Comparativo

Juntei o Toyota GR Supra e o BMW Z4 M40i. Farinha do mesmo saco?

Há questões que perturbam o equilíbrio natural do universo, uma dessas questões diz respeito às diferenças entre o Toyota GR Supra e o BMW Z4 M40i. Uma inquietação partilhada por milhões de pessoas ou… apenas por uma pessoa no mundo que precisava de uma boa desculpa para juntar estes dois desportivos: eu.

Em Angeles Crest Highway, EUA

Toyota GR Supra e BMW Z4 M40i. Duas faces da mesma moeda. A mesma plataforma, o mesmo mesmo motor, a mesma caixa e um interior muito idêntico. Ok. Até aqui nada de novo, certo? Já toda gente conhece esta partilha de componentes.

A questão que se coloca é a seguinte: será que com os mesmos ingredientes conseguimos chegar a resultados finais distintos? Se isto fosse um texto sobre culinária eu respondia já que sim. Basta ver a quantidade de receitas de bacalhau que existem.

Nos carros será igual? Foi esta a pergunta a que tentei obter resposta ao volante do Toyota GR Supra e do BMW Z4 M40i durante a ronda de testes em solo americano dos World Car Awards 2020, os LA Test Drives — onde também conduzi este modelo, e este também e outros que já viram aqui.

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Farinha do mesmo saco

As duas marcas juram a pés juntos que apesar da partilha de componentes, são dois modelos totalmente distintos. Tetsuya Tada, o «pai» do Toyota Supra, com quem falei há dois anos defende acerrimamente essa ideia.

Toyota GR Supra BMW Z4 M40i
A minha definição de dia quase perfeito. Dois verdadeiros desportivos e Angeles Crest Highway por minha conta.

Uma ideia que nos parece de difícil defesa quando os carros partilham os principais componentes.

Como se diz no mais belo recanto da Europa, “farinha do mesmo saco”.

Mas a verdade é que — apesar de serem farinha do mesmo saco — Tetsuya Tada tem razão: Toyota GR Supra e BMW Z4 M40i são dois carros distintos e não é só uma questão estética.

No vídeo que fiz ao volante do BMW Z4 M40i já tinha defendido isso, mas agora tive oportunidade de fazer a mesma estrada com os dois carros, e portanto, com o cérebro cheio de sensações «frescas» de um e de outro.

Vamos começar por onde menos importa… o motor.

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Motor B58 é igual no dois?

A potência declarada versus potência real do Toyota GR Supra já fez correr muita tinta. O mesmo podemos dizer do BMW Z4 M40i, que na especificação para o mercado norte-americano é mais potente do que a versão europeia.

Depois de conduzir um e outro nos EUA, em termos de motor, pelo menos neste mercado, fazem jogo muito igual. As diferenças que existem entre ambos dizem respeito à afinação da gestão eletrónica mas o carácter é o mesmo.

Toyota GR Supra
Um Toyota GR Supra no seu ambiente natural. Curvas, curvas, curvas.

São motores cuja resposta a partir das 2200 rpm já faz perguntas ao eixo traseiro (o binário máximo está disponível desde as 1600 rpm) e que para andar realmente rápido — alias, para andar tão rápido quanto é possível — têm de ser mantidos no último terço do conta-rotações.

Na Angeles Crest Highway, onde decorreram os testes do Carro Mundial do Ano 2020 — a Razão Automóvel integra o painel de jurados — não tive oportunidade de fazer um arranque lado a lado com o Z4 e o Supra, mas naquilo que interessa, ou seja, em condições reais (à saída das curvas e nas retas) as diferenças são inexistentes — pelo menos nos EUA.

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Chegaram as curvas…

Vamos primeiro às semelhanças. Os dois carros são fáceis de guiar. São bem nascidos, não têm reações estranhas e só vais ter de fazer «contas à vida» se tiveres falhado de forma grosseira a travagem alguns metros antes.

 BMW Z4 M40i
Pode perder um pouco em eficácia, mas em compensação podemos conduzir com os cabelos ao vento.

As semelhanças acabam aqui. Na conversa que o Diogo Teixeira teve com os responsáveis de engenharia do Toyota GR Supra, estes defenderam que a partir do momento em que as duas marcas definiram os parâmetros do chassis, o desenvolvimento dos modelos decorreu de forma totalmente autónoma.

Isso sente-se, e não é preciso andar «a fundo» para perceber as diferenças.

Não sei em que medida é que o BMW Z4 M40i é mais relaxado em estrada do que o Toyota GR Supra, se é devido à afinação da suspensão e convergência dos eixos, ou se é devido ao tipo de carroçaria, que por ser roadster perde alguma rigidez. Talvez por todos estes motivos.

Seja porque motivo for, o BMW Z4 M40i é de facto mais agradável de conduzir em autoestrada. O eixo dianteiro lida melhor com as imperfeições do asfalto, mantendo a trajetória pretendida sem necessitar de tantas correções. Passear rápido e de cabelos ao vento é mesmo no Z4…

Voltando ao Toyota GR Supra, ignorando todas as semelhanças em termos de habitáculo, e focando a nossa vista em tudo aquilo que acontece para lá do capot encarnado, a resposta dos comandos às nossas ordens é diferente.

Não sendo tão confortável como o Z4 M40i, está longe de ser desconfortável. Não é. Simplesmente o BMW faz melhor. Da mesma forma que GR Supra faz melhor quando as curvas se aproximam.

Toyota GR Supra BMW Z4 M40i
Quando a condução sobe de ritmo, aos poucos e poucos a traseira do Supra vai ficando mais pequena quando vista a partir do Z4.

Confesso que no primeiro terço da curva (travagem), não encontrei diferenças. Mas é a partir daqui que gradualmente as diferenças se vão acumulando. Quando chega a altura de apontar o chassis e carregar as rodas exteriores com o peso do conjunto, o GR Supra é mais imediato, mais contido. A diferença não é abissal — mais uma vez… —, mas sente-se.

É quando chega a altura de trocar as caricias no acelerador (no miolo da curva) pelos maus tratos (à saída da curva) que os diferentes caminhos traçados pela BMW M e Gazoo Racing se fazem sentir.

Voltamos sempre ao acelerador mais cedo no GR Supra. Uma vantagem que se começa logo a construir no facto de conseguirmos lidar melhor com a abordagem à curva. Depois, acelerar mais cedo é uma consequência desse primeiro momento e também mérito de um eixo traseiro mais focado na tração.

Isso interessa para alguma coisa?

Depende daquilo que valorizares mais. Estamos a falar de dois excelentes desportivos. No final do dia, os dois são perfeitamente capazes de nos colocar um sorriso nos lábios. Para quem gasta mais de 80 mil euros num desportivo isso deve ser o mais importante.

Apesar das semelhanças, são duas abordagem suficientemente distintas. Tão distintas que nem sequer me parecem concorrentes diretos. Tanto que, se tivesse de escolher um BMW Z4 para habitar na minha garagem nem era o M40i que escolhia, era Z4 SDrive20i — um carro mais excitante do que a sua ficha técnica deixa adivinhar.

Mas sem fugir à questão: Z4 M40i ou GR Supra? No que a mim diz respeito: GR Supra. Como desportivo — afinal de contas é disso que estamos a falar — é mais competente. E além do mais é um Supra. Um nome que tem o peso que tem.

Se for para nascerem mais modelos assim, venham de lá essas alianças germano-nipónicas. Nada contra.

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Mas podes descobrir a resposta aqui:

Supra A80 vs Supra A90, em vídeo. O novo está à altura da LENDA?

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