Glórias do Passado

Lembras-te deste? Honda Accord Type R

O Honda Accord Type R faz 20 anos. O momento ideal para recordar o Type R menos conhecido de todos, mas não menos capaz.

Foi em 1998, há 20 anos atrás, que foi revelado o Honda Accord Type R (CH1). Sim, leram bem, um Accord Type R. Um familiar capaz, mas nunca reverenciado pela sua condução cativante, quanto mais pela sua “desportividade”.

Porque haveria a Honda de escolher um Accord para receber o tratamento Type R?

Impulsionada pelo sucesso crescente da sigla Type R — NSX e Integra garantiam elevada projeção da sigla — e, igualmente, pela visibilidade acrescida do Accord, graças à sua participação, com algum sucesso, nos populares campeonatos de turismos que dominavam os circuitos europeus na altura, o que parecia impossível era não haver um Honda Accord Type R.

Honda Accord Type R
Sem a asa traseira opcional, e sem o Champioship White da carroçaria, passaria por qualquer outro Accord.

Um verdadeiro Type R

Não era um especial de homologação, mas os engenheiros da Honda não deixaram nada ao acaso. E o resultado final foi tão bom, que acabaríamos por ver o Honda Accord Type R não só a “limpar” todos os comparativos com a concorrência da altura — quando V6 era a norma para as versões de topo do segmento D —, como até o vimos frente-a-frente com máquinas com olhos postos na competição, como o Subaru Impreza GT Turboeste Accord era um verdadeiro Type R. 

Não é difícil perceber porquê quando observamos o trabalho efetuado neste Accord e o comparamos com os restantes. O Type R era 57 kg mais leve — pesava apenas 1306 kg — do que o Accord 2.0 regular, graças à remoção de algum material insonorizante, e apesar do reforço da antepara traseira que contribuiu para um aumento de 40% na rigidez da carroçaria.

A aparência era mais desportiva, graças à adopção de um kit para a carroçaria, mas longe, muito longe do aparato visual dos Civic Type R que conhecemos agora. Era um lobo em pele de cordeiro, só mostrando o que se escondia por baixo, quando equipado com a opcional e funcional asa traseira — opção que acabou por ser selecionada na maioria dos casos.

Honda Accord Type R
No interior destacava-se os instrumentos de fundo branco, o volante Momo em pele e os bancos da Recaro. O manípulo da caixa de velocidades era em alumínio, que seria mudado para titânio mais tarde.

A distância ao solo foi reduzida, a suspensão ficou mais firme, as rodas cresceram até às 17″, os travões foram majorados e ganhou um diferencial autoblocante Torsen. Dinamicamente o Accord estava transformado — direção comunicativa, chassis acutilante, condução envolvente, mas sem esquecer o seu propósito familiar, mantendo bons níveis de conforto.

O motor, a estrela

Mas a estrela, como costuma acontecer em qualquer Type R, era o motor. Derivado da mesma unidade que equipava o Honda Prelude, viu a sua taxa de compressão elevada para 11:1, ganhou novos pistões, injeção de combustível sequencial, uma nova admissão e um novo sistema de escape menos restritivo.

Com a nada “sexy” denominação H22A — versão H22A7, com destino ao mercado europeu —, o quatro cilindros em linha com 2.2 litros, naturalmente aspirado, passava a debitar 212 cv às 7200 rpm e 222 Nm às 6700 rpm. 

Honda Accord Type R

Acoplado a uma transmissão manual de cinco velocidades, com relações mais curtas, ainda assim era acusada de ser longa — a quarta atingia mais de 190 km/h. Mesmo assim, os 100 km/h eram atingidos em 6,9 segundos, mas perdia fulgor a velocidades mais elevadas devido ao escalonamento da caixa, que colocava o motor fora da “zona”, que é como quem diz, fora da atuação do VTEC.

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Houve mais um Accord Type R

O Honda Accord Type R permanece como o mais “adulto” dos Type R, mas não significa que seja menos conseguido. A sua concepção revela a mesma atenção e qualidade de execução do que qualquer outro Type R.

Honda Accord Type R

A Europa conheceu apenas um Accord Type R, mas o Japão teve direito a mais um, após a apresentação de uma nova geração do Accord, em 2002. Denominado Euro R, trocava o 2.2 por um ainda mais rotativo 2.0 — o reverenciado K20A — com 220 cv e uma caixa de seis velocidades manual.


Sobre o “Lembras-te deste?”. É a rubrica da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que de alguma forma se destacaram. Gostamos de recordar as máquinas que outrora nos fizeram sonhar. Embarca connosco nesta viagem no tempo, semanalmente aqui na Razão Automóvel.

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