Desde 61 200 euros

Injustamente “esquecida”. Testámos a Renault Espace

Fundadora de um segmento que parece estar em vias de extinção, que argumentos tem ainda a Renault Espace? Para descobrir pusemo-la à prova na versão Initiale Paris, a topo de gama.

Com apenas 19 unidades vendidas em 2020 e 36 em 2019 em Portugal (dados da ACAP), é seguro dizer que os “dias de glória” da Renault Espace parecem estar num passado distante.

Responsável pela fundação do segmento dos monovolumes (MPV) na Europa em 1984, desde então a Espace conheceu cinco gerações e vendeu 1,3 milhões de unidades.

Nesta última geração, o monovolume gaulês tentou até reinventar-se com uma aproximação visual aos seus maiores rivais — os SUV/Crossover —, mas nem por isso tem tido mais sorte. Voltamos a encontrar-nos com ela, após a renovação recebida em 2020.

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Renault Espace
Lançada há seis anos, a Espace continua atual. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Disfarçar as origens

A tentativa de se aproximar ao universo SUV/crossover nesta quinta geração, afastou (um pouco) visualmente a Renault Espace do formato típico dos MPV.

O resultado final foi um modelo mais baixo e com linhas mais dinâmicas que a sua antecessora e que, verdade seja dita, apesar de ter sido lançado em 2015, continua ainda atual e consegue captar atenções por onde passa.

Se, pessoalmente, gosto do caminho tomado pela Renault nesta geração da Espace, por outro lado gostaria de ver uma maior diferenciação face à mais pequena Grand Scénic, especialmente na secção traseira.

Renault Espace
Na traseira as semelhanças com a Grand Scénic podiam ser menores. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Fazer jus ao nome

Como seria de esperar, a Renault Espace faz justiça ao nome que carrega e se há algo do qual temos percepção quando entramos a bordo é espaço.

Seja nos lugares da frente, na fila central (cujos bancos são ajustáveis longitudinalmente e permitem ganhar muito espaço para as pernas) ou até na terceira fila, há espaço de sobra, sendo possível transportar cinco adultos com conforto.

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Por falar em conforto, muito contribuem os bancos cómodos e agradáveis à vista (os da frente até têm função de massagem). Como é óbvio os espaços de arrumação proliferam e a bagageira vai dos 247 litros com sete lugares aos 719 litros apenas com cinco. Já se rebatermos todos os bancos quase que nem é preciso alugar uma carrinha se tivermos em mudanças.

Depois de alguns dias de convivência com a Espace acabei por me relembrar das razões por trás do sucesso dos monovolumes há uns anos atrás. Sejamos honestos, mesmo havendo SUV com sete lugares são muito poucos os que oferecem o espaço, a versatilidade e a facilidade de acesso a todos os lugares da Espace — e aqueles que o oferecem são, por norma, propostas de dimensões mais avantajadas do que o MPV francês.

Quanto aos argumentos da Espace como topo de gama, o modelo gaulês não desilude, contando com uma considerável oferta de equipamento. Não podemos afirmar com igual convicção o mesmo em relação à montagem no seu interior que, apesar de positiva, podia ser melhor, até para melhor nivelar com os materiais usados que são agradáveis ao toque e à vista.

Renault Espace
Só com cinco lugares a bagageira impressiona. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Diesel, para que te quero

Atualmente a Espace conta apenas com uma motorização, o Blue dCi de 190 cv associado à caixa automática EDC e a verdade é que este assenta como uma luva ao topo de gama gaulês.

Pujante e linear, tem força mais que suficiente para permitir imprimir ritmos elevados à Espace, conjugando-se bem com a “costela” estradista deste modelo.

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Ao mesmo tempo, apesar das boas prestações que proporciona, este motor revelou-se modesto nos consumos, permitindo médias entre os 6 a 7 l/100 km, mesmo com a Espace (muito) carregada, comprovando que há casos nos quais o Diesel ainda faz sentido.

Quanto à caixa automática de seis relações, esta pauta-se pelo bom escalonamento e suavidade de funcionamento (mais do que pela rapidez, área onde apesar de não desiludir também não se destaca).

Renault Espace © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Quanto ao comportamento, lembras-te de toda aquela conversa acerca do conforto? Pois bem, apesar de a Espace ser confortável tal não significa que o faça à custa da eficácia do seu comportamento dinâmico.

Como é óbvio não pretende ser um modelo desportivo, no entanto, tendo em conta as suas dimensões e aptidões familiares chega a impressionar pela sua agilidade, tudo graças ao sistema de quatro rodas direcionais “4Control” que a faz parecer mais pequena do que realmente é.

Nas restantes situações o que temos é um bom compromisso entre conforto e comportamento, uma direção precisa e direta, muita estabilidade e previsibilidade nas reações, ou seja, tudo o que esperamos de um carro que vai transportar a nossa família.

Renault Espace
O sistema “4Control” ajuda (e muito) nas manobras. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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É o carro certo para mim?

É verdade que não tem o sex appeal dos SUV (nem está na moda como eles), mas é inegável que na hora de transportar muitas pessoas e respetiva bagagem dificilmente algum SUV consegue fazer melhor que a Espace.

Ao fim de 37 anos, o conceito MPV estreado com a primeira Espace continua tão válido como no início, uma das melhores opções para quem procura um carro familiar com muito espaço — capaz de transportar sete pessoas sem problemas — e conforto. E no caso desta Espace, com o benefício de conjugar boas prestações com consumos comedidos.

 

Preço

unidade ensaiada

63.975

Versão base: €61.200

IUC: €259

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1997 cm3
    • Posição: Dianteira transversal
    • Carregamento: 2 a.c.c.; 4 válv. por cilindro (16 válv.)
    • Distribuição: Injeção direta common rail + turbo de geometria variável + intercooler
    • Potência: 190 cv às 3500 rpm
    • Binário: 400 Nm às 1750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática de seis velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4857 mm / 1888 mm / 1677 mm
    • Distância entre os eixos: 2884 mm
    • Bagageira: 247-680-785-2101 litros
    • Jantes / Pneus: 255/45 R20
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,7 l/100 km
    • Emissões de CO2: 176 g/km
    • Vel. máxima: 207 km/h
    • Aceleração: 10,6s
  • Equipamento
    • Alerta de deteção de fadiga
    • Alerta de distância de segurança
    • Alerta de ângulo morto
    • Alerta de excesso de velocidade c/reconhecimento dos sinais de trânsito
    • Apoios de cabeça dianteiros "Grande Conforto" Premium
    • Sistema de assistência na transposição involuntária de via
    • Sistema de travagem de emergência ativa com deteção de peões
    • Amortecedores pilotados
    • Câmara de marcha-atrás
    • Faróis Matrix LED Vision
    • Head-Up Display
    • MULTI-SENSE (5 modos de condução à escolha)
    • Regulador de velocidade adaptativo
    • Sensores de chuva e de luminosidade
    • Retrovisor interior eletrocromático sem moldura
    • Sistema de ajuda ao estacionamento Advanced Park Assist
    • Sistema 4CONTROL (4 Rodas Direcionais)
    • Sistema de assistência na condução em autoestrada e trânsito
    • Sistema de assistência à travagem de urgência
    • Ar condicionado automático "bi-zone" (regulação independente condutor/passageiro)
    • Bancos dianteiros ventilados e aquecidos
    • Cortinas para-sol nas portas traseiras
    • Para-brisas dianteiro refletidor atérmico
    • Retrovisores exteriores rebatíveis eletricamente c/função desembaciamento e memória de posição
    • Estofos em couro Premium escuro
    • Sistema "One-Touch"
    • Sistema de som premium BOSE
    • Jantes em liga leve de 19"
    • Teto panorâmico fixo
    • Vidros laterais traseiros escurecidos
Extras
Teto de abrir dianteiro elétrico — 1700€; Pack traseiro elétrico com função mãos livres — 700€; Jantes de 20'' — 375€.
Avaliação
7 / 10
Ao fim de alguns dias ao volante da Renault Espace não posso deixar de lamentar o "esquecimento" a que os monovolumes têm sido votados por parte dos consumidores. Apesar de já não estarem na moda, este tipo de modelos preservam um conjunto de argumentos racionais (o espaço, o conforto e até a facilidade de acesso ao seu interior) que continuam a fazer deles propostas ideais para as famílias. Quanto à Espace, esta continua a ser uma referência no segmento, desempenhando ao mesmo tempo de forma meritória o papel de "navio almirante" da Renault, sendo que para tal muito contribui uma boa oferta de equipamento e um motor Diesel que nos relembra que talvez estejamos a ser algo "apressados" a condenar este tipo de motorização.
  • Conforto
  • Relação prestações/consumos
  • Espaço
  • Sistema "4Control"
  • Versatilidade e modularidade interior
  • Alguns detalhes de montagem
Sabe responder a esta?
Em que ano é que a Renault obteve a sua primeira vitória na Fórmula 1?

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