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Efeito Covid-19. Em abril “venderam-se” ZERO automóveis na Índia

Vimos o mercado europeu cair mais de 50% em março devido à pandemia, mas na Índia, o mês de abril foi inédito: venderam-se zero automóveis!

É muito provável que o mercado europeu sofra uma queda maior à que vimos em março durante o mês de abril — teremos acesso a esses números a meio deste mês —, mas certamente não chegará ao ponto das notícias que nos chegam da Índia: zero automóveis vendidos em abril.

Um facto sem precedentes, uma consequência direta das apertadas restrições impostas pelo governo indiano com a declaração do estado de emergência devido à pandemia do Covid-19. A Índia declarou o estado de emergência a 25 de março e deverá permanecer em vigor até ao próximo dia 17 de maio, o que está a colocar sobre enorme pressão a indústria e comércio automóvel locais.

Como referência, o ano passado em abril venderam-se na Índia 247 541 automóveis ligeiros de passageiros e 68 680 veículos comerciais — entre os veículos de duas e três rodas venderam-se 1 684 650 unidades(!).

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Mahindra XUV300
Mahindra XUV300

A única atividade comercial registada prendeu-se com a venda de veículos agrícolas (tratores), que estavam isentos das restrições, e também a exportação de aproximadamente 1500 veículos — entre a Maruti Suzuki e a Mahindra & Mahindra — que aconteceram após o reinício de atividade dos portos indianos.

De acordo com a Sociedade Indiana de Fabricantes Automóveis (SIAM), que inclui os construtores Mahindra & Mahindra, Maruti Suzuki, Hyundai, MG Motor e Toyota Kirloskar, a indústria automóvel indiana está a perder aproximadamente 280 milhões de euros por dia com a paragem forçada.

Não são apenas os construtores automóveis e comerciantes a registar enormes perdas. Também o governo indiano está a perder uma enorme fonte de receitas — a indústria automóvel indiana é responsável por 15% das receitas fiscais.

Reinício também levanta preocupações

Se na Europa começamos a ver os primeiros sinais positivos de retoma — produção automóvel já foi reiniciada, ainda que lentamente, na maioria das fábricas europeias —, os construtores automóveis indianos estão também preocupados com o reinício da sua indústria, que deverá prolongar-se no tempo.

Isto porque a divisão do país em regiões, com umas a serem mais afetadas que outras pelo Covid-19, significará um levantamento das restrições em simultâneo no país. Ou seja, mesmo que uma fábrica automóvel esteja numa região onde as restrições sejam levantadas, caso alguns dos componentes provenham de uma região que ainda tem restrições, a produção de um determinado modelo poderá ficar à mesma suspensa.

Os representantes da indústria automóvel apelam agora ao secretário geral do Ministério do Interior à abertura da indústria, e procuram soluções alternativas para o fornecimento de componentes para que, após o levantamento do estado de emergência, as operações possam retomar com o maior grau de normalidade possível. Zero automóveis vendidos é um cenário que não se pode voltar a repetir.

Fonte: Business Today.


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