Jóia da Coroa

Cullinan. Não foi amor à primeira vista, mas hoje é a jóia da coroa da Rolls-Royce

Várias vezes negado, o Rolls-Royce Cullinan, o SUV da aristocrática marca britânica nasceu há dois anos depois dos astros se terem alinhado para o nascimento desta estrela sobre rodas.

Reflexo da chegada do Rolls-Royce Cullinan, a marca britânica bateu o seu recorde de vendas em 2019, com mais 25% de carros matriculados do que no ano anterior. Com toda a propriedade, o Cullinan é a jóia da coroa da marca britânica.

Com o passar dos anos e o lançamento de carros altamente improváveis, à luz da tradição, já nos mentalizámos para esperar o inesperado. Um Porsche Diesel (já extinto…)? Um Lamborghini todo o terreno? Um carro de estrada com motor de F1? Sim.

Talvez por isso há dois anos tenhamos reagido com um encolher de ombros ao saber da chegada de algo que há duas décadas seria quase uma heresia na indústria automóvel.

JÁ CONDUZIMOS: Há luxo e depois… há luxo. Ao volante do Cullinan Black Badge, o SUV mais exclusivo do mundo
Rolls-Royce Cullinan Black Badge

Não foi amor à primeira vista. Durante muitos anos, os manda-chuva da Rolls-Royce e do Grupo BMW tiveram dificuldade em dar luz verde ao arranque do projeto de um SUV com a estatueta Spirit of Ectasy a galope sob o enorme capot de um “Rolls”.

Tal como no caso da Ferrari, cujo falecido líder absoluto Sergio Marchionne várias vezes se interrogou se faria sentido travestir os genes de uma marca tão especial e tão exclusiva com as roupagens de um automóvel alto para andar fora do asfalto — ou para ter as ditas aptidões —, mas que finalmente irá avançar nessa direção.

“Um veículo desse tipo não se encaixa no portfólio e na marca Rolls-Royce”, foi a resposta que ouvimos sucessivas vezes tanto em Goodwood (sede/fábrica da Rolls-Royce), como em Munique (quartel-general da BMW, proprietária da marca britânica), mesmo quando já andavam às voltas a tentar perceber que design e que tecnologia seriam indicados para esse projeto.

Rolls-Royce Cullinan Black Badge

Só que a pressão do departamento de design da Rolls-Royce e, principalmente, os anseios de uma carteira de clientes muito afluentes (pouco habituados a ouvir “não” como resposta) falaram mais alto.

Andar de Phantom ou de Ghost durante a semana e depois passear nos tempos de lazer nos fins-se-semana num Range Rover não tinha que ser a solução eterna para estes adeptos incondicionais das marcas inglesas — com a fundamental ajuda da engenharia alemã ou do capital indiano, no caso da Range Rover —, e mesmo a mais conservadora das marcas teve que se render às evidências.

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O que está por detrás do nome

Para coroar um veículo tão especial, os executivos da Rolls-Royce procuraram o nome de algo muito valioso, eterno, porque o tempo é o maior dos luxos. Algo eterno como um diamante, que acabou por ser o escolhido para batizar este SUV.

Rolls-Royce Cullinan

(Thomas) Cullinan era o nome do proprietário de uma mina sul-africana, onde foi encontrado o maior diamante de que há registo com 621 g, e que foi cortado em nove peças principais e depois em 96 brilhantes mais pequenos, em 1905, um ano antes da fundação da marca de Charles Stewart Rolls e Sir Frederick Henry Royce, que assim concretizaram o seu sonho visionário para produzir os automóveis mais luxuosos do mundo.

Em comum com a jóia lendária este Cullinan de quatro rodas quer ter, é claro, a capacidade de encher de lucros os seus criadores, mas não só.

O Rolls-Royce Cullinan quer também o título de mais caro e maior, no caso, SUV do mundo que, no entanto, poucas vezes andará a conquistar montes e vales ou desertos. A não ser que haja um remake da obra-prima cinematográfica Lawrence da Arábia, onde o herói anglo-saxónico da I Guerra Mundial, encarnado por Peter O´Toole, combatia turcos aos comandos de uma frota de nove Rolls-Royce Silver Ghost blindados…

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