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Testei o Honda Civic Type R como nunca ninguém o testou… devagar

Cinco dias ao volante de um dos tração dianteira mais rápidos de sempre, o Honda Civic Type R. Fui para Estoril? Até fui… pela marginal e de vidro aberto.

Por esta altura já toda a gente conhece as capacidades dinâmicas do Honda Civic Type R. Não é novidade para ninguém que há poucos «tudo à frente» — na verdade só me lembro de um — tão rápidos como o Civic Type R.

Dito isto, fiz o que pouca gente fez — ou fez e não escreveu. Conviver, durante uma semana, com o Honda Civic Type R como se os 50 litros de gasolina do depósito fossem os últimos à face da terra.

Convivi com ele, não como se fosse um Type R, mas sim um Type… F, de família. Consegui? Tentei, mas ele portou-se melhor do que eu.

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Honda Civic Type R

Ao volante do Honda Civic Type F

Por muito que goste de clássicos — e vocês sabem que sim — não há nada capaz de bater um carro moderno. Ferdinand Porsche disse um dia, relativamente ao Porsche 911, que “o melhor sempre é sempre o último”. Esta podia ser uma verdade universal da indústria automóvel.

Nos «hot hatch» acontece exatamente o mesmo. Por muito que continuemos — e bem! — a olhar com carinho para as gerações passadas, a geração atual é sempre melhor. No caso concreto do Honda Civic Type R, não é só melhor desportivo, é melhor em tudo. Até naquilo que não estávamos à espera.

Se querem comprar um Honda Civic Type R e existe algum atrito familiar por isso, mostrem este artigo à vossa «cara metade». Até vou aumentar o tamanho da letra nesta parte do texto para ficar bem explicito:

Surpreendentemente, o Honda Civic Type R é um familiar muito competente.

Graças às suspensões com regulação eletrónica, é possível fazer uma viagem muito confortável no Civic Type R. No modo Comfort parece um carro «normal», mas quando ligamos o modo «R+» vocês sabem o que acontece…

Mantendo a toada controlada, nem os consumos assustam. Duas viagens de 130 km, a torturar o pé direito, permitiram-me alcançar médias para as quais não estava preparado: 7,6 l/100 km. Não pisei «ovos», simplesmente cumpri escrupulosamente os limites de velocidade e não arranquei dos semáforos e lanços de portagem como se a minha vida dependesse disso. Tão simples quanto isto.

Depois temos a capacidade da bagageira: 420 l. Se o vosso agregado familiar não contemplar mais do que duas crianças, é mais do que suficiente para 99% das deslocações em família. Como escrevi nas linhas anteriores, não parece um Type R, parece um Type F.

Honda Civic Type R
Modo +R: a tentação é grande… © Razão Automóvel
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A carne é fraca. O Honda Civic Type R não

Se estiveres a pensar comprar um Honda Civic Type R como carro de família, ele vai cumprir tudo o que lhe exigirem. Quem vai falhar somos nós.

A carne é fraca. E ao volante do Honda Civic Type R parece que só a perna direita ganha força. Por muito que tentemos evitar vai acontecer.

Apanhamos a estrada vazia, o semáforo abre e nós… bem nós arrancamos como se não houvesse amanhã — o ano de 2020 quer fazer-nos acreditar que efetivamente não vai haver. O resto da história já vocês conhecem. O nosso corpo só volta a relaxar alguns quilómetros depois. Depois daquela curva, depois daquela reta, depois daquela apoteose que só um verdadeiro desportivo nos pode oferecer.

Por isso fica feito o alerta: o Honda Civic Type R é capaz de cumprir obrigações familiares, mas se estão a contar não prevaricar — mesmo que tenham prometido à vossa cara metade —, isso vai acontecer. E ainda bem. Foi por isso que o compraram.

Felizmente, já não o têm de escolher apenas por isso. É que o Honda Civic Type R é um carro que dá gosto conduzir, seja depressa à procura do limite de aderência ou calmamente de janela aberta.

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