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Testámos o Volkswagen Tiguan mais barato que podes comprar

Recentemente renovado e acabado de chegar a Portugal, já testámos a versão mais acessível do Volkswagen Tiguan. É suficiente para todas as necessidades?

Ao contrário do que é habitual em carros de parque de imprensa, o Volkswagen Tiguan testado não é uma versão de topo e não vem com os “molhos todos”: o Tiguan 1.5 TSI (131 cv) Life é, efetivamente, a versão mais acessível do SUV à venda no mercado nacional.

A Volkswagen pede pouco mais de 34 mil euros pelo seu (muito) espaçoso e familiar SUV, mas o “nosso” Tiguan é um pouco mais caro, roçando os 35 mil euros. A culpa é dos opcionais que traz, mas não são muitos, apenas dois: para além da cor branca, adiciona apenas o Digital Cockpit (painel de instrumentos digital).

O preço de tabela é superior ao dos seus principais rivais, mas quando os nivelamos pelo equipamento, o Tiguan Life ganha pontos em competitividade — pode ser o mais acessível, mas não se reflete numa oferta de equipamento austera.

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Volkswagen Tiguan 1.5 TSI 130 Life © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Bem pelo contrário, o Tiguan Life vem muito bem equipado, surpreendendo positivamente, trazendo até “mimos” pouco habituais, e para mais, num entrada de gama: desde o ar condicionado tri-zona ao porta luvas refrigerado, a uma parafernália de assistentes à condução que inclui o cruise control adaptativo e até estaciona sozinho.

O reforço do equipamento de série em todos os Tiguan foi uma das novidades do seu recente “lavar de cara”. Não só ganhou equipamento, como foi visualmente renovado, ganhando uma frente e traseira redesenhada — para-choques, faróis LED (série), grelha, óticas traseiras LED —, com o destaque a ter ido todo para os inéditos Tiguan eHybrid — que já conduzimos — e Tiguan R, o mais desportivo.

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E o motor “de entrada” convence como o nível de equipamento?

Resposta rápida: não, nem por isso. O Volkswagen Tiguan não é o mais compacto nem o mais leve do segmento. Ao ter mais de 1500 kg — e só com o/a condutor/a a bordo —, o 1.5 TSI de 131 cv e 220 Nm acaba por ser um pouco justo. Algo que rapidamente constatamos em diversas situações, como na necessidade de reduzir uma relação para manter uma velocidade em algumas inclinações, ou quando precisamos de efetuar uma ultrapassagem.

As prestações não são mais que modestas, mas nada contra o 1.5 TSI em si. Tal como noutros modelos e versões (além deste de 130 cv há outro com 150 cv) em que já o explorámos, também neste caso trata-se de uma unidade muito competente e eficaz. O “ponto de rebuçado” situa-se entre as 2000 rpm e as 4000 rpm, faixa onde se revela mais responsivo (ausência de turbo-lag, ou muito perto disso) e vivaz. Puxem por ele e também não se faz rogado em ir para lá das 5000 rpm, onde atinge a sua potência máxima.

Motor 1.5 TSI 130 cv © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O motor é muito bem acompanhado pela caixa manual de seis velocidades, que está corretamente escalonada e a sua ação, mesmo não sendo referencial em curso, rapidez e tacto, é bastante positiva.

Por outro lado, o 1.5 TSI de 131 cv mostrou ser poupado no apetite em estrada aberta e a velocidades abaixo dos 100 km/h: consumos na casa dos cinco litros são possíveis (consegue desativar dois dos cilindros em certas condições poupando mais umas décimas). Quando exigimos mais do motor, como quando queremos vencer a inércia do Tiguan em cidade, eles sobem facilmente para os oito litros (e uns trocos). Num uso misto (cidade, estrada e autoestrada) a média final acabou por se situar entre 7,0-7,5 l/100 km.

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Volkswagen Tiguan com costela francesa…

Mais “curto” o motor parece quando constatamos que o SUV alemão é um estradista nato, capaz de efetuar longas tiradas de uma só vez com todo o conforto e refinamento que se pode desejar. Porém, os primeiros quilómetros que fiz ao volante do Tiguan revelaram-se intrigantes e reveladores, destacando-se a sua suavidade, tanto no tacto como no pisar: mais parecia uma proposta francesa do que alemã.

Uma característica bem diferente da percepção que temos por norma dos carros alemães, em que parecem mais ter sido “esculpidos” de um sólido bloco de material, traduzindo-se em comandos mais pesados e um pisar mais seco, sobretudo quando os comparamos com os seus rivais.

Não este Tiguan. Mesmo quando confrontado com o mais compacto e ligeiro Golf — que também testei — descobrimos que o SUV não só é aquele que tem comandos (bem) mais leves, como o amortecimento leva-nos a acreditar estarmos praticamente a flutuar sobre muitas das irregularidades da estrada. Uma qualidade que, acredito, se deva e muito aos pneus que trazia, ou melhor, às medidas dos pneus.

O Tiguan Life traz jantes de 17″ de série, envolvidas por (modestos) pneus 215/65 R17, em contraste com as bem maiores e (há que admitir) mais apelativas de 19″ (pneus 255/45) do Tiguan R Line, por exemplo. É o generoso perfil 65 que garante a “almofada de ar” necessária para o pisar suave deste SUV.

Volkswagen Tiguan 1.5 TSI 130 Life © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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…mas é solidamente alemão

No entanto, ao contrário de algumas confortáveis propostas francesas, este também confortável alemão superioriza-se em certos aspetos dinâmicos. O conforto e suavidade não se traduz em menor precisão, controlo ou eficácia dinâmica quando elevamos o ritmo em estradas mais enroladas. É quando “abusamos” mais dele que percebemos que por detrás de toda a suavidade (aparentemente) francesa não deixa de estar a solidez germânica esperada.

Nesses momentos, descobrimos que nunca deixa de ser preciso, progressivo e previsível, respondendo com elevada prontidão aos nossos comandos (sobre a direção), e os movimentos da carroçaria são sempre contidos. Só se lamenta a quase ausência de suporte dos bancos, seja em apoio lateral ou para as pernas — por outro lado, são bastante confortáveis. Mais eficaz que divertido, mas o Volkswagen Tiguan é um SUV para a família e nada mais.

Volkswagen Tiguan 1.5 TSI 130 Life © Thom V. Esveld / Razão Automóvel
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Para a família

De resto continua a ser o mesmo Volkswagen Tiguan que já conhecíamos desde 2016, mantendo os muito bons atributos para um uso familiar. Refiro-me, claro, ao amplo espaço a bordo. Acedemos facilmente à segunda fila, onde viajamos desafogadamente — com muito espaço para pernas e cabeça —, exceto se formos o passageiro ao meio que terá de lidar com um banco mais firme e um túnel de transmissão saliente.

Banco traseiro deslizante © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Os bancos atrás, para mais, deslizam longitudinalmente e até podemos regular a inclinação das costas. A bagageira também está entre as maiores do segmento, rivalizando com a de algumas carrinhas e podemos rebater os bancos traseiros a partir da bagageira — uma conveniência bastante útil.

Continua a ser senhor de um dos interiores mais sólidos do segmento, apesar de se lamentar algumas “inovações”, como os novos comandos do ar condicionado. Sim, continuam a estar fora do infoentretenimento, mas são agora compostos por umas superfícies táteis que perdem em facilidade de utilização — obrigam a uma maior precisão e atenção da nossa parte — quando comparado com os mais convencionais comandos rotativos.

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É o carro Tiguan certo para mim?

O Volkswagen Tiguan mais barato que podes comprar acabou por ser uma agradável surpresa, tanto pela oferta de equipamento de série, como pelo conforto, suavidade e refinamento. Porém, é o seu motor que evita uma recomendação plena. Não pela falta de qualidades do 1.5 TSI, que são muitas, mas pelos números modestos desta versão. Se usarmos o Tiguan como pretendido, ou seja, como um familiar, transportando frequentemente pessoas e carga, os 131 cv acabam por ser justos para tal.

A solução é, sem sair das motorizações a gasolina, dar o salto para a sua versão de 150 cv e 250 Nm. Porém, em Portugal só é possível adquiri-lo com a caixa de dupla embraiagem DSG — que muitos até preferem neste tipo de veículo. Porém, é também mais caro, com o 1.5 TSI de 150 cv a começar aproximadamente nos 37 500 euros.

A outra opção é a versão correspondente Diesel, o 2.0 TDI de 122 cv, que apesar de ser ainda menos potente oferece mais 100 Nm de binário, que fazem diferença, sobretudo em carga. O problema é… o preço, com o 2.0 TDI a começar muito perto dos 40 mil euros. Só mesmo para “papa-quilómetros”.

Preço

unidade ensaiada

34.912

Versão base: €34.220

IUC: €172

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1498 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Injeção direta; Turbo; Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c.; 4 válv. por cilindro (16 válv.)
    • Potência: 131 cv entre 5000-6000 rpm
    • Binário: 220 Nm entre 1750-3500 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa Manual 6 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4509 mm / 1839 mm / 1675 mm
    • Distância entre os eixos: 2678 mm
    • Bagageira: 520-615-1510 l
    • Jantes / Pneus: 215/65 R17
    • Peso: 1512 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 6,31 l/100 km
    • Emissões de CO2: 143 g/km
    • Vel. máxima: 195 km/h
    • Aceleração: N.D.
  • Equipamento
    • Sistema de navegação "Discover Media" inclui Streaming & Internet
    • Jantes de Liga Leve Tulsa de 17''
    • Pacote Driver Assistance Plus
    • Pacote Life Plus
    • NCAP Package, com Cruise Control Adaptative ACC
    • We Connect Plus (1 Ano)
    • App-Connect Wireless
    • Volante multifunções em couro
    • Air Care Climatronic
    • Apoio de braço dianteiro
    • Inserções "Prata Dark" escovado no painel de instrumentos e guarnição das portas
    • Reconhecimento de sinais de trânsito
    • Retrovisores exteriores elétricos, aquecidos e rebatíveis eletricamente
    • Sensor de chuva
    • Sistema "Front Assist" com sistema de travagem de emergência em cidade (City Emergency Brake)
    • Sistema "Lane Assist" com "Traffic Jam Assist"
    • Sistema "Park Assistt"
    • Sistema "Side Assist"
    • Sistema de deteção de fadiga
    • Sistema de monitorização dos peões
    • Sistema de proteção proativa dos passageiros em combinação com Front Assist e Side Assist
    • Vidros traseiros escurecidos
Extras
Digital Cockpit Pro: 482,00 €; Branco Pure: 210 €;
Avaliação
7 / 10
Pode ser o mais barato dos Volkswagen Tiguan, mas qualidades não lhe faltam. Não só mantém aquelas que já conhecíamos, como o espaço amplo para pessoas e bagagens ou a robustez acima da média, como ganha outras novas, onde se inclui reforçada lista de equipamento de série, consequência da renovação operada. Um reforço que até melhora a sua competitividade, pois ajuda a justificar o mais elevado preço do Tiguan em relação aos seus rivais. Familiar por excelência e estradista nato, só fica a faltar um motor melhor adequado a essas funções. Caso o tivesse, a nota seria um ponto mais elevada.
  • Equipamento de série
  • Espaço para ocupantes e bagageira
  • Conforto de rolamento e acústico
  • Montagem robusta e rigorosa
  • Banco do condutor confortável, mas sem apoio
  • Comandos do sistema de climatização
  • Prestações modestas — falta motor mais adequado para funções familiares e de estradista
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