Antevisão

Até 2022 teremos 15 novos Ferrari, incluíndo um… Purosangue

Ao mesmo tempo que conhecemos as "barchettas" Monza, a Ferrari falou sobre o seu futuro para os próximos quatro anos nesta nova era pós-Marchionne.

O repentino desaparecimento de Sergio Marchionne aumentou a pressão tanto na FCA como na Ferrari para encontrarem substitutos de um momento para o outro capazes de levar a bom porto os ambiciosos planos traçados por Marchionne.

Na marca do cavallino rampante, a solução passou por elevar Louis Camilleri ao cargo de CEO. Já fazia parte do conselho de direção da Ferrari e já foi CEO da tabaqueira Philip Morris. Ficou responsável por apresentar em traços gerais o futuro da marca italiana, plano delineado ainda por Marchionne, durante o mesmo evento que revelou ao mundo as barchettas Monza.

E o primeiro passo de Camilleri foi colocar água na fervura nesses mesmos planos, ou mais corretamente, no calendário proposto anteriormente por Marchionne para os cumprir — algo que não agradou totalmente aos investidores, já que parte desses planos referiam-se a objetivos de lucros de dois mil milhões de euros em 2022, com Camilleri a reduzir modestamente essa expetativa para algo aproximado ao objetivo inicial.

Purosangue

Não foi apenas nos lucros que baixou as expetativas. O infame FUV — o futuro SUV da Ferrari — que Marchionne tinha prometido para 2020, Camilleri empurrou-o para a frente, com 2022 a ser agora a data prevista de lançamento. De acordo com o novo CEO, o atraso justifica-se para que o novo modelo fique “perfeito”.

E agora já temos um nome para o FUV: Purosangue… Só os italianos para se safarem com este tipo de nomes, e uma escolha intrigante — quase parecem recear que nos esqueçamos de que o FUV será um verdadeiro Ferrari.

Além do nome, apenas ficámos a saber que o novo Purosangue assentará sobre uma nova arquitetura específica para motores centrais dianteiros, que nos debruçaremos mais à frente.

A futura Ferrari

Se o Ferrari Purosangue é, indubitavelmente, o grande destaque dos 15 Ferrari a serem lançados entre 2019 e 2022, ficámos igualmente interessados no como a Ferrari irá crescer.

A gama será dividida em quatro linhas claras: Desportivos, Gran Turismos, Especiais e a nova gama Icona, que homenageia desportivos da história da marca, dos quais os Monza SP1 e Monza SP2 são os primeiros de muitos.Ferrari Arquitetura

A servir de fundação para todos os futuros modelos existirão duas arquiteturas distintas, “separadas” pelo posicionamento do motor: central dianteiro e central traseiro.

E aqui surge a primeira novidade de monta. Atualmente, apenas o Ferrari 488 tem motor central traseiro, com a marca italiana a anunciar um segundo mid-engine, posicionado acima do 488, com tudo a apontar que o sucessor do 812 Superfast (de motor dianteiro) seja esse novo modelo — na linha dos 512 BB ou Testarossa.

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A outra arquitetura, com motor dianteiro em posição recuada — ou motor central dianteiro — terá como destino os GT da marca, ou seja, o sucessor do atual GTC4 e o inédito Purosangue, e até outros modelos, como a apresentação da Ferrari deixa adivinhar.

Ferrari Arquitetura Motor Central Traseiro Ferrari Arquitetura Motor Central Dianteiro

Como podemos observar nas imagens, ambas as arquiteturas serão parcialmente eletrificadas — a Ferrari prevê que 60% da sua gama seja híbrida em 2022 —, e é a com motor dianteiro que desperta mais curiosidade, já que é aquela que revela maior variabilidade, seja no número de lugares ou na opção de tração integral — ou seja, desde o descapotável Portofino ao SUV Purosangue, tudo parece ser possível.

Fora deste esquema permanece o sucessor do Ferrari LaFerrari. Tal como aconteceu com o LaFerrari, representará o pináculo da performance e de inovação tecnológica da marca que posteriormente se alastrará pelos restantes modelos. Quando é que surgirá? Ao contrário de algumas previsões, até avançadas por nós, que apontavam para entre 2020 e 2022, a Ferrari afirma que o novo modelo será incluído apenas no próximo plano a ser apresentado — ou seja, sucessor apenas para 2023-2024?

V12, V8 e… V6

A outra grande novidade passa pelas mecânicas. Além dos V12 atmosféricos e V8 biturbo já conhecidos, que serão assistidos e/ou casados com motores elétricos, terão como companhia um novo V6.

 

Ferrari planos futuro

Nos últimos anos tem havido vários rumores sobre o retorno do V6 à Ferrari, na forma de um novo Dino, um projeto anunciado por Marchionne, que apesar das certezas iniciais declaradas pelo próprio, acabaram por não se concretizar — o novo Purosangue ganhou primazia.

Mas o retorno do V6 parece garantido — especula-se que o Portofino possa ser o recipiente para esse motor, mas não será de descurar que possa também vir a equipar o Purosangue, numa variante híbrida plug-in.

Fica também por saber se será um novo V6 ou uma evolução do propulsor do Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio? Teremos de aguardar… A Ferrari não avançou com datas para o lançamento do novo V6.

Em conclusão

Apesar de o novo CEO, Louis Camilleri, ter, aparentemente, abrandado o ritmo frenético de Marchionne, o plano agora apresentado, tão pouco tempo após a sua morte, respeita fidedignamente as suas diretrizes. Excetuando o número de modelos previstos e a estruturação da gama, os grandes temas como as arquiteturas e mecânicas híbridas, já eram conhecidos e tinham sido mencionados em diversas ocasiões.

O futuro da marca italiana parece estar solidamente assegurado, mesmo num mundo onde a eletrificação e condução autónoma poderiam ser considerados fortes ameaças a construtores como a Ferrari.

 

 

 

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