Testámos o Mazda3 com sistema "mild-hybrid". Que mais valias traz?

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Testámos o Mazda3 com sistema “mild-hybrid”. Que mais valias traz?

O Mazda3 viu o motor Skyactiv-G de 150 cv ser associado a um sistema mild-hybrid de 24 V, mas que mais valias trouxe este sistema?

Tal como aconteceu no CX-30, também o Mazda3 viu o seu motor 2.0 l naturalmente aspirado — aqui na sua variante de 150 cv — associar-se a um sistema mild-hybrid de 24 V, ao mesmo tempo que ganhou uma nova versão Homura.

Além de uma nova designação para o propulsor nipónico — passou a chamar-se e-Skyactiv-G — a eletrificação promete menos emissões, consumos e ainda um funcionamento mais rápido do sistema start & stop.

Mas será que estes supostos ganhos se confirmam na prática, ou serão tão ténues que passam despercebidos?

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Mazda3 2.0 e-Skyactiv-G © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

 

É mais económico?

Se o sistema mild-hybrid, sem a capacidade de um híbrido convencional, não garante uma redução muito substancial dos consumos, é inegável que a sua adição permitiu tornar o Mazda3 mais económico em determinadas circunstâncias.

Por exemplo, no meio urbano, onde o sistema mild-hybrid é chamado a intervir mais frequentemente, é onde encontramos as maiores diferenças, ajudando a reduzir o trabalho do motor nas acelerações e arranques.

Assim, nestas circunstâncias os consumos fixaram-se na casa dos 7,5 l/100 km, cerca de meio litro a menos do que no Mazda3 com o mesmo motor, mas sem o sistema mild-hybrid.

Já em autoestrada, é o sistema de desativação de cilindros que nos permite alcançar médias de 6,0 l/100 km, novamente à volta de meio litro abaixo do alcançado pela versão não eletrificada.

Contudo, há uma característica neste Mazda3 mild-hybrid que pode jogar contra este potencial de economia e que é herdada do anterior. O escalonamento da caixa manual de seis relações é demasiado longo e acaba por prejudicar os consumos quando decidimos explorar o bom comportamento dinâmico do Mazda3.

Sempre que o fiz as médias facilmente subiram para valores entre os 7,5 l/100 km e o 8,0 l/100 km, consideravelmente mais altos do que os que alcancei em propostas similares, mas com motores turbo, em circunstâncias idênticas.

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O mesmo Mazda3 de sempre

Independentemente da adoção do sistema mild-hybrid, o motor naturalmente aspirado do Mazda3 continua a garantir-lhe uma experiência de condução única em relação aos seus rivais e que, numa era de «turbodependência», pode não impressionar alguns condutores.

Mazda3 2.0 e-Skyactiv-G
O comportamento dinâmico continua a ser dos melhores no segmento © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Afinal de contas, com este 2.0 l naturalmente aspirado, onde o binário máximo surge apenas às 4000 rpm, quando associado ao escalonamento longo da caixa, obriga a recorrer frequentemente a esta.

Seja para enfrentar subidas mais acentuadas ou fazer uma ultrapassagem, algo que se torna recorrente em autoestrada quando circulamos com o cruise control ativo, o pé esquerdo e a mão direita não vão ter muito descanso se quisermos «espremer» os 150 cv.

Dito isto, esta caixa manual da Mazda continua a uma das referências no segmento no que respeita ao tato e ao curso.

Por fim, há ainda uma questão fiscal. Ao contar com 2.0 l de capacidade o propulsor do Mazda3 acaba por ser penalizado no nosso IUC, algo que não acontece com a maioria dos seus rivais.

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Estes conseguem extrair igual potência de propulsores com cilindradas mais «amigas» da fiscalidade nacional, graças ao facto de terem o auxílio de um turbocompressor.

É o carro certo para si?

Os anos passam, mas o Mazda3 continua a ser uma das propostas mais interessantes para quem gosta de conduzir.

O seu comportamento dinâmico coloca-o entre os melhores do segmento neste capítulo e chega até a fazer dele uma proposta divertida de conduzir.

Com a adoção do sistema mild-hybrid tornou-se um pouco mais económico, principalmente em meio urbano. Já os lugares traseiros algo «sombrios» — cortesia da linha de cintura elevada e janelas pequenas, de baixa altura — e a bagageira mediana fazem com que o Mazda3 não seja a proposta mais adequada às famílias no segmento.

Por fim, a elevada robustez e a agradabilidade geral dos materiais fazem deste Mazda3 uma interessante alternativa aos premium germânicos.

Preço

unidade ensaiada

33.593

Versão base: €32.993

IUC: €205

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1998 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Injeção direta
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 válv./cil. (16 válv.)
    • Potência: 150 cv às 6000 rpm
    • Binário: 213 Nm às 4000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4460 mm / 1795 mm / 1435 mm
    • Distância entre os eixos: 2725 mm
    • Bagageira: 351-1026 l
    • Jantes / Pneus: 215/45 R18
    • Peso: 1305 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,6 l/100 km
    • Emissões de CO2: 128 g/km
    • Vel. máxima: 206 km/h
    • Aceleração: 9,1s
  • Equipamento
    • Fecho de portas automático
    • Volante revestido a pele
    • Ar condicionado automático
    • Sensores de estacionamento traseiros
    • Sensor de chuva e luminosidade
    • Lane Departure Warning + Lane Keep Assist
    • Máximos automáticos
    • Reconhecimento de sinais de trânsito
    • Travagem automática com deteção de peões
    • Monitorização de ângulo morto
    • Assistência à travagem de emergência
    • Hill Launch Assist
    • Faróis Led
    • Travão de mão elétrico
    • Android Auto / Apple Carplay
    • Head-up Display
    • Cruise Control
    • Retrovisores elétricos
    • Câmara traseira
    • Retrovisores exteriores em preto
    • Jantes de liga leve de 18''
Extras
Pintura "Polymetal Gray" — 600 €.
Avaliação
8 / 10
A chegada do sistema mild-hybrid ao Mazda3 trouxe consumos um pouco mais baixos, mas não «faz milagres». Afinal de contas, o seu motor naturalmente aspirado obriga a usar amiúde a caixa de velocidades, muito por culpa do seu escalonamento longo, o que não facilita a tarefa de reduzir (ainda mais) os consumos. Em tudo o resto o Mazda3 continua a ser uma das propostas mais interessantes do segmento, seja pela elevada qualidade geral, seja pelo estilo distinto. Como carro da família há propostas no segmento mais aptas para essa tarefa e a experiência de condução é única, quando comparada com as outras propostas do segmento "turbo-dependentes".
  • Qualidade geral
  • Relação preço/equipamento
  • Comportamento dinâmico
  • Consome menos do que antes
  • Escalonamento longo da caixa
  • Habitabilidade
  • Visibilidade, sobretudo traseira
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