O meu Dia Europeu (quase) sem Carros

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Dia Europeu Sem Carros

O meu Dia Europeu (quase) sem Carros

Na "Semana Europeia da Mobilidade" voltei a usar com frequência os transportes públicos. Nesta crónica conto-vos como tem sido a experiência.

Desde que terminei a faculdade que apenas usava os transportes públicos de forma muito esporádica, fazendo a maioria das minhas deslocações de automóvel ou de mota.

Contudo, uma série de fatores — entre os quais o aumento do preço dos combustíveis e uma estadia prolongada do meu carro na oficina — levaram-me a voltar a usar a rede de transportes públicos para as minhas deslocações “casa-trabalho”.

Atenção: ao contrário do que acontece com muitos portugueses, eu não me desloco da periferia da cidade de Lisboa, mas sim da vila de Coruche, uma localidade a cerca de 80 km da capital e na qual o único transporte público existente é o autocarro.

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Fila de autocarros estacionados no temrinal
Depois de muitos anos, voltei a recorrer aos transportes públicos. A pontualidade do serviço veio dissipar alguns rumores em que ainda acreditava. © João Delfim Tomé / Razão Automóvel — editado por Sofia Teixeira

Ora, escusado será dizer que esta mudança radical de paradigma de mobilidade me obrigou a algumas alterações à minha rotina, trazendo não só benefícios mas também alguns desafios sem os quais não me importava nada de viver.

Ao mesmo tempo, ao ter voltado a usar os transportes públicos, pude experimentar as soluções defendidas na “Semana Europeia da Mobilidade”, que termina hoje e, acima de tudo, levar à letra o “Dia Europeu sem Carros” cujas comemorações também decorrem hoje.

Os prós…

Por morar fora da área metropolitana de Lisboa, não usufruo do passe “Navegante Metropolitano”, que custa 40 euros e permite utilizar todos os serviços de transporte público regular de passageiros nos 18 municípios daquela região.

Como alternativa, acabo por pagar quase 100 euros pelo passe. O valor é elevado, mas tendo em conta que gastava aproximadamente o mesmo por semana para atestar o meu carro, acabo por conseguir uma poupança considerável.

Outra mais-valia de ter optado por me deslocar de transportes públicos passa pela possibilidade de fazer aquilo que todos gostamos de fazer de manhã: dormir mais um pouco. Acreditem, dos cerca de 100 km de viagem raramente me lembro de mais de 15 km.

Autocarro da Carris em movimento
O maior desafio ao cumprimento dos horários por parte dos motoristas dos autocarros é mesmo o trânsito. © AutocarrosDeLisboa/Pixabay

Além de tudo isto, no «leque de mais-valias» não posso deixar de mencionar o menor desgaste do meu automóvel (dos 1000 km semanais passou a fazer apenas 150 km para me levar e trazer do terminal rodoviário) e, claro está, o facto de ter deixado de pagar estacionamento e de me preocupar com as multas da EMEL ou outras por excesso de velocidade.

Outra mais-valia de ter optado por me deslocar de transportes públicos passa pela possibilidade de fazer aquilo que todos gostamos de fazer de manhã: dormir mais um pouco.

… e os contras

Se é verdade que há muitos benefícios no uso dos transportes públicos, não posso dizer que estes não são acompanhados de alguns desafios.

O maior deles todos são os horários. Para conseguir usar os transportes e chegar a horas à redação da Razão Automóvel, não só me vi obrigado a alterar o meu horário de trabalho (passei a entrar e sair mais cedo) como passei a ter de me levantar de madrugada, bem antes do sol nascer.

Estação de metro de Lisboa
O maior «pesadelo» de quem tem um autocarro ou outro transporte público para apanhar: um tempo de espera pelo metro anormalmente longo em hora de ponta. © João Delfim Tomé / Razão Automóvel — editado por Sofia Teixeira

Depois, há a questão do trânsito. Se no nosso automóvel aplicações como o Waze ou até o Google Maps nos ajudam a fugir dos congestionamentos, no autocarro não podemos simplesmente pedir ao motorista que mude de percurso. E a frustração aumenta quando vemos os minutos passar e sentimos que vamos chegar atrasados.

Se a isto juntarmos faixas BUS ocupadas por veículos que lá não deviam estar e percursos que até os motoristas e utentes mais assíduos dizem ser desajustados, uma viagem que de carro demora, em média, 1h20 passa a prolongar-se por cerca de três horas.

No final de contas, não posso dizer que um dia-a-dia (quase) sem automóveis seja uma total utopia. Contudo, este obriga a uma grande adaptação das nossas rotinas diárias, uma certa dose de paciência e até de sorte, para não haver uma qualquer disrupção na rede de transportes que nos faça perder o autocarro que nos leva até casa.

Só não me peçam é para abdicar do carro nos fins-de-semana. É que se sozinho e durante a semana ainda consigo substitui-lo pelos transportes públicos, a menor cadência de transportes nos fins-de-semana e a necessidade de viajar com uma criança mostram-me que o automóvel continua a ter um papel importante, e algumas vezes insubstituível, na nossa mobilidade.

 

Sabe responder a esta?
Como se chama o novo gigante dos transportes públicos que opera na Área Metropolitana de Lisboa?
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Mas pode descobrir a resposta aqui::

Carris Metropolitana «arranca» hoje. Como vai funcionar?

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