Preço dos desportivos usados em Portugal: está tudo louco?

Como já escrevi anteriormente, os desportivos dos anos 90 estão na moda. Mas há limites…

Uma das minhas resoluções para 2016 não se cumpriu: comprar um desportivo dos anos 90. Ora por falta de vontad€, ora por falta de oportunidade. Quis o destino que “aquele negócio” não se concretizasse. Por vezes, foi por muito pouco: “olhe, fechei o negócio há 5 minutos”, outras vezes foi apenas tempo desperdiçado “Sr. Guilherme, o carro está bom. Só precisa de um motor novo”. #$%#%!!!!

A menos que nos próximos 11 dias aconteça um milagre de Natal, vou ter de esperar por 2017 para finalmente ter o meu “projeto” na garagem.

Nesta verdadeira cruzada de 12 meses, cruzei-me com todo o tipo de vendedores. Dos particulares que apenas queriam desfazer-se do carro, aos particulares “semi-profissionais” que compram para vender e fazer negócio, acabando nos vendedores profissionais dos stands de usados. Apanhei de tudo. Com alguns ainda mantenho contacto, “Razão Automóvel? A sério. Eu já vos leio desde 2012!” – aguenta e não chores, aguenta e não chores!

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Uns são simpáticos (os que lêem a Razão Automóvel), outros são menos simpáticos (os que não lêem), uns são sérios outros nem por isso. Há de tudo e para todos os gostos (como em todo o lado). Mas entre estes, há apenas um tipo de vendedores que eu não entendo e me causam um sentimento de… raiva, vá. São aqueles que metem o carro à venda por valores absolutamente estratosféricos.

A malta que mete “charutos” à venda e diz que estão “impecáveis!” ainda consigo entender. Têm um problema entre mãos e querem fazer uma espécie de «passa-a-outro-e-não-ao-mesmo» com um automóvel. Ok, tudo bem. Depende do comprador aceitar ou não a «batata quente». Não é uma atitude legítima mas pelo menos é compreensível.

Não consigo é compreender a rapaziada que perde tempo a colocar anúncios de carros que na verdade não querem vender. Colocam preços absurdamente elevados, levando à criação de «bolhas especulativas» e a uma escalada de preços pouco (ou nada) justificada.

No final, a verdade é que toda a gente acaba por entender-se.”

Perdi a conta às vezes que ouvi a seguinte frase: “O meu carro está caro? Olhe que no OLX está à venda um igual pelo mesmo preço”. A minha resposta era sempre a mesma: “Sim, o senhor tem razão – também já o vi. Mas é por isso que está à venda há 6 meses”. Resumindo: enquanto os intrujões só afectam quem se deixa enganar, estes vendedores-que-não-vendem-nada afetam todo o mercado, distorcendo os valores reais de determinados modelos.

Há marcas e modelos onde esta tendência é mais gritante.

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Neste universo de vendedores e de carros usados, os piores são os particulares que têm modelos Toyota.

Parece que quantos mais km’s os Toyota têm mais dinheiro valem: “já tem 300.000 km e nunca deu um problema! Tem aí carro para fazer mais 300.000km sem problema nenhum”. Até pode ser verdade, mas nenhum carro vale mais dinheiro por ter mais quilómetros.

Falando de modelos em concreto, o BMW Série 3 (E30) lidera destacadamente esta lista especulativa.

“Dois amigos meus são assim. Um nem sequer procurou muito, mas procurou na hora certa e fechou logo o negócio. Nem sequer viu o carro.”

Há também os vendedores que gastaram milhares de euros para deixarem o carro com um aspeto… discutível. Como é que se explica a alguém que gastou mais de 8.000 euros em fibra e num sistema de som que faz inveja ao Rock in Rio, que o carro vale menos por isso? A resposta é: não se explica.

desportivos anos 90 citroen saxo cup

Em conversas de amigos já me disseram “Guilherme, cada um pede o que quiser por aquilo que é seu”. Está bem, aceito. Mas caramba, não desvirtuem o mercado. Se não querem vender o carro não o metam à venda. É pedir muito? Pelos vistos é.

No final, a verdade é que toda a gente acaba por entender-se. A «mão invisível» de Adam Smith dá um empurrão e os negócios acabam sempre por concretizar-se. As duas partes ficam satisfeitas e seguem-se milhares de quilómetros de prazer. Alguns vendedores arrependem-se, mas isso é outra história

Não há inocentes.

Do outro lado da barricada também há os compradores-que-não-compram-nada, recebi muitas queixas dessa espécie igualmente incomodativa. Em minha defesa, tenho a dizer que nunca marquei visitas a carros que não quisesse efectivamente comprar. Graças a este zelo fui demasiadas vezes traído pelos compradores-relâmpago. “Já alguém foi aí e comprou o carro? Mas só estava à venda há 5 horas!”. Se és um comprador-relâmpago, quero que saibas que odeio-te por não ser como tu.

Dois amigos meus são assim. Um nem sequer procurou muito, mas procurou na hora certa e fechou logo o negócio. Nem sequer viu o carro. O outro fez a mesma coisa mas com mais requinte. Convidou a namorada para ir passar o fim de semana ao Porto e por acaso (por acaso…) havia na Invicta um Toyota MR2 à venda muito interessante.

No meio deste “azar” todo e de preços completamente absurdos, acabei por comprar um carro que não estava à espera: um Renault Mégane 1.5 dCi de 2003. Pará de rir, eu sei que não é um desportivo, mas aconteceu! É a versão automóvel do clássico: grupo de amigos que saem à noite todos aperaltados, e um deles acaba a noite com a tipa mais feia. Pois bem… esse tipo sou eu.

Entretanto, já tenho umas quantas histórias interessantes para contar sobre esse excelente negócio – digo-o sem qualquer tipo de ironia. Uma coisa é certa. Para o ano é que é! Tenho de arranjar companhia para o meu simpático Mégane.

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