Motor

5 dicas para cuidares bem do teu turbo

Hoje em dia são muitos os carros que têm um turbo. É mais um componente que necessita de ser usado e mantido de forma correta. Ficam umas dicas.

Se há uns anos atrás um motor com turbo era quase uma novidade, associados sobretudo a alta performance e Diesel, servindo muitas vezes até como ferramenta de marketing (quem não se lembra de modelos que traziam a letras garrafais na carroçaria a palavra “Turbo”?) hoje em dia é um componente que está muito mais democratizada.

Na procura por um aumento da performance e da eficiência dos seus motores e numa era em que o downsizing quase que é rei, muitas são as marcas que têm turbos nos seus motores.

No entanto não penses que o turbo é uma peça milagrosa que quando aplicada aos motores só traz benefícios. É que apesar de a sua utilização ter associadas inúmeras vantagens, há alguns cuidados que deves ter se tens um carro com motor turbo para garantires que este continua a trabalhar em condições e para evitares despesas na oficina.

VÊ TAMBÉM: Lamborghini Countach Turbo: o pecador de Sant’Agata Bolognese
BMW 2002 Turbo
Foram carros como este que ajudaram a criar o mito dos “Turbo”.

Se no passado eram as próprias marcas a darem dicas de como usar e manter um carro equipado com um turbo, como refere um porta-voz da BMW, ao afirmar “Historicamente, costumávamos dar conselhos acerca dos carros equipados com turbo” hoje já não é bem assim. É que as marcas acham que isso já não é necessário, uma vez que estas tecnologias são testadas ao limite.

"Os motores turbocomprimidos que a Audi usa atualmente já não precisam das precauções especiais que as unidades mais antigas exigiam"

Porta voz da Audi

No entanto, caso os carros sejam alterados, essa fiabilidade oferecida pelos motores modernos dissipa-se, tal como refere Ricardo Martinez-Botas, professor na departamento de engenharia mecânica no Imperial College em Londres. Este refere que “Os sistemas de gestão e o desenho dos motores atuais “tomam conta de tudo” (…) no entanto se alterarmos um sistema estamos automaticamente a mudar o seu desígnio original e a correr riscos, pois os motores não foram testados tendo em conta as mudanças efetuadas”.

Assim, apesar de hoje serem mais fiáveis do que antigamente, achamos que não custa nada ter alguns cuidados com os turbos nos nossos motores. Consulta a nossa lista de dicas para que não corras riscos desnecessários.

1. Deixa o motor aquecer

Este conselho aplica-se a qualquer motor, mas os equipados com turbo são particularmente sensíveis a este fator. Como sabes, para poder funcionar de forma ideal, o motor tem de estar a trabalhar a uma determinada temperatura que permite que todas as peças se possam mover dentro sem esforço nem excesso de atritos.

E não penses que basta olhares para o manómetro da temperatura do líquido de refrigeração e esperares até que indique que está à temperatura ideal. É que graças ao termostato, o líquido de refrigeração e o bloco de motor aquecem mais depressa do que o óleo, e este último é o mais importante para a saúde do teu turbo, pois assegura a sua lubrificação.

Assim, o nosso conselho é que depois de o líquido de refrigeração atingir a temperatura ideal esperes mais uns minutos até “puxares” devidamente pelo carro e aproveitar todo o potencial da turbina.

VÊ TAMBÉM: Devo esperar que o motor aqueça antes de arrancar. Sim ou não?

2. Não desligues logo o motor

Este conselho aplica-se àqueles que têm carros um pouco mais antigos com motor turbo (sim, estamos a falar para vocês, donos dos Corsa com o famoso motor 1.5 TD). É que se os motores modernos garantem que o sistema de alimentação de óleo não se desliga imediatamente após se desligar o motor, os mais antigos não contam com essas “modernices”.

É que o óleo para além de lubrificar o turbo ajuda a arrefecer os seus componentes. Se desligares logo o motor o arrefecimento do turbo vai ficar a cargo da temperatura ambiente.

Para além disso corres o risco de o turbo ainda estar a rodar (algo que acontece por inércia), o que pode levar ao desgaste prematuro do turbo. Por exemplo, depois de um troço de condução mais desportiva ou de uma tirada longa em autoestrada na qual decidiste ultrapassar meio mundo e obrigaste a turbina do turbo a um esforço prolongado e intensivo, não desligues logo o carro, deixa-o a trabalhar mais um minuto ou dois.

VÊ TAMBÉM: Se não estás a puxar pelo teu motor Diesel, então devias…

3. Não andes demasiado devagar com mudanças altas

Uma vez mais este conselho aplica-se a todo o tipo de motores, mas os que estão equipados com turbo sofrem um pouco mais. É que sempre que aceleras a fundo com uma mudança alta num motor turbo, colocas demasiado stress no turbo.

O ideal nesses casos em que circulas devagar e precisas de acelerar é que recorras à caixa de velocidade, aumentando a rotação e o binário e reduzindo o esforço a que sujeitas o turbo.

RELACIONADO: Porque não deves conduzir a baixa rotação?

4. Usa gasolina… da boa

Por boa gasolina não penses que estamos a mandar-te ir às gasolineiras premium. O que te estamos a dizer é para usares gasolina com a octanagem indicada pelo fabricante. É verdade que a maioria dos motores modernos podem usar tanto gasolina de 95 como de 98 octanas, mas há exceções.

Antes que cometas erros que te podem levar a despesas informa-te descobre que tipo de gasolina é que o teu carro usa. Se for de 98 octanas não sejas forreta. A fiabilidade do turbo até pode não ser afetada, mas o risco de auto-ignição (knocking ou bater de bielas) pode danificar seriamente o motor.

VÊ TAMBÉM: O meu carro tem mais rendimento com gasolina 98: verdade ou mito?

5. Está atento ao nível de óleo

Ok. Este conselho aplica-se a todos os carros. Mas como já deves ter percebido pelo resto do artigo os turbos e o óleo têm uma relação de grande proximidade. Esta deve-se ao facto de o turbo necessitar de bastante lubrificação dadas as rotações que alcança.

Ora, se o nível de óleo do teu motor estiver baixo (e não estamos a falar de estar abaixo do indicado na vareta) o turbo pode não ser lubrificado de forma correta. Mas atenção, óleo a mais também faz mal! Por isso não atestes para lá do limite máximo pois pode ir parar óleo ao turbo ou à admissão.

VÊ TAMBÉM: O meu carro entrou em “autocombustão”: como parar o motor?

Esperamos que sigas estes conselhos e que consigas “espremer” o máximo de quilómetros do teu carro com motor turbo-comprimido. Lembra-te que para além destes conselhos deves ainda assegurar uma manutenção adequada do teu carro, fazendo as revisões a tempo e horas e utilizando os óleos recomendados.

Sabes responder a esta?
Qual foi a primeira marca a oferecer um modelo com motor Diesel de injeção direta?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Fiat. A marca que «inventou» os motores Diesel modernos

Mais artigos em Autopédia

Os mais vistos