Crónica

13 coisas que os donos dos carros velhos dizem

Desde dicas, até desculpas, passando por afirmações, reunimos 13 frases que (quase) todos os donos de carros velhos disseram, dizem ou irão dizer.

Carros velhos… paixão para uns, pesadelo para outros. Motivam piadas, críticas e até por vezes discussões. Depois de o Guilherme Costa nos ter presenteado com uma crónica onde nos dá a conhecer o lado mais “glamoroso” de ter um modelo vetusto, hoje relembro-te as frases que mais ouvimos sair da boca dos proprietários de carros mais “maduros”.

Algumas destas frases retirei de fóruns, outras ouvi da boca de amigos meus e outras… bem, outras sou eu mesmo que as digo quando me refiro a um dos meus seis carros, todos eles já na casa dos vinte e picos anos.

Ora, se umas se destinam a desculpar avarias ou a justificar a insistência em manter um carro velho, outras visam mesmo assegurar a segurança e o bem estar de todos os passageiros.

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Lada Niva

Deixo-te aqui 13 frases (o número do azar, uma coincidência curiosa) que estamos habituados a ouvir de donos de carros velhos. Se te lembrares de mais alguma partilha-a connosco, pois quem sabe se não vou precisar dela da próxima vez que levar os meus amigos de viagem.

1. Essa porta para fechar tem truque

Ahhh, portas que não fecham (ou não abrem) como deviam. Um must em qualquer carro velho vá-se lá saber porquê.

Uma das razões que mais motiva momentos caricatos na hora de transportar alguém. Entra-se no carro, puxa-se a porta e… nada, não fecha. A isto o dono responde “calma, tens de a puxar para cima e empurrar para a frente e assim fecha, é um truque”.

Também acontece alguém estar à espera para entrar no carro, tentar abrir a porta e precisar de instruções de como o fazer, tal e qual estivesse a desarmadilhar uma bomba. Se no meio de tudo isto surge uma crítica, o dono simplesmente responde: “assim é mais difícil os ladrões levarem-me o carro”.

2. Não abras essa janela, depois não fecha

Devo admitir que, infelizmente para mim, sou um dos que diz várias vezes esta frase. Com o tempo os elevadores dos vidros elétricos decidem entregar a alma ao criador e quantas vezes não obrigam os donos de carros velhos a pronunciar esta frase.

Também já vi amigos meus a fecharem a janela com as mãos e até a terem de a colar com fita gomada, tudo por causa dessa malfadada peça. A solução? Optar por vidros manuais como encontrámos no bem moderno Suzuki Jimny ou então pelas janelas de correr como as usadas pelo saudoso UMM ou pela Renault 4L. Nunca falham.

3. O meu carro não perde óleo, marca território

Tal como os cães, há carros que parece que teimam em marcar o seu “território”, largando pingas de óleo sempre que estão estacionados.

Quando avisados acerca deste problema, os proprietários destes veículos por vezes respondem de forma sobranceira “o meu carro não perde óleo, marca território”, preferindo associar esta situação a quaisquer instintos caninos que o carro possa ter em vez de admitirem que este precisa de visitar uma oficina.

Mudança de óleo

4. É velho, mas está pago

Esta é a reposta-tipo de qualquer dono de um carro velho quando alguém critica a sua máquina: relembrar que apesar de todos os defeitos esta já está paga.

Por norma, a esta resposta segue-se outra que teima em relembrar-lhe que sempre que atesta duplica o valor do carro. Curiosamente, o mais provável é nenhuma das frases carecer de veracidade.

5. Devagar chega a todo o lado

Várias vezes usada por mim, esta frase serve para provar que ter um carro velho é, mais do que uma necessidade ou uma opção, um estilo de vida.

Afinal de contas, se é verdade que devagar muitos carros velhos chegam a todo o lado, não deixa de ser verdade de que o fazem com um menor índice de conforto e a viagem prolonga-se no tempo, por vezes mais do que o desejável.

Ainda assim, perante esta situação, o dono de um carro velho prefere apreciar os quilómetros que vai acumulando ao volante do seu “velhote” e manter-se atento aos manómetros, não vá estar à espreita uma qualquer avaria ou dor de cabeça.

6. Nunca me deixou parado

Muitas vezes mentira, esta frase é o equivalente no mundo automóvel àquele pai que depois do filho terminar em último numa qualquer prova se vira para ele e diz “os últimos são os primeiros”.

É uma mentira piedosa que dizemos para fazer aqueles de quem nós gostamos (e nós próprios) sentirem-se melhor, mas nem por isso é verdade. Seja como for, na maioria das vezes, o rácio de viagens descansadas/avarias costuma jogar a favor da veracidade desta afirmação.

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7. Já não se fazem carros assim

Esta expressão é talvez a mais verdadeira alguma vez proferida pelo dono de um carro velho. Utilizada como forma de elogiar um carro velho, esta frase encontra suporte no facto de, devido à grande evolução da indústria automóvel, os processos de produção terem mudado imenso.

Renault Kangoo

8. Quero ver se os carros de hoje em dia vão durar tanto como estes

Esta frase comporta em si mesma um desafio, não a quem a ouve mas a todos os carros novos que ostentam a mais recente das matrículas.

Será que vão durar 30 ou mais anos na estrada? Ninguém sabe. No entanto, a verdade é que se calhar o carro velho cujo dono proferiu esta frase talvez também já não esteja nas melhores condições para circular.

Seja como for, a resposta a esta frase só pode ser dada pelo tempo ou por uma previsão de uma qualquer taróloga como a Maya ou o professor Bambo.

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9. Não te preocupes com o ponteiro da temperatura

Muito dita e ouvida nas estradas portuguesas sempre que chegamos ao verão, esta frase destina-se a acalmar os passageiros mais inquietos que, ao verem o ponteiro da temperatura galgar marcas como se não houvesse amanhã, temem terminar a viagem encafuados dentro de um reboque.

É que além de ser muitas vezes proferida por proprietários excessivamente confiantes nas capacidades de refrigeração do seu automóvel, também costuma originar chamadas desagradáveis para a assistência em viagem.

Carro da PSP rebocado
Será que também as forças de autoridade costumam recorrer a estas frases?

10. Não te preocupes com esse barulho, é normal

Rangidos, gemidos, batuques e chiadeiras são, demasiadas vezes, a banda sonora que acompanha as viagens em carros velhos.

Esta frase é muitas vezes usada pelos proprietários deste tipo de carros para acalmar os passageiros mais temerosos que ainda não têm um ouvido tão apurado quanto o do condutor e que não conseguem distinguir o som de uma correia de distribuição a precisar de substituição do som emitido por um rolamento traseiro a dar as últimas.

Esta frase tem algumas sósias referentes a luzes de aviso do motor, mas o resultado final costuma ser, quase sempre, o mesmo.

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11. É só meter combustível e andar

Até por vezes pode ser verdadeira, esta frase é, normalmente, proferida por proprietários de carros velhos que, curiosamente, têm tanta ou mais idade que os próprios carros.

Porquê? Simples. Normalmente atentos e zelosos com a manutenção das suas máquinas, sabem que se podem dar ao luxo desta afirmação porque são, provavelmente, as únicas pessoas com carros velhos que estão como novos.

Todos os outros que o digam mas não se recordem da última vez que levaram o carro à revisão, lamento informar-te mas estão a mentir.

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12. Eu conheço o meu carro

Dita antes de começar uma ultrapassagem impossível, de decidir transportar meio mundo dentro de um carro com 30 anos ou simplesmente antes de enfrentar uma longa viagem, esta frase serve mais para serenar o proprietário do carro do que os passageiros.

É uma forma de este se acalmar evocando o suposto elo de ligação entre si e o carro, pedindo-lhe que termine a viagem sem problemas ou que, se lhe der para avariar, que o faça num sítio perto de um restaurante e onde o reboque chegue com facilidade.

No fundo, é o equivalente automóvel ao famoso diálogo entre Cristiano Ronaldo e João Moutinho no Euro 2016 antes dos penáltis contra a Polónia. Não sabemos se vai correr bem, mas temos confiança.

13. Ele tem um truque para pegar

Uns têm imobilizador, outros trancas de volante e há quem recorra ao nem sempre eficaz alarme, mas o dono do carro velho tem o melhor elemento dissuasor contra os ladrões: o truque para pegar.

Proferida na hora de passar o carro para as mãos de outro condutor (seja na hora de o vender, emprestar a um amigo ou, inevitavelmente, deixá-lo na oficina), esta frase relembra-nos que o dono de um carro velho não é só um condutor. É também um xamã que invoca os “deuses da condução” para colocar o carro a trabalhar todas as manhãs.

Ignição
Nem em todos os carros basta dar a chave para pôr o motor a trabalhar, em alguns há “truques”.

Seja um toque no canhão de ignição, um botão qualquer onde se carrega ou três aceleradelas enquanto dá à chave, este truque parece funcionar sempre que o dono do carro está ao volante, mas quando chega a nossa hora de o aplicar deixa-nos na mão e a fazer figura de parvos.

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