Clássicos Há uma «meca» do motor Wankel na Europa que é de visita obrigatória

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Há uma «meca» do motor Wankel na Europa que é de visita obrigatória

Há um museu privado na Europa que tem uma das maiores coleções de Mazda do planeta. São cerca de 50 carros, muitos deles com um Wankel por debaixo do capô.

Entrada do Frey’s Mazda Classic Car Museum
© Miguel Dias / Razão Automóvel

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A Mazda pode ter nascido em Hiroshima, no Japão, mas desde 2017 que um «pedaço» de história da marca também pode ser visto na Alemanha, mais concretamente na cidade de Augsburgo.

Denominado Frey’s Mazda Classic Car Museum, este é o primeiro museu da Mazda fora do Japão e representa um projeto particular da Frey Auto, concessionário local da marca, ainda que com o apoio da Mazda Alemanha.

Com um Cosmo Sport de 1967 como peça central — o primeiro modelo da Mazda com motor Wankel —, este museu tem cerca de 50 veículos da marca japonesa. Todos são pertença da coleção privada da família Frey: o pai Walter Frey e os filhos Joachim e Markus.

Mazda Frey Museu Augsburgo
© Frey’s Mazda Classic Car Museum Walter Frey com os filhos Joachim e Markus

O fascínio pelo Wankel

Foi o interesse e o fascínio pelo motor Wankel que fez Walter Frey apaixonar-se pela Mazda e abrir um concessionário da marca japonesa (um dos primeiros na Alemanha) em 1978.

Esta paixão foi-se adensando rapidamente e apenas dois anos depois, em 1980, Frey descobriu e comprou um Mazda Cosmo Sport em Nova Jérsia, nos EUA. É precisamente o carro que hoje encabeça esta exposição.

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Com uma coleção bem superior a 100 automóveis (que o próprio Walter Frey me confessou também ter alguns Porsche e Mercedes-Benz) e com uma paixão pela Mazda que passou para os filhos, abrir um museu acabou por ser um passo quase natural.

Só que para isso era necessário encontrar um espaço à altura. Aquilo que posso dizer é que, após visitar este museu, o espaço encontrado é perfeito. Trata-se de um antigo depósito de comboios que data de 1897 e que foi totalmente recuperado para este propósito.

Mazda Frey Museu Augsburgo
© Frey’s Mazda Classic Car Museum

Dos kei cars ao MX-5

Existem modelos para todos os gostos neste museu, que juntos acabam por ajudar a contar a história centenária da Mazda.

Desde o R360, de 1960, o primeiro modelo de passageiros de produção em massa da marca; ao 616 (1976), o primeiro modelo oficialmente disponibilizado pela Mazda na Alemanha; passando pelo K360, um pequeno comercial de três rodas; ou pelo Familia 1000 (1966). A amostra é variada.

Mazda Frey Museu Augsburgo
© Razão Automóvel Mazda R360

Pessoalmente, o modelo que mais me marcou nesta visita acabou por ser o AZ-1, um pequeno (kei car) desportivo com apenas 720 kg, animado por um três cilindros turbo da Suzuki com apenas 657 cm3 e 64 cv de potência. Como pode ver abaixo, destaca-se pelo estilo e pelas portas «asas-de-gaivota» à la Mercedes-Benz 300 SL.

Além disso, e claro que não podia faltar, temos presente toda a família Miata, desde o NA (primeira geração) até ao mais recente ND. Tenho de destacar, no entanto, duas presenças surpreendentes: uma versão Speedster do MX-5 NC e um MX-5 NB Coupé, que só se vendeu no Japão.

Templo ao motor rotativo

Contudo, para onde quer que olhemos, não são precisos muitos minutos para percebermos que este museu é uma espécie de templo ao motor rotativo. Afinal foi isso que fez Frey apaixonar-se pelo construtor nipónico há várias décadas.

Aliás, a paixão de Walter Frey pelo Wankel vai muito além da Mazda e começa logo na própria tecnologia do motor rotativo.

Ao jantar, durante a minha visita ao Frey’s Mazda Classic Car Museum, por altura da apresentação internacional do novo Mazda MX-30 R-EV, Walter Frey lá me confessou que tem em sua posse praticamente todos os veículos que alguma vez equiparam um motor rotativo, inclusive motas.

Naturalmente, no museu só encontramos exemplares da Mazda, mas não falta diversidade. Existem «caras» mais conhecidas, como o RX-7, o RX-8 e o RX-3, sem esquecer o Cosmo Sport; mas também há propostas improváveis, como uma pick-up e até um autocarro.

Sim, isso mesmo. Nesta exposição encontramos um exemplar da Mazda Rotary Pick-Up (ou REPU), apresentada em 1974 e com o mercado norte-americano em mente. Contava com uma versão do mítico Wankel 13B, com dois rotores de 654 cm3 cada (1,3 l no total) que produzia 110 cv.

Ainda mais peculiar é o Mazda Parkway, um autocarro que a marca lançou exclusivamente no mercado japonês, em 1974, com um motor rotativo.

Mais tarde, em 1977, o Parkway livrou-se do Wankel e começou a sair da fábrica de Hiroshima com um bloco mais convencional, Diesel.

MazdaParkway
© Razão Automóvel Mazda Parkway

Visita obrigatória

Além de tudo o que lhe disse nas linhas acima, há outro motivo que me leva a dizer que este museu — cuja entrada custa uns simbólicos cinco euros — é de visita obrigatória para todos os petrolhead: o estado exímio em que estão todos os carros da exposição.

Mazda Frey Museu Augsburgo
© Razão Automóvel As quatro gerações do Mazda MX-5, incluíndo um inédito MX-5 NB Coupé que apenas se comercializou no Japão

Desde a pintura aos cromados, passando pelos interiores, tudo está num estado absolutamente perfeito nos cerca de 50 automóveis que compõem o Frey’s Mazda Classic Car Museum. O que também diz muito da paixão que a família Frey tem pela marca japonesa.

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