Volkswagen. “Qualquer coisa que a Tesla faça, nós conseguimos superar”

Foi assim que Herbert Diess, diretor da marca Volkswagen, definiu a ameaça que a Tesla representa na “primeira” conferência anual da marca alemã.

Apesar das oito décadas de existência, é a primeira vez que a Volkswagen efetua uma conferência anual dedicada apenas e só à marca Volkswagen sem envolver as restantes marcas do grupo. A marca apresentou os seus resultados financeiros do primeiro trimestre e falou sobre o futuro da marca.

O futuro passa pela implementação do plano Transform 2025+, definido no rescaldo do Dieselgate. Este plano procura não só garantir a sustentabilidade do Grupo Volkswagen como um todo, como transformar a marca (e o grupo) no líder mundial da mobilidade elétrica.

2017 Conferência Anual Volkswagen

Neste plano, que será implementado em três fases, veremos, até 2020, um foco da marca na eficiência operacional, na melhoria da produtividade e no incremento das margens operacionais.

De 2020 até 2025 o objetivo da Volkswagen é ser líder de mercado nos veículos elétricos e na conectividade. Outra dos objetivos é, simultaneamente, aumentar as margens de lucro em 50% (de 4% para 6%). Após 2025, soluções de mobilidade serão o foco principal da Volkswagen.

A ameaça da Tesla

Os planos da Volkswagen para vender um milhão de veículos elétricos em 2025 – vão ser lançados até 30 modelos durante este período – poderão encontrar na Tesla o seu maior e potencial travão. A marca americana prepara-se para lançar, ainda este ano, o Model 3, e promete um preço de ataque nos EUA, a começar nos 35 mil dólares.

O construtor americano é, no entanto, demasiado pequeno. O ano passado vendeu quase 80 mil unidades, comparando com as 10 milhões do grupo Volkswagen.

No entanto, com o Model 3, a Tesla promete crescer exponencialmente até ao final de 2018, chegando aos 500 mil carros por ano, e ambiciona duplicar esse valor no início da próxima década. Isto claro, de acordo com os planos de Elon Musk.

Tesla Model 3 Gigafactory

Entre os dois planos [da Volkswagen e da Tesla], há um ponto em comum: as duas marcas coincidem no números de unidades que querem vender por ano. No entanto, a forma de lá chegar é diametralmente oposta. Qual é que funcionará melhor: uma start-up com provas dadas nos carros elétricos, mas com grandes desafios no escalar da sua produção, ou um construtor tradicional, já com enorme escala, mas que tem de transformar as suas operações?

Herbert Diess, CEO da Volkswagen, foi peremptório ao afirmar que Volkswagen terá enormes vantagens face à Tesla na questão dos custos, graças às suas plataformas modulares MQB e MEB – para veículos elétricos -, que permitem distribuir os custos por um número consideravelmente maior de modelos e marcas.

“[A Tesla] é um concorrente que levamos a sério. A Tesla vem de um segmento elevado, no entanto, estão a descer de segmento . É nossa ambição, com a nossa nova arquitectura  de pará-los aí, de controlá-los” | Herbert Diess

Apesar das diferenças abismais de escala, a transição da Volkswagen para a mobilidade elétrica obrigará a investimentos avultados, logo custos. Não só têm de apostar na tecnologia elétrica, como terão de manter o nível de investimento na evolução dos motores de combustão interna para fazer face a normas de emissões mais restritivas.

“Qualquer coisa que a Tesla faça, nós conseguimos superar” | Herbert Diess

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Segundo Diess, esses custos crescentes serão compensados com um plano de contenção de custos. Esse plano, já em marcha, levará a um corte de 3.7 milhares de milhões de euros em custos anuais e à redução do número de funcionários, a nível global, em 30 mil até 2020.

Quem sairá vencedor na conquista do mercado com automóveis elétricos? Em 2025 voltamos a falar.

Fonte: Financial Times

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