Desde 30 323 euros

Testámos o Ford Puma Vignale com caixa automática. O lado “mais fino” do Puma?

O Ford Puma Vignale quer mostrar um lado mais requintado do dinâmico pequeno SUV e este ainda vinha equipado com uma caixa automática. Serão opções válidas?

O Ford Puma rapidamente caiu nos nossos afetos pelas suas aptidões dinâmicas e pelo pequeno, mas muito efervescente, mil turbo de três cilindros. Agora, como Puma Vignale — o nível de equipamento mais “luxuoso” da gama —, parece querer colocar em si mesmo alguma “água na fervura”, adicionando, tanto por dentro como por fora, uma dose adicional de elegância e requinte.

Para o conseguir, podemos ver que, por fora, o Puma Vignale ganhou uma grelha dianteira de tratamento distinto, “salpicada” por múltiplos pontos cromados. A aplicação de elementos cromados não se fica por aí: encontramo-lo nos frisos na base das janelas e na parte inferior da carroçaria. Destaque ainda para o tratamento diferenciado da parte inferior de ambos os para-choques.

Deixo aos gostos de cada um se as adições cromadas ficam ou não bem em relação aos mais conhecidos ST-Line, mas a combinação com os faróis Full LED (de série), as opcionais jantes de 19″ (de série são de 18″) e a também opcional e arrebatadora cor vermelha da nossa unidade, deu para virar algumas cabeças.

TENS DE VER: Ford Puma testado. A prova que os B-SUV podem ser também cativantes de conduzir

Por dentro, o destaque vai para os bancos revestidos totalmente em couro (no ST-Line são-o apenas parcialmente) que, no Vignale, são também aquecidos (à frente). Também o tabliê ganha um revestimento específico (denominado Sensico) e costuras em cinzento metalizado (Metal Grey). São escolhas que ajudam a elevar a percepção de requinte a bordo do Puma relativamente ao mais desportivo ST-Line, mas nada que o transfigure.

Refinado na aparência e também na condução?

Assim, à primeira vista, o Puma Vignale quase que nos convence que é uma faceta mais requintada e refinada da personalidade aguerrida do pequeno SUV da Ford. O problema, se é que podemos chamá-lo de problema, é quando nos colocamos em movimento; não foi preciso muito tempo para essa perceção desvanecer e o verdadeiro caráter do Puma vir ao de cima.

Afinal, por baixo do capô ainda continuamos a contar com os préstimos do “nervoso” 1.0 EcoBoost de 125 cv. Não me interpretem mal; o 1.0 EcoBoost, mesmo não sendo a mais refinada das unidades, continua a ser um forte argumento e motivo de apelo do Puma.

A novidade, neste caso, é o seu casamento com a caixa automática de sete velocidades (de dupla embraiagem), mas que pouco ou nada faz para diluir o seu temperamento vivaz — e ainda bem… —, apesar da tendência em mudar de relação mais cedo que tarde, não deixando que o motor suba até aos regimes mais elevados, onde o três cilindros se sente surpreendentemente à vontade em contraste com outros motores similares.

Para melhor aproveitar o caráter “efervescente” do motor, temos de selecionar o modo de condução Sport. Neste modo, a caixa de dupla embraiagem deixa o motor subir mais de rotação antes de trocar de relação e a sua ação até convence mais do que noutros modelos com caixas de dupla embraiagem em modos equiparáveis. Em alternativa, podemos optar por selecionarmos manualmente as relações usando as “micro-patilhas” por detrás do volante — bem que podiam ser maiores e não rodar com o volante.

Outro aspeto que não joga a favor desta interpretação mais “posh” do Puma tem a ver com a sua insonorização. Já o mencionamos em ocasiões anteriores, mas aqui parece ser mais evidente, por culpa, presumo, das jantes opcionais de 19″ e dos pneus de menor perfil que vinham com esta unidade. O ruído de rolamento, mesmo a velocidades mais moderadas (90-100 km/h) torna-se mais evidente do que no ST-Line com jantes de 18″ (que também não era o melhor).

Jantes de 19"
O Ford Puma Vignale pode ser equipado, opcionalmente, com jantes de 19″ (610 euros). Melhora o aspeto, mas não lhe faz nenhuns favores no que toca ao ruído de rolamento. © Thomas van Esveld / Razão Automóvel

Mais jante e menos perfil de pneu também não ajudam na questão do amortecimento. O Ford Puma caracteriza-se por ser algo seco e firme, e com estas rodas, essa sua característica acaba por ser aumentada.

Por outro lado, dinamicamente, o Puma, mesmo neste acabamento Vignale, continua igual a ele próprio. O que perde em conforto ganha em controlo (dos movimentos da carroçaria), precisão e resposta do chassis. Para mais temos um eixo traseiro cooperativo q.b. para colocar uma dose saudável de entretenimento nestes momentos mais acelerados.

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É o carro Ford Puma certo para mim?

O Ford Puma, mesmo nesta vestimenta mais sofisticada Vignale continua igual a ele próprio. Não deixa de ser uma das referências do segmento no que toca a conjugar as vantagens mais práticas desta tipologia com uma experiência ao volante genuinamente cativante.

No entanto, torna-se difícil de recomendar este Puma Vignale em relação aos ST-Line/ST Line X. A maioria dos equipamentos presentes no Vignale também os encontramos nos ST-Line (ainda que, num ou outro item, faça aumentar a lista dos opcionais selecionados), e não existem diferenças em relação ao acerto dinâmico (por exemplo, não é mais confortável, como a sua orientação mais refinada promete).

Em relação à caixa de dupla embraiagem a decisão é um pouco mais ambígua. Primeiro que tudo é uma opção que não está limitada ao Vignale, estando disponível igualmente noutros níveis de equipamento. E não é difícil justificar esta opção; é inegável que contribui para uma utilização mais confortável no dia a dia, sobretudo em condução urbana, fazendo uma boa parelha com o 1.0 EcoBoost.

Por outro lado, torna o Puma mais lento em prestações e mais gastador em relação ao ST-Line X com caixa manual que testei nos mesmos trajetos o ano passado. Registei consumos entre os 5,3 l/100 km a velocidades moderadas estabilizadas (4,8-4,9 com caixa manual) que subiram para os 7,6-7,7 l/100 em autoestrada (6,8-6,9 com caixa manual). Em trajetos mais curtos e urbanos, ficou poucas décimas a norte dos oito litros. Os pneus mais largos, consequência das rodas opcionais, também não ajudam neste tópico em particular.

O Ford Puma ST-Line com este motor (125 cv), mas com caixa manual mantém-se como a opção mais equilibrada da gama.

Preço

unidade ensaiada

34.847

Versão base: €30.323

IUC: €103

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cil. em linha
    • Capacidade: 998 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Inj. direta; Turbo; Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 válvulas por cilindro (12 válv.)
    • Potência: 125 cv às 6000 rpm
    • Binário: 200 Nm às 1750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática (dupla embraiagem) de 7 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4207 mm / 1805 mm / 1534 mm
    • Distância entre os eixos: 2588 mm
    • Bagageira: 456-1216 l
    • Jantes / Pneus: 225/40 R19
    • Peso: 1326 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,2 l/100km
    • Emissões de CO2: 140 g/km
    • Vel. máxima: 187 km/h
    • Aceleração: 10,2s
  • Garantias
    • Mecânica: 7 anos ou 100 000 km
  • Equipamento
    • Faróis máximos automáticos
    • Retrovisores ext.eléctricos, aquecidos e recolhíveis
    • Grelha exclusiva Vignale com friso cromado
    • Vidros eléctricos à frente e atrás
    • Limpa pára-brisas com sensor de chuva
    • Tubo de escape com acabamento cromado
    • Painel de instrumentos com ecrã a cores de 12.3”
    • Sistema de Navegação Premium com B&O+10 colunas+SYNC3+2 USB+DAB
    • Consola central com apoio de braços e espaço de arrumação
    • Ar condicionado automático
    • Bancos dianteiros em couro e aquecidos
    • Bancos traseiros em couro
    • Piso da bagageira duplo
    • Carregador sem fios
    • Vidros escurecidos
    • Travão de mão com acabamentos estilo couro
    • Volante em couro
    • Tejadilho interior em tecido escuro
    • Sistema de aviso de saída de estrada com manutenção em faixa
    • Limitador de velocidade inteligente+reconhecimento sinais trânsito
    • Sistema de controlo da pressão dos pneus
    • Assistência a pré-colisão e travagem post impacto
    • Trancagem eléctrica das portas (crianças)
    • Suspensão desportiva
Extras
Pintura “Lucid Red”: 864 €; Teto Panorâmico Open Air: 1017 €; Pack Tech (Sistema de Deteção de ângulo moroto (BLIS) + ACC (função Stop and Go com transmissão automática) + Sistema de Reconhcimento de Sinais de Trânsito + Sistema de Pré-colisão + Sistema de Estacionamento Automático, e câmara de visão traseira): 1321 €; Abertura e fecho da bagageira mãos livres (inclui Keyless entry): 610 €; Roda Suplente mini: 102 €; Jantes de 19": 610 €.
Avaliação
7 / 10
NOTA: 7,5. O Vignale pode ser o topo de gama do Puma (se não contarmos com o mais desportivo ST), mas mesmo por baixo da maquilhagem mais requintada não é capaz de esconder quem realmente é: o mais cativante de conduzir B-SUV do mercado. Porém, essa sua faceta mais dinâmica acaba por comprometer esta faceta mais requintada e elegante do Puma. O Vignale não é mais confortável (acerto de suspensão é idêntico ao do ST-Line) ou refinado (insonorização continua a deixar algo a desejar) que os outros Puma, com as diferenças a concentrarem-se num plano mais superficial. A opção pela caixa automática também levanta algumas questões. Afinal, faz com que o Puma ande menos e gaste mais, apesar da sua conjugação com o 1.0 EcoBoost ser convincente em utilização. O Puma Vignale não deixa de ser um Puma como os outros, mas há outros Puma que fazem mais sentido.
  • Motor EcoBoost
  • Comportamento dinâmico
  • Bagageira
  • Consumos mais elevados com caixa automática
  • Ruído de rolamento
  • Preço
Sabe responder a esta?
Em que ano foi lançado o primeiro Ford Puma, o coupé?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

Ainda te lembras dos pequenos coupé dos anos 90?

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