The Grand Tour está ao nível do Top Gear?

Primeiro episódio do The Grand Tour com Portugal em destaque.

Este domingo tirei a tarde para ver o The Grand Tour. Confesso que o primeiro episódio ficou um pouco aquém das minhas expectativas. Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond ainda não estão ao nível que nos habituaram no Top Gear.

Porquê? Porque o The Grand Tour não é só um Top Gear com um nome diferente. É um programa efetivamente diferente. Muito.

“Poderá o The Grand Tour suceder ao Top Gear em termos de popularidade? Será dificil, mas não é impossível.”

Os apresentadores são os mesmo, mas tudo o resto mudou. E nem tudo mudou necessariamente para melhor. Mas vamos por partes…

Os apresentadores

Eles não mudaram, mas tudo à volta deles mudou. Já não apresentam um programa inglês, apresentam um programa americano e isso nota-se nos detalhes.

Aquela entrada apoteótica, com dezenas de carros, aviões, uma banda de rock e uns «pozinhos» de Mad Max. América por todos os poros! Aquele não é o registo dos nossos rapazes e não me parece que estivessem confortáveis com esta abordagem.

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Naquele excerto do programa, achei o nosso «trio» demasiado afastado da fórmula que lhes valeu a fama que hoje têm: três amigos na galhofa a testarem carros e a fazerem pouco um dos outros.

Na parte filmada em estúdio notava-se falta de alguma naturalidade, mas a «coisa» melhorou no excerto do programa filmado em Portugal, mais concretamente no Autódromo de Portimão.

O novo «Stig»

Ao que parece, a produção escolheu um ex-piloto de NASCAR para substituir o Stig. Espero este que não volte a surgir no programa.

RELACIONADO: Assiste gratuitamente ao primeiro episódio do The Grand Tour

Uma vez mais, a subtileza do «Stig» criado pelos ingleses da BBC contrasta com a personagem de piadas fáceis e previsíveis dos americanos da Amazon Prime.

A nova «pista»

Mais uma vez, o exagero. Aos produtores do The Grand Tour não bastava encontrar uma pista de testes. Tinham de inventar mais alguma coisa.

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A «mais perigosa», a «mais difícil», a «mais mortífera» foram alguns dos adjetivos que Jeremy Clarkson usou para descrever a nova pista. Então e o nome? Eboladrome. A nova pista tem um formato similar ao do vírus Ébola e daí o nome «Eboladrome».

A pista não tem escapatórias, há uma curva que acaba numa subestação elétrica, há animais por toda a parte e uma das curvas passa junto à casa de uma velhota.

Muito espetáculo e entretenimento, é verdade. Mas caramba, antigamente este era o único excerto do programa onde os carros eram verdadeiramente levados ao limite. Agora é mais um segmento de entretenimento.

Acho que ficámos a perder.

A nova «tenda»

Não podia ser tudo mau (nem é…). Em vez do estúdio do programa ser fixo, vai percorrer os quatro cantos do mundo. A ideia é interessante e pode ser que o estúdio venha um dia até Portugal.

Depois de terem abertos as hostes no Autódromo de Portimão, tudo é possível. Além do mais, os ingleses adoram Portugal e nós também gostamos dos «bifes». General Wellington, obrigado por tudo!

Produção e imagem

Do melhor. Animações fantásticas, planos maravilhosos. A Amazon Prime meteu a «carne toda no assador» e não poupou na equipa de filmagens e pós-produção.

Drift’s gigantescos, imagens aéreas, há de tudo. O pano de fundo também ajudou… Portugal!

Resumindo e baralhando…

Gostei deste primeiro episódio do The Grand Tour.

Como comecei por dizer, não acho que o The Grand Tour esteja ao nível do ex-Top Gear, e parece-me que na ânsia de fazer um programa diferente  – por necessidade e por imperativos legais – a produção talvez tenha ido longe demais em alguns aspetos.

Por mim, podem baixar nos níveis de «America f*uck yeah» e aumentar os níveis de sarcasmo e humor britânico. Nestas coisas, as soluções de compromisso sabem sempre a pouco.

Poderá o The Grand Tour suceder ao Top Gear em termos de popularidade? Será difícil, mas não é impossível. O Top Gear levou anos até chegar ao nível das últimas temporadas e o The Grand Tour só agora começou. Portanto…

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