Ensaio DS 7 ganha híbrido plug-in de 360 cv. É só estilo ou também tem conteúdo?

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DS 7 ganha híbrido plug-in de 360 cv. É só estilo ou também tem conteúdo?

O DS 7 renovou-se e ganhou novos argumentos. Mas será que mudou o suficiente para «atacar» os incontornáveis rivais alemães?

DS 7 E-Tense 4×4 360 La Première

7/10
Mais francês do que nunca.

Prós

  • Imagem distinta
  • Interior requintado
  • Equipamento vasto

Contras

  • Preço
  • Suspensão algo firme

Este é o novo DS 7. Bem, não é totalmente novo, mas mudou o suficiente para continuar relevante num dos segmentos mais concorridos da indústria. Pelo menos é isso que diz a marca francesa, que nesta atualização resolveu abandonar a designação Crossback: passa a chamar-se apenas DS 7.

A imagem exterior também foi retocada, porque já era conhecida desde 2017. O interior está mais nobre e elegante do que nunca. E na versão híbrida plug-in com 360 cv este passa diretamente a ser — a par do DS 9 com a mesma motorização — o DS mais potente de sempre.

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Não faltam por isso argumentos a este SUV gaulês, que soma mais de 120 000 exemplares vendidos — números que fazem dele o modelo mais vendido da DS. Mas num segmento tradicionalmente dominado pelos alemães, terá que surpreender para ser relevante. E não foi apenas isso que fez.

Testámo-lo na versão de topo, a La Première E-Tense 4×4 360, e fomos descobrir aquilo que vale, afinal, o carro presidencial francês de Emmanuel Macron.

Premium por fora e por dentro

No interior, as formas gerais foram mantidas, mas houve um claro reforço tecnológico, além de existirem ainda mais acabamentos: dos mais elegantes, como o couro, até aos mais desportivos, como as microfibras.

Interior do DS 7 E-Tense 360
© Miguel Dias / Razão Automóvel Os bancos em couro Nappa e microfibra dão nas vistas pela atenção ao detalhe, naquilo a que a DS apelida de uma confeção do tipo “bracelete de relógio”.

A atenção ao detalhe continua a ser notória, bem como a qualidade dos materiais usados, que nos fazem sentir que estamos, efetivamente, numa proposta premium.

E percebendo que os padrões em diamante que caracterizam os modelos da DS — e que são inspirados na cidade de Paris — podem não ser unânimes, há uma coisa que é impossível ignorar: o DS 7 tem uma identidade muito própria, diferente de tudo o que vemos no mercado.

A forma e o desenho são diferenciadores, mas o DS 7 vai muito além da estética e do estilo. Mas quando olhamos para a essência, percebemos que este SUV francês tem muito e bom conteúdo.

Nesta renovação, a DS fez um importante reforço de tecnologia, dando ao DS 7 dois ecrãs de 12,3’’: um deles «trata» da instrumentação; o outro serve de terminal para o novo sistema multimédia DS Iris.

ecrã central de 12,3" com sistema de infoentretenimento DS Iris
© Miguel Dias / Razão Automóvel Ao centro, bem no topo do ecrã, uma das imagens de marca dos modelos da DS: o relógio assinado pela B.R.M

Este sistema requer alguma habituação, mas uma vez ultrapassados os «desafios» iniciais, percebemos que é agradável de usar. A excelente definição do ecrã também não passou despercebida, tal como o sistema de som com 14 altifalantes da Focal, que é de série nesta versão: é um dos melhores sistemas de som que já «ouvi» num automóvel.

consola central com manípulo da transmissão
© Miguel Dias / Razão Automóvel A consola, tal como os restantes elementos do habitáculo, revela uma montagem sólida e acabamentos de grande qualidade.

Já o painel de instrumentos digital conta com grafismos 3D para a navegação e nas versões híbridas plug-in, como a que testámos, ainda apresenta o fluxo da energia que estamos a usar.

Quanto ao espaço, é muito satisfatório na dianteira e ainda mais notável ao nível dos bancos traseiros. O espaço disponível para as pernas de quem viaja atrás não será problema, acreditem em mim. Já ao nível da cabeça é mais limitado.

Quem viajar atrás não só tem direito a acabamentos muito semelhantes aos que encontramos na dianteira como ainda tem controlos individuais para a climatização. Quanto à capacidade da bagageira, está sempre fixada nos 555 litros, quer optem pelas versões com motor Diesel ou híbridas plug-in.

Como se comporta em estrada?

Disponível em Portugal com um motor Diesel, o 130 BlueHDi, e com três versões híbridas plug-in, com 225, 300 e 360 cv de potência máxima combinada, o DS 7 tem opções para quase todos os gostos. Porventura seria interessante, para alguns clientes, ter uma versão apenas com motor a gasolina.

Mas usando uma expressão francesa de que eu tanto gosto, o E-Tense 4×4 360 acaba por ser a Pièce de Résistance de toda a gama DS 7. Até porque é, neste momento, a par do DS 9 com a mesma motorização, o modelo de produção mais potente de sempre.

Mais potente e com ambições mais desportivas

A «culpa» é do motor 1.6 PureTech com quatro cilindros em linha que produz 200 cv e 300 Nm que é combinado com dois motores elétricos — um na dianteira com 110 cv e outro na traseira de 113 cv —, contando ainda com uma bateria de iões de lítio com 14,2 kWh de capacidade.

No total são 360 cv de potência máxima combinada e 520 Nm de binário máximo combinado, números que colocam grande parte da concorrência em sentido, com este SUV a ser capaz de fazer o sprint dos 0 aos 100 km/h em 5,6s e de chegar aos 235 km/h de velocidade máxima.

O que muda para um DS 7 «normal»?

Mais importante do que isso, este DS 7 conta com uma afinação específica do chassis, cortesia da DS Performance (o braço de competição da DS): a suspensão é rebaixada em 15 mm e as vias são dilatadas em 24 mm à frente e 10 mm atrás.

Jantes de 21"
© Miguel Dias / Razão Automóvel Nesta versão o DS 7 vem equipado de série com jantes de 21”

Também a travagem foi alvo de um trabalho específico, com a DS a equipar este SUV com pinças específicas e com discos dianteiros com 380 mm de diâmetro. E tudo isto se sente quando o conduzimos.

A primeira coisa que notamos é a disponibilidade do sistema híbrido. O motor a gasolina conta com uma gestão eletrónica específica e um mapeamento próprio, assinado, também ele, pela DS Performance. E sempre que é chamado a intervir, com o auxílio da parte elétrica, responde de forma afirmativa.

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O poder de disparo é notável para uma proposta com este porte e os movimentos da carroçaria em curva estão mais bem controlados do que seria de esperar. Mesmo quando entramos a velocidades mais elevadas numa curva sentimos uma elevada estabilidade do conjunto, mostrando sempre um comportamento previsível.

Mais estradista do que desportivo

Porém, os 1960 kg da versão testada fazem-se sentir e o «pisar» é bastante firme, algo que é acentuado pelas jantes de 21’’ e pelos pneus de baixo perfil que são oferecidos de série nas versões La Première.

Isso fica ainda mais notório quando ativamos o modo Sport, que acrescenta peso à direção e faz com que a transmissão automática fique mais tempo a «explorar» os regimes mais altos, sendo que tudo isto é acompanhado por um som algo artificial do motor.

DS 7 e-tense 360, traseira 3/4
© Miguel Dias / Razão Automóvel Na traseira, na faixa preta que unes os farolins, deixamos de ler “Crossback” e passamos a ler “DS Automobiles”.

Volto a dizer: as acelerações impressionam e é possível curvar bastante rápido, mas sinto sempre que este DS 7 acaba por estar algo desconfortável nesse papel. Por outro lado, é quando puxamos pelas suas qualidades de estradista que ele mais brilha. Aí, percebemos que foi para isso que foi pensado. E, mais importante, sentimos que tem qualidade suficiente para «bater» o pé aos alemães. Não tenho dúvidas disso.

Quanto aos consumos, e numa utilização mista, alternando entre o modo híbrido e elétrico, terminei este ensaio com uma média de 6,6 l/100 km e 10,8 kWh/100 km. E consegui fazer cerca de 45 km em modo 100% elétrico — um pouco longe dos 57 km oficiais.

Quanto custa?

O renovado DS 7 está disponível no mercado português com preços a começar nos 50 735 euros, na versão BlueHDi 130 com o nível de equipamento Bastille.

Na versão que testámos, a DS 7 La Première E-Tense 4×4 360, que é a topo de gama do modelo, arranca nos 76 265 euros.

Está longe de ser barato, é certo, mas é neste momento a montra da marca francesa, que colocou nesta versão o que de melhor consegue fazer em termos mecânicos, tecnológicos e até de acabamentos.

detalhe da ótica traseira
© Miguel Dias / Razão Automóvel Os farolins traseiros contam agora com um fundo preto que ajudam

Se olharmos para a concorrência, é difícil encontrar uma proposta com um nível de potência semelhante, com tanto equipamento e com este posicionamento premium. E isso obriga a contas e, mais importante do que tudo, a reflexões.

De acordo com aquilo que procuram num automóvel deste segmento, o DS 7 — nesta versão — tanto pode ser caro (se não valorizarem as prestações desportivas, a tecnologia e o vasto equipamento, sobretudo ao nível dos auxiliares de condução) como pode ser, ao mesmo tempo, muito competitivo.

Veredito

DS 7 E-Tense 4×4 360 La Première

7/10

Agora, mais do que nunca, o DS 7 apresenta-se com uma imagem sofisticada, com um interior cuidado e de aspeto vincadamente premium, e com tecnologia para dar e vender. O preço pode assustar, nomeadamente na versão aqui testada, mas importa recordar que isso vem acompanhado por uma lista de equipamento mais completa do que quase todos os rivais e por uma afirmação de poder clara por parte da DS; afinal este é o seu modelo mais potente de sempre.

Prós

  • Imagem distinta
  • Interior requintado
  • Equipamento vasto

Contras

  • Preço
  • Suspensão algo firme

Especificações técnicas

Versão base:76.285€

IUC: 144€

Classificação Euro NCAP: 5/5

76.265€

Preço unidade ensaiada

  • Arquitectura:4 cilindros em linha
  • Capacidade: 1598 cm³ cm³
  • Posição:Dianteira transversal
  • Carregamento: Inj. direta, turbo e intercooler; Bateria: 14,2 kWh
  • Distribuição: 4 cilindros em linha
  • Potência:
    Motor de combustão: 200 cv às 6000 rpm
    Motor elétrico 1: 81,2 kW (110 cv)
    Motor elétrico 2: 83 kW (113 cv)
    Potência máxima combinada: 360 cv
  • Binário:
    Motor de combustão: 300 Nm às 3000 rpm
    Motor elétrico 1: 320 Nm
    Motor elétrico 2: 166 Nm
    Binário máximo combinado: 520 Nm

  • Tracção: Total
  • Caixa de velocidades:  Automática de 8 velocidades

  • Largura: 4593 mm
  • Comprimento: 1891 mm
  • Altura: 1625 mm
  • Distância entre os eixos: 2738 mm
  • Bagageira: 555/1752 litros
  • Jantes / Pneus: 245/25 R21
  • Peso: 1960 kg

  • Média de consumo: 1,8 l/100 km
  • Emissões CO2: 40 g/km
  • Velocidade máxima: 235 km/h
  • Acelaração máxima: >5,6s

    Tem:

    • Párabrisas aquecido
    • Filtro anti-alergias
    • Portão traseiro motorizado
    • Pack bancos elétricos
    • Bancos dianteiros com função massagem
    • Carregador de bordo (7,4 kW)
    • Cabo de carregamento modo 2
    • Bancos traseiros reguláveis eletricamente
    • Ecrã tátil de 12,3”
    • Visão 360º – inclui câmara de visão dianteira e traseira
    • DS PIXEL LED VISION 3.0: projetores full LED (HIGH BEAM ASSIST e faróis de navoeiro)
    • Sistema HiFi FOCAL ELECTRA (14 altifalantes)
    • DS Iris System (IVI HIGH)
    • ACTIVE SAFETY BRAKE + ADVANCED SAFETY PACK + DS DRIVE ASSIST
    • Cabo de carregamento modo 3
    • Relógio rotativo B.R.M R180
    • Bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem (condutor e passageiro)
    • Pedaleira em alumínio
    • Climatização automática tri-zona
    • Retrovisores exteriores eletrocromáticos, rebatíveis eletricamente, indexados à marcha-atrás, com LED Spotlight DS e visualização do ângulo morto
    • Tejadilho panorâmico deslizante
    • Vidros dianteiros e traseiros acústicos
    • Vidros traseiros escurecidos
    • DS Night Vision (com visão 360)
    • DS ACTIVE SCAN SUSPENSION
    • Ecrã digital no painel de instrumentos de 12,3″
    • Recarga sem fios para smartphones

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