Ensaio Testámos o Aiways U5. É um “negócio da China” ou pelo preço há melhor?

Desde 49 188 euros

Testámos o Aiways U5. É um “negócio da China” ou pelo preço há melhor?

Testámos o novo Aiways U5, um SUV elétrico chinês que está à conquista da Europa. Tem argumentos suficientes para o conseguir?

Aiways U5 Prime

6.5/10
Tem argumentos para triunfar na Europa?

Prós

  • Espaço
  • Conforto
  • Equipamento de série

Contras

  • Preço (sem campanha de financiamento)
  • Consumos
  • Grafismos do painel de instrumentos

A Aiways foi uma das primeiras marcas chinesas a «aterrar» na Europa, em 2017, e fê-lo com o U5, um SUV 100% elétrico que nós já testámos em vídeo no início de 2022.

Agora os nossos caminhos voltaram a cruzar-se, curiosamente pouco tempo antes da chegada a Portugal do segundo modelo da marca, o U6, que se estreia no verão.

Numa altura em que as novidades se multiplicam e que todos os meses se apresentam novos SUV elétricos, não havia outra premissa possível para este ensaio: o Aiways U5 tem argumentos para vingar?

Comecemos pela imagem, que apesar de ter linhas simples e superfícies muito «arejadas», não transmite grande identidade. A esse nível diria que o Aiways U5 é um pouco anónimo. E também por isso, o seu visual não vai despertar paixões nem causar impacto.

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Mas nem por isso deixa de ter alguns detalhes curiosos: os puxadores embutidos, o tejadilho em preto (opcional) e assinatura luminosa integralmente em LED.

Aiways U5 traseira
© Thom V. Esveld / Razão Automóvel O Aiways U5 está disponível com uma configuração de pintura bicolor, com o tejadilho em preto

O que também não passa despercebido são as proporções deste SUV chinês, que mede 4,68 m de comprimento, 1,86 m de largura e 1,70 m de altura. E isso só quer dizer uma coisa: este SUV tem espaço que nunca mais acaba.

Interior surpreende

O interior do Aiways U5 acaba por surpreender mais do que o visual exterior: está bem arrumado, apresenta uma boa combinação entre cores e materiais, está bem equipado e, acima de tudo, tem muito espaço. É um local agradável para se estar.

O interior do Aiways U5 é agradável. É certo que nas zonas inferiores do tabliê os materiais são menos agradáveis, mas o desenho é atual não desilude

Tal como costuma acontecer, temos direito a plásticos mais macios e agradáveis ao toque na parte superior do tabliê, enquanto nas zonas inferiores os materiais são mais ásperos e rijos.

Ao centro, na consola central, temos plástico preto lacado, uma solução que esteticamente resulta bem, mas que tem um grande problema: as marcas dos dedos que ficam facilmente «gravadas».

Aiways U5 consola central
© Thom V. Esveld / Razão Automóvel Habituem-se às dedadas na superfície em preto da consola central…

Passando para os bancos dianteiros, que são em pele sintética, eles podem ser aquecidos e contam com regulações elétricas, o que ajuda a encontrar uma posição de condução confortável.

Porém, senti sempre que os encostos de cabeça estavam demasiados para a frente, algo que não se pode mudar.

Os bancos são confortáveis, a pele sintética é agradável e não falta um “toque” mais especial, como o logótipo gravado no encosto de cabeça

O volante, apesar de ser achatado na base inferior e superior, também é confortável de usar. Tem uma boa pega e pode ser ajustado em altura e em profundidade.

Mas os botões presentes no volante têm um carregar pouco preciso e um «clique» pouco agradável. É um detalhe, é certo, mas dei por mim a reparar várias vezes nisso durante os dias que passei com este elétrico.

Aiways U5 volante
© Thom V. Esveld / Razão Automóvel O volante tem um bom tamanho e uma pega confortável. Mas os botões físicos não oferecem a melhor resposta e têm um “clicar” pouco preciso

E não foi caso único. A instrumentação digital — dividida em três ecrãs distintos (um de 7” e dois de 4,2”) — também mereceu várias vezes a minha atenção, sobretudo porque os grafismos parecem datados. Contudo, a visibilidade é boa, até mesmo em dias com mais luz.

Já ao centro temos direito a um ecrã tátil de 12,3”, que permite integração com Apple CarPlay e Android Auto, ainda que seja necessário usar um cabo.

Curiosamente, senti que neste ecrã central os grafismos são mais agradáveis do que na instrumentação. E navegar por entre os menus não é uma tarefa difícil (apesar da experiência não ser intuitiva), mesmo que este sistema de infoentretenimento não esteja disponível em português.

Espaço na traseira surpreende

Nos bancos traseiros a palavra de ordem é só uma: espaço. Eu sei que já usei esta palavra para descrever o interior do Aiways U5 várias vezes, mas não foi por acaso, este é mesmo um dos maiores trunfos deste elétrico chinês.

Aiways U5 perfil
© Thom V. Esveld / Razão Automóvel Espaço é coisa que não falta no interior do Aiways U5

Tal como acontece nos bancos dianteiros, os encostos de cabeça são algo duros, mas o espaço que temos disponível para as pernas e para a cabeça compensa. Viajar na segunda fila de bancos deste elétrico seja uma experiência confortável. Mesmo para quem viaja no lugar do centro.

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Não existe qualquer impedimento causado pelo túnel central (piso plano) e nas «costas» da consola central encontramos uma saída de ventilação (tem uma espécie de tampa que abre e fecha para deixar passar o ar), dois pequenos espaços de arrumação e uma porta USB convencional.

Aiways U5 bancos traseiros
© Thom V. Esveld / Razão Automóvel Nas costas dos bancos dianteiros surge a inscrição “Aiways” numa placa metálica, um detalhe interessante

E as bagageiras?

Sim, este Aiways U5 tem duas bagageiras, uma na traseira e outra debaixo do capô dianteiro.

Atrás temos direito a um valor mínimo de 432 litros, um valor que pode crescer até aos 1555 litros com os bancos da segunda fila rebatidos.

Já na dianteira, no frunk, o Aiways U5 disponibiliza 45 litros de carga adicionais, um valor mais do que suficiente para guardamos os cabos de carregamento.

Aiways U5 dianteira e porta de carregamento
© Thom V. Esveld / Razão Automóvel A porta de carregamento está “escondida” por baixo do farol dianteiro esquerdo: é uma boa solução, é certo, mas deixa a porta de carregamento algo exposta

Mecânica correta, mas ruidosa

A animar este Aiways U5 está um motor elétrico com 150 kW (204 cv) e 310 Nm, montado em posição dianteira.

Já a bateria, situada por baixo do piso do habitáculo, tem 63 kWh de capacidade, o suficiente para que a fabricante chinesa reclame uma autonomia máxima de 400 km, ou até 505 km em cidade.

Isto na teoria, claro, porque nos dias que passei com este elétrico, nunca consegui chegar à barreira dos 400 km com apenas uma carga. Até porque os consumos combinados, numa situação mista (autoestrada, cidade e vias rápidas), nunca desceram dos 21 kWh/100 km.

Aiways U5 traseira
Em corrente contínua o U5 suporta velocidades de carregamento de até 90 kW. Em corrente alternada suporta até 11 kW

Tendo em conta o peso (1770 kg) desta proposta e olhando para alguns dos concorrentes, esperava consumos mais baixos.

Mas aquilo que mais me surpreendeu (pela negativa) foi mesmo o ruído do motor elétrico, que se faz ouvir perfeitamente dentro do habitáculo — não é suposto os elétricos serem super-silenciosos?

Dito isto, o comportamento do motor é bem mais agradável do que o ruído podia fazer adivinhar: a entrega de binário é sempre muito linear, mesmo quando pisamos a fundo não temos um boost de nos fazer colar ao banco. E quando o fazemos, sentimos um ligeiro atraso entre o momento em que pisamos o acelerador e a resposta do motor.

Quanto às prestações, são discretas, mas são mais do que suficientes para uma utilização dita normal: a velocidade máxima está fixada nos 160 km/h e o sprint dos 0 aos 100 km/h faz-se em 7,8s.

Aiways U5
© Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Quanto ao comportamento dinâmico, a palavra de ordem no Aiways U5 é conforto. E isso sente-se quando o conduzimos. A suspensão consegue filtrar bem as irregularidades do asfalto e os movimentos da carroçaria até estão mais bem controlados do que eu imaginava.

Mas não esperam uma atitude mais desportiva ou um tato mais envolvente: basta entrar um pouco mais rápido numa curva para este SUV se manifestar de imediato. Quase como se nos estivesse a dizer: “calma, eu sou só um SUV familiar elétrico”.

E muitas vezes senti o eixo dianteiro com algumas dificuldades para colocar todo o binário no chão quando pisava o acelerador com mais convicção.

Outra coisa que merece um reparo é o tato do pedal do travão que, tal como acontece com tantos outros elétricos (e híbridos), não é propriamente fácil de decifrar e é bastante esponjoso. A este nível a marca chinesa tem espaço para melhorar.

Quanto custa?

Entre janeiro e março deste ano a Aiways matriculou 24 exemplares do U5 em Portugal (dados da ACAP), superando de forma clara as sete unidades vendidas em 2022.

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Não são números ainda relevantes, mas mostram da implementação da marca chinesa, aos poucos, no mercado português.

E quando vemos o U5, percebemos o porquê. Está bem equipado, tem (mesmo) muito espaço e tem uma boa relação qualidade/espaço/preço, sobretudo se considerarmos o seu tamanho.

Mas está longe de ser barato: para particulares e sem qualquer tipo de desconto, o U5 Prime que testámos tem um preço a começar nos 49 188 euros. Com campanha de financiamento este número desce para os 46 728 euros.

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A título de comparação, basta ver que o Tesla Model Y com tração traseira e apenas um motor elétrico arranca nos 46 990 euros e declara mais autonomia e uma melhor performance.

O Aiways U5 claro que tem tem coisas positivas a seu favor, mas também tem muitas coisas que precisam de ser polidas: o motor elétrico é muito ruidoso, alguns materiais do interior são pouco agradáveis ao toque e os grafismos dos ecrãs são datados.

Mas tem argumentos suficientes para ter que ser considerado por todos e quantos procurem um SUV elétrico com muito espaço e que custe menos de 50 000 euros, disso não tenho dúvidas.

Até porque em Portugal a Aiways oferece o U5 com uma garantia geral de cinco anos ou 150 000 km e com uma garantia para a bateria de oito anos ou 150 000 km.

Veredito

Aiways U5 Prime

6.5/10

Longe de ser um “negócio da China”, o Aiways U5 tem alguns argumentos interessantes, sobretudo o espaço e o nível de equipamento que oferece. Tem muitas coisas a melhorar, claro que tem, mas importa recordar que a Aiways só está na Europa desde 2017. Ainda assim, é um modelo que não desilude, apesar de também não surpreender.

Prós

  • Espaço
  • Conforto
  • Equipamento de série

Contras

  • Preço (sem campanha de financiamento)
  • Consumos
  • Grafismos do painel de instrumentos

Especificações técnicas

Versão base:49.188€

Classificação Euro NCAP: 3/5

49.803€

Preço unidade ensaiada

  • Arquitectura:1 motor elétrico
  • Posição:Dianteiro transversal
  • Carregamento: Bateria de iões de lítio com 63 kWh de capacidade
  • Potência: 150 kW (204 cv)
  • Binário: 310 Nm

  • Tracção: Dianteira
  • Caixa de velocidades:  Automática de uma velocidade

  • Comprimento: 4680 mm
  • Largura: 1865 mm
  • Altura: 1700 mm
  • Distância entre os eixos: 2800 mm
  • Bagageira: 432-1555 l (45 l à frente)
  • Jantes / Pneus: 235/50 R19
  • Peso: 1770 kg

  • Média de consumo: 16,6 kWh/100 km
  • Emissões CO2: 0 g/km
  • Velocidade máxima: 160 km/h
  • Aceleração máxima: >7,8s

    Tem:

    • Jantes em liga leve de 19″ com pneus 235/50 R19
    • Teto de abrir panorâmico
    • Faróis totalmente em LED e sistema de máximos automáticos
    • Ecrã central touch de 12,3“ com Bluetooth, Apple CarPlay e Android Auto
    • Carregamento de telemóvel por indução
    • Estofos em pele (dianteiros aquecidos com regulação elétrica)
    • Painel de instrumentos digital
    • Ar condicionado automático bi-zona com painel de controlo táctil
    • Sistema de acesso sem chave
    • Porta da mala elétrica com sensor de pé
    • Câmara panorâmica 360°
    • Sistema de deteção de fadiga do condutor
    • Sensores de parqueamento dianteiros e traseiros
    • Cruise Control Adaptativo com Manutenção automática em Faixa (ACC + SCC)
    • Sistema de Alerta de Desvio e de Manutenção em Faixa (LDW + LKA)
    • Aviso de Ângulo Morto c/ Assistente (BSD) e Alerta de Tráfego Cruzado Traseiro (RCTA)
    • Sistema de Travagem Automática de Emergência (AEB)
    • Avisador de Colisão Frontal (FCW)
    • Sistema de Reconhecimento de Sinais de Trânsito (TSR)
    • Assistente de Estacionamento Automático (APA)

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