a fixarem-se nos 7,5 l/100 km, isto num carro com 280 cv que nos continua a permitir efetuar ultrapassagens num «abrir e fechar de olhos».

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É o carro certo para si?

Lá porque o Hyundai Kauai N não tem rivais diretos isso não quer dizer que seja difícil encontrar o seu público alvo. Com um visual distinto e prestações invejáveis, esta versão mais desportiva do crossover sul-coreano é precisamente aquilo que se esperava dela.

À qualidades já reconhecidas ao Kauai, esta versão N junta as prestações e o foco desportivo que há muito se reclamava que o seu chassis e direção mereciam.

No fundo, o que este Hyundai Kauai N acabou por fazer foi pegar na «eterna» receita dos hot hatch — conjugar mais performance, um visual mais agressivo e um comportamento mais desportivo com usabilidade diária — e aplicou-a ao “formato da moda” e, verdade seja dita, o resultado final é bastante positivo.

 

Ficha técnica

Preço

unidade ensaiada

47.690

Versão base: €47.300

IUC: €239

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1998 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: Injeção direta + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv. por cil. (16 válv.)
    • Potência: 280 cv entre as 5500 e as 6000 rpm
    • Binário: 392 Nm entre as 2100 e as 4700 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática (dupla embraiagem) de 8 relações
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4215 mm / 1800 mm / 1565 mm
    • Distância entre os eixos: 2600 mm
    • Bagageira: 361 litros
    • Jantes / Pneus: 235/40 R19
    • Peso: 1585 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 8,5 l/100 km
    • Emissões de CO2: 194 g/km
    • Vel. máxima: 240 km/h
    • Aceleração: 5,5s
  • Garantias
    • Mecânica: 7 anos de sem limite de quilómetros
  • Equipamento
    • Diferencial autoblocante dianteiro (E-LSD)
    • Jantes em liga leve de 19'' forjadas
    • Launch Control
    • Head Up Display
    • Chave inteligente com botão Start & Stop
    • Ecrã "Supervision Cluster" de 10,25'' policromático
    • Vidros traseiros escurecidos
    • Bancos traseiros rebatíveis 60:40
    • Sensores de estacionamento (dianteiros/traseiros)
    • Câmara de estacionamento traseiro com linhas auxiliares dinâmicas
    • Controlo de arranque em subida (HAC)
    • Sistema de controlo N Grin (5 modos de condução)
    • Carregador de smartphone sem fios
    • Grupos óticos em LED
    • Bancos em pele
    • Pedais em alumínio
    • Travagem autónoma de emergência (FCA)
    • Sistema de Navegação
Extras
Pintura metalizada — 390 €.
Avaliação
8 / 10
As expectativas eram elevadas para o Kauai N, tendo em conta o ainda recente «histórico» da divisão N. Não desiludiu, mesmo tratando-se do primeiro SUV a ostentar a letra N. Com um visual agressivo que não deixa ninguém indiferente e prestações invejáveis, o Kauai N trouxe para a gama do compacto SUV sul-coreano a performance e emoção há muito reclamada pelos seus fãs. Pelo "caminho" manteve as qualidades que já lhe eram intrínsecas, como uma lista de equipamento muito completa e uma notável capacidade para conjugar conforto e aptidões dinâmicas (aumentada nesta versão desportiva).
  • Prestações
  • Sonoridade
  • Estilo
  • Relação conforto/comportamento
  • Interior pouco "diferenciado"
  • Espaço nos bancos traseiros
  • Materiais interiores podiam ser mais agradáveis ao toque
Sabe responder a esta?
Em que ano foi lançado o Hyundai S Coupe?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

Ainda te lembras dos pequenos coupé dos anos 90?

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