O dia em que perdi o Mercedes-Benz 300d (W 123) do meu avô. Ainda não me perdoei

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Dia Mundial dos Avós

O dia em que perdi o Mercedes-Benz 300d (W 123) do meu avô. Ainda não me perdoei

Nem todas as histórias têm finais felizes. Mas com um pouco de sorte, pode ser que a minha história com o Mercedes-Benz 300d do meu avô ainda não tenha acabado.

Eu sei que no dia internacional dos avós é suposto recordar histórias com final feliz. Mas hoje não vai ser assim. Porque o Mercedes-Benz 300d (W 123) azul que veem nas imagens deste artigo nunca veio parar às minhas mãos.

Talvez nunca me venha a perdoar por isso. Tenho muitas histórias que juntam o meu avô a este carro e que me deixam cheio de vontade de poder voltar a passar por elas. Por isso hoje quero falar-vos do carro que eu sempre quis ter e que nunca consegui.

Gosto de carros desde que me lembro. Segundo os meus pais, talvez até antes disso — mas nós sabemos como os nossos pais gostam de exagerar. E este Mercedes-Benz 300d azul — um W 123 —, com interior em couro creme e que o meu avô mantinha sempre com os cromados a reluzir é o primeiro carro de que lembro.

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Mercedes-Benz 300d (W123) 1982
Acredito que à medida que os carros somam quilómetros e nós somamos histórias com eles, deixamos de estar na presença apenas de um automóvel e passamos estar na presença de algo mais. Estas são palavras que só farão sentido para quem gosta de automóveis.

Não era apenas um carro

Quando o via, ainda em criança, estava longe de me preocupar com motores, com transmissões ou com esquemas de suspensão. Olhava para ele como uma espécie de portal onde entrava e me levava a um sítio novo. Sempre acompanhado dos meus queridos avós.

À medida que fui crescendo, a paixão pelos automóveis e por aquele Mercedes em particular foi-se intensificando: o trabalhar do motor, bem menos ruidoso do que noutros carros; o conforto dos bancos; e até o auto rádio, que tinha uma elegância intemporal que eu não encontrava nos carros do final da década de 90 onde por vezes andava. Era especial, e já não era só por ser o carro do meu avô Flávio.

E se o meu amor por este carro foi crescendo ao longo dos anos, a minha vontade de um dia vir a conduzi-lo acompanhou. Mas mesmo imaginando muitas vezes esse cenário, a verdade é que nunca me dei ao trabalho de anunciar esta minha vontade ao meu avô. Talvez porque tenha sempre achado que isso iria acontecer. Mais cedo ou mais tarde. Dizê-lo ao meu avô provavelmente tinha mudado tudo.

O dia da triste notícia

Até que um dia fiquei a saber, pelo meu pai, que este carro que eu tanto queria tinha sido vendido. E tudo porque o meu avô já praticamente só conduzia a sua indestrutível Mitsubishi L200. Aqui entre nós, o «pecado» deste Mercedes-Benz 300d (W 123) foi não conseguir entrar nas vinhas que o meu avô fazia questão de visitar todos os dias.

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Podem dizer-me que “é só um W 123” e que se eu quiser, hoje em dia, posso comprar um por cerca de 6000 euros. Mas eu não quero outro. Queria este. E ainda não desisti de o encontrar e de cumprir finalmente este meu desejo. Seria até uma bonita homenagem ao meu avô.

E a verdade é que nos dias de hoje provavelmente conseguia encontrá-lo facilmente. Mas estou sempre a adiá-lo. E eu sei o motivo: tenho medo de me desiludir. Medo que o carro que continua vivo (e bem tratado) nas minhas memórias já não esteja como eu o conheci.

Mas qualquer dia encho-me de coragem e faço-me à estrada, que é como quem diz: vou procurá-lo. O meu avô merece isso. E eu também.

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