Glórias do Passado

Lembras-te deste? Opel Tigra, o “coupé do povo”

Assente na base do humilde Corsa, o Opel Tigra foi um dos carros mais desejados pelos jovens dos anos 90. E até foi responsável por o mercado redescobrir os pequenos coupés.

Depois de te termos falado acerca do Opel Calibra, hoje voltamos a entrar na “máquina do tempo” e relembramos mais um coupé da marca alemã que surgiu alguns anos depois, o seu irmão mais novo (e mais bem sucedido), o Opel Tigra.

Revelado como protótipo (não mais do que o modelo de produção “disfarçado”) no Salão de Frankfurt de 1993 — onde se fez acompanhar de uma elegante verão roadster —, a aprovação pelo público não podia ter sido a melhor. Apesar de ter sido uma aposta arriscada num nicho de pouco volume, parecia que a Opel tinha um vencedor entre mãos.

Um ano depois, em 1994, o Opel Tigra chegava ao mercado e rapidamente criou uma legião de fãs — e até listas de espera… Apesar de não ter sido o primeiro coupé compacto a chegar ao mercado, foi ele o responsável por “ressuscitar” o nicho dos pequenos coupés, originando até novos rivais, como o Ford Puma que acabaria por ser outro dos seus protagonistas.

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Opel Tigra

Quem vê caras…

Tal como muitos outros coupés da história da Opel, também o Opel Tigra partia de uma base humilde. Assim sendo, enquanto o Manta era baseado no Ascona, o GT retirava componentes do Kadett, e o Calibra derivava do Vectra, por baixo da sua elegante e dinâmica carroçaria, o Opel Tigra era, nada mais nada menos, que um Corsa B.

No exterior essa familiaridade era praticamente impossível de detetar, pois o Tigra e o Corsa B não partilhavam um único painel da carroçaria. No entanto, a fita métrica não engana: a distância entre eixos (2,44 m) e a largura (1,60 m) eram idênticas. Mas o Tigra era mais comprido (3,91 m contra 3,73 m) e bem mais baixo (1,34 m contra 1,42 m).

Os únicos componentes exteriores idênticos eram os piscas laterais e… os puxadores das portas (que naquela altura eram transversais a quase toda a gama Opel).

Já no interior, por outro lado, eram virtualmente idênticos. O tablier era o mesmo usado pelo Corsa e apenas o quadrante mais desportivo (se bem que com a mesma organização espacial), os forros diferentes e a disposição 2+2 constituíam diferenças face ao utilitário alemão.

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Opel Tigra
Onde é que já vimos este interior? Ahh, pois é, no Opel Corsa B.

Por fim, as ligações ao solo eram asseguradas por uma suspensão em tudo idêntica à do seu irmão. No entanto, mais tarde, a partir de 1997, tanto o Tigra como o Corsa B ganhariam um cunho dinâmico superior, cortesia da intervenção da Lotus — só é pena que não tenha feito o mesmo que fez com o Lotus Omega.

Mecânica? Herdada é claro!

Tal como a plataforma, também a mecânica utilizada pelo Opel Tigra provinha do Corsa B. Assim sendo, o Tigra contava com duas motorizações, um 1.4 l e um 1.6 l (este apenas vendido até 1998), ambos a gasolina. De fora da oferta ficaram os 1.2 l que equipavam as versões base do Corsa e, claro está, os famosos motores Diesel da Isuzu que equipavam o utilitário alemão.

Começando pelo 1.4 l, este debitava 90 cv e 125 Nm. Já no topo da oferta surgia o 1.6 l usado pelo Corsa GSi contemporâneo com 106 cv e 148 Nm.

Em ambos os casos a transmissão estava a cargo de ou uma caixa automática de quatro velocidades ou uma manual de cinco. Quando equipado com o 1.4 l, o Tigra cumpria os 0 aos 100 km/h em 11,5s e atingia os 190 km/h. Já com o 1.6 l os 100 km/h chegavam em 9,4s e a velocidade máxima subia para os 203 km/h.

Opel Tigra
Ainda hoje esta silhueta me faz sonhar. Quando tirei a carta bem que tentei comprar um Tigra, mas o orçamento não ajudou.
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Os outros Tigra

Como seria de esperar, o apelo do Opel Tigra era enorme. Não admira que tivesse sido usado como base para outros projetos. Um deles foi o Tigra V6, um protótipo com tração traseira e um V6 com 3.0 l e 208 cv em posição central.

Outro dos projetos desenvolvidos com base no Opel Tigra foi uma variante pick-up criada pela Irmscher com base no trabalho de um jovem designer… português (aqui escrevo de memória e lanço-te um apelose souberes o seu nome não hesites em contactar-nos pois gostaríamos de contar em mais detalhe a sua história).

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Opel Tigra
Pois é, debaixo das elegantes vestes do Opel Tigra estava um modesto Opel Corsa B.
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O fim e o regresso do Tigra

Lançada em 1994, a primeira geração do Opel Tigra foi produzida até 2001, ano no qual foi reformada sem deixar sucessor. No total venderam-se 256 392 unidades da primeira geração do pequeno coupé alemão, um número substancial para um veículo considerado de nicho.

No entanto, a história do Opel Tigra não terminaria com a primeira geração. Em 2004, o nome Tigra regressava, recuperando a mesma fórmula de recorrer à base do Corsa para fazer um modelo diferente, com mais estilo — a fórmula foi recuperada, mas o sucesso não…

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Assumindo o então formato da moda, o de um descapotável com capota metálica, o Tigra Twintop não conseguiu convencer, vendendo apenas 90 874 unidades entre 2004 e 2009.

Com um visual bem conseguido, mas longe da elegância, dinamismo e também irreverência do primeiro Tigra, o Twintop até chegou a render-se aos “encantos” dos motores Diesel (1.3 CDTI e apenas 70 cv) — numa fase em que as vendas deste tipo de motor cresciam expressivamente na Europa —, mas nem isso pareceu ajudar nas vendas. A verdade é que, ao contrário do primeiro Tigra, o Twintop quase que passou despercebido…

Poderá o Tigra regressar?

Tendo em conta que o principal rival do Opel Tigra, o Ford Puma, se tornou num SUV/crossover compacto, será que queremos que o Tigra regresse? Dificilmente há espaço no mercado atual para pequenos coupés; só parece haver espaço para crossovers e SUV.

Passamos a ti a palavra: deveria a Opel recuperar o nome Tigra colocando-o num crossover/SUV compacto?


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