Glórias do Passado

Há 25 anos nasceu a sigla Type R

Mais um artigo dedicado a uma das siglas mais importantes da indústria automóvel. Falamos da sigla Type R. Typeee ERRE... Também se arrepiaram?

Se não se arrepiaram quando leram “Type R”, deviam. Type R está para a Honda como a M Performance está para a BMW, como a AMG está para a Mercedes-Benz, como a Polestar está para a Volvo e como a Audi Sport está para a… isso mesmo, a Audi. Mais recentemente juntou-se a este grupo a N Performance da Hyundai.

Nomes que encerram em si muitas emoções, calafrios e elevadas doses de adrenalina. Podia mencionar mais alguns exemplos mas… já chega, não já?

A alcateia reunida.

Arrepios? Que exagero…

Hoje em dia, o nome Type R está por vezes demasiado conotado com preparações de gosto duvidoso, mas os «verdadeiros» Type R encerram em si uma história que merece ser contada.

Ao longo destes 25 anos “Type R” tornou-se sinónimo de performance, engenharia de ponta, superação e… fiabilidade. Sim fiabilidade. E se é para falar dos 25 anos dos Honda Type R vale a pena começar exatamente por aí. Pela fiabilidade.

Não é um exagero.

Há 25 anos o mundo ficava a conhecer o Honda NSX Type R. A versão mais “acutilante” do NSX «original», com menos 120 kg de peso e «ligeiras» alterações que no seu todo faziam toda a diferença. Adeus vidros elétricos, adeus ar-condicionado, adeus sistema de som, adeus peso a mais, olá performance! Menos é mais, lembram-se?

Infelizmente, o número de unidades produzidas do NSX Type R foram limitadas e destinavam-se apenas ao Japão. Apesar destas condicionantes, o nível de engenharia estreado pela sigla Type R ultrapassou as fronteiras do Japão e o mito espalhou-se pelo mundo. Um pouco à semelhança do que a Nissan fez com o GT-R.

Se regressarmos ao início da década de 90 o que é que nos tínhamos? Tínhamos a Ferrari a produzir automóveis exóticos – fantásticos, é verdade… – mas pouco práticos e talvez ainda menos fiáveis; tínhamos a Porsche em plena ressaca dos Transaxle e ainda «agarrada» ao conceito aircooled no Porsche 911 – atenção, os transaxle eram fantásticos, porém não foram o sucesso esperado. Tínhamos ainda, do outro lado do atlântico, os americanos a tentar dominar essa «ciência oculta» que era produzir carros que curvassem. Lembram-se do primeiro Viper? Tentem não rir…

E o resto, bem o resto não é propriamente memorável…

No meio deste cenário (que eu talvez esteja a pintar em tons demasiado negros…) nascia aquele japonês especial: o Honda NSX Type R. Curvava, acelerava, era fácil de conduzir, rigoroso em pista, implacável com o cronómetro, fiável e até era prático no dia-a-dia. Podemos afirmar, sem exageros, que o Honda NSX foi o «pai» dos superdesportivos modernos, estreando no segmento standards de qualidade nunca antes vistos. O NSX Type R era tudo isso elevado ao x² e muito mais.

VTEC? Sempre.

No coração da gama de modelos Type R está o famigerado sistema VTEC (Variable Valve and Lift Electronic Control). Um sistema capaz de alterar o perfil de abertura das válvulas em função do regime do motor e melhorar assim a perfomance.

É impossível gostar de automóveis e nunca ter ouvido falar do “kick” da entrada em cena do sistema VTEC. Até hoje, todos os Honda Type R recorrem a este sistema, do primeiro NSX ao último NSX, sem esquecer os Civic, Integra e Accord.

O «H» é vermelho. Porquê?

Este detalhe poucos conhecem (eu confesso que desconhecia até ter iniciado este texto). Todos os Type R usam o logótipo da Honda com um fundo vermelho. Até aqui nada de novo mas… porquê vermelho?

A opção por esta combinação de cores está ligada à herança da Honda na Fórmula 1. Foi (e continua a ser…) uma homenagem ao primeiro Fórmula 1 da Honda.

Falamos do RA272. Este monolugar venceu o Grande Prémio do México em 1965, dominando do principio ao fim, e dando à Honda a sua primeira vitória no mais competitivo palco do desporto automóvel mundial. A maioria dos Type R também recorre à cor “Championship White”, a mesma do RA272.

Os Type R do «futuro»

A Honda já confirmou que a família Type R vai continuar a crescer.

Atualmente, o único representante desta linhagem é o Honda Civic Type R, mas em breve deixará de ser assim. O novo Honda NSX também é um potencial candidato a receber esta famosa sigla. Outro potencial candidato é o futuro sucessor do S2000 (que saudades!). Sobre este último modelo vale a pena ler este artigo publicado aqui na Razão Automóvel recentemente.

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