Entrevista

Coronavírus, emissões, eletrificação. Entrevistámos Oliver Zipse, CEO da BMW

Entrevistámos o CEO da BMW, Oliver Zipse, e abordou-se vários assuntos desde o impacto do Coronavírus, ao cumprimento das metas de emissões de CO2, à eletrificação rampante.

Na sua nova posição como CEO da BMW (não só da marca como do grupo) há menos de um ano, Oliver Zipse vê a empresa a ir na direção certa com o crescente portfólio flexível de modelos eletrificados que acrescentam valor à imagem global de prazer de condução da marca alemã, sem ir em contra à sua essência.

Apesar do contexto atual delicado (a epidemia de Coronavírus), o Grupo BMW está confiante de que poderá superar o recorde de vendas de 2,52 milhões de unidades vendidas em 2019 (1,2% acima do ano anterior).

Nesta primeira parte (de duas) da entrevista ao CEO da BMW, ficamos a saber qual é o impacto que a epidemia do Coronavírus está a ter no grupo alemão, assim como a BMW está pronta para cumprir as metas de CO2 impostas para 2020.

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Sobre Oliver Zipse

Veterano da BMW com ciência da computação, mecânica e gestão como formação, Oliver Zipse assumiu a presidência do conselho de administração da BMW a 16 de agosto de 2019. Faz parte da administração da empresa desde 2015 e anteriormente era responsável pelo departamento de produção da empresa.

CEO BMW, Oliver Zipse
Oliver Zipse, CEO da BMW

Após concluídos os estudos em Ciência da Computação e Matemática (Universidade de Utah, Salt Lake City / EUA) e em Engenharia Mecânica (Universidade Técnica de Darmstadt) iniciou a carreira profissional na BMW em 1991 como estagiário e, desde então, ocupou vários cargos de liderança, como diretor-geral da fábrica de Oxford e vice-presidente sénior de planeamento corporativo e estratégia de produtos. Como chefe de produção, ajudou a empresa a expandir-se na Hungria, China e Estados Unidos, reforçando as saudáveis ​​margens de lucro da BMW.

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Coronavírus

Como está a BMW a lidar e a adaptar-se à atual crise de saúde global?

Oliver Zipse (OZ): Continuamos a monitorizar a situação de muito perto, mas atualmente não há grande impacto na nossa atividade. A meta global de vendas para todo o ano não mudou para já, o que significa que ainda estamos à espera de alcançar um ligeiro crescimento. Obviamente que tivemos um impacto negativo nas nossas vendas na China em fevereiro, mas é impossível prever qual será o efeito geral sobre a economia.

Estamos a tentar evitar qualquer tipo de pânico e, após o incidente no nosso centro de Investigação e Desenvolvimento (ndr: onde um dos funcionários da BMW foi diagnosticado com coronavírus), simplesmente seguimos os procedimentos e colocámos essa pessoa e 150 funcionários que estiveram em contato com ela em quarentena por duas semanas. Além do facto de reduzirmos as viagens, todo o resto permanece inalterado, também na distribuição.

BMW ix3 Concept 2018
BMW ix3 Concept

Dado que a economia e a indústria chinesas estagnaram, teme que a produção e as exportações do SUV iX3 para a Europa possam sofrer atrasos?

OZ: No momento, não prevejo qualquer atraso na produção do nosso primeiro SUV elétrico, mas, como eu disse antes, tudo dependerá da evolução da situação nas próximas semanas.

Alguns dos seus concorrentes já estão a ser afetados pelos problemas que os fornecedores do mundo oriental estão a enfrentar nesta crise. A BMW está a preparar-se para os problemas da cadeia de fornecedores de peças de veículos elétricos provenientes principalmente da Ásia, que podem comprometer as suas vendas de veículos eletrificados e, nesse caso, também podem o cumprimento das metas de emissões de CO2?

OZ: Na verdade não. Temos uma vantagem em relação a outros fabricantes, já que esta é a quinta geração da cadeia de fornecedores dos nossos veículos elétricos, incluindo as células de bateria, e os contratos atuais que estarão em vigor nos próximos anos foram assinados há quatro anos. Isso significa que a experiência e a competência de nossos fornecedores estão bastante amadurecidas.

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95 g/km

Acredita que vai conseguir cumprir os mais rigorosos níveis de emissão de CO2 que se tornaram obrigatórios em 2020? E a eletrificação é compatível com os valores de prazer de condução da BMW?

BMW Concept i4 com Oliver Zipse, CEO da marca
BMW Concept i4 com Oliver Zipse, CEO da BMW

OZ: Até 2020 temos que atingir um nível de emissões de CO2 da nossa frota 20% mais baixo e estamos no caminho certo para atingir essa meta com os produtos certos no momento certo, o que significa que fizemos o trabalho de casa no devido tempo. A nossa orgulhosa premissa é de que os nossos clientes nunca terão que optar entre prazer de condução e mobilidade sustentável.

O carro que mostrámos no início de março, o brilhantemente desenhado i4, levará a mobilidade elétrica ao coração da nossa marca. É a representação perfeita do poder de escolha que prometemos proporcionar. A ideia é, obviamente, inspirar os clientes em vez de lhes dizermos o que fazer.

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M, sem limites (de vendas)

Será necessário limitar as vendas da sua gama de modelos M para que seja possível atingir as metas de emissões de CO2 para 2020 e 2021?

OZ: Atingiremos o objetivo de emissões de CO2 na Europa sem ter que limitar as vendas dos modelos M, porque definimos o equilíbrio da nossa gama de modelos e a produção geral de acordo com esse objetivo. Aí também somos ajudados pelo facto dos nossos carros da divisão M estarem entre os mais eficientes nesse segmento, por mais desafiador que isso seja.

Posso dizer já que em janeiro e fevereiro estamos dentro dos objetivos definidos pela UE e acho que isso só melhorará porque a nossa linha de modelos eletrificados se expandirá à medida que este ano for avançando (ainda que já tenhamos aumentado a nossa oferta em 40% este ano).

BMW M235i xDrive
BMW M235i xDrive

Na segunda parte da entrevista a Oliver Zipse, CEO da BMW, saberemos mais sobre a eletrificação, assim como o destino dos motores de combustão no grupo alemão.

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