Diesel

Futuro negro para os Diesel com mais abandonos e desenvolvimentos suspensos

Durante o Salão de Paris ficámos a saber que haverá mais fabricantes a abandonar as motorizações Diesel. Estará o futuro dos Diesel em risco?

Após o escândalo das emissões, mais conhecido como Dieselgate, o estado de graça das motorizações Diesel acabou definitivamente.

Na Europa, o principal mercado mundial para este tipo de motores em automóveis ligeiros, a quota dos Diesel não parou de descer — de valores a rondar os 50% durante largos anos até ao final de 2016, começou a cair e nunca mais parou, representando agora sensivelmente 36%.

E promete não ficar por aqui, com os anúncios crescentes por parte de fabricantes que ou prescindem dos Diesel em alguns modelos, ou abandonam — de imediato ou em poucos anos — os motores Diesel por completo.

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Recentemente a Porsche afirmou o abandono definitivo dos Diesel. O sucesso dos seus modelos híbridos assim o permite, conseguindo enfrentar com mais confiança os limites de emissões a cumprir. Verdade seja dita, já não era possível comprar motores Diesel na Porsche desde praticamente o início do ano, justificado pela necessidade de adaptar as motorizações ao mais exigente protocolo de testes WLTP.

PSA suspende desenvolvimento Diesel

Com o Salão de Paris a decorrer, ficámos agora a saber que o grupo francês PSA, em declarações à Autocar, anunciou não o abandono imediato, mas a suspensão no desenvolvimento da tecnologia Diesel — é o grupo onde está a Peugeot, um dos principais atores neste tipo de motorização.

Apesar do lançamento ainda relativamente recente do 1.5 BlueHDI, capaz de cumprir as mais exigentes normas de emissões dos próximos anos, poderá não conhecer mais evoluções para ir de encontro às futuras exigências.

Peugeot 508 SW HYBRID

A confirmação da notícia vem do próprio diretor de produto do Groupe PSA, Laurent Blanchet: “Decidimos não desenvolver mais evoluções da tecnologia Diesel, porque queremos ver o que vai acontecer.”

Mas são as declarações de Jean-Phillipe Imparato, CEO da Peugeot, que colocam o dedo na ferida, ao referir que cometeram “um erro ao forçar os Diesel”, já que o desenvolvimento agressivo imposto da tecnologia e os investimentos substanciais associados, poderão não ser compensados futuramente, com a queda contínua de vendas.

Decidimos que, se em 2022 ou 2023 o mercado fôr, digamos, 5% Diesel, nós desistiremos dele. Se o mercado fôr de 30%, a questão será muito diferente. Acho que ninguém poderá dizer onde o mercado estará. Mas o que é claro é que a tendência nos Diesel é de descida.

Laurent Blanchet, diretor de produto do Groupe PSA

A alternativa, como em todos os outros fabricantes, passa pela eletrificação crescente dos seus modelos. No Salão de Paris, Peugeot, Citroën e DS apresentaram versões híbridas de vários dos seus modelos e até um modelo 100% elétrico, o DS 3 Crossback. Será que as vendas serão em número suficiente para garantir os números certos no cálculo das emissões? Teremos de aguardar…

Bentayga perde Diesel na Europa

Nem os construtores de luxo estão imunes. A Bentley introduziu o Bentayga Diesel no final de 2016 — o primeiro Bentley de sempre equipado com um motor Diesel —, e agora, menos de dois anos passados, retira-o do mercado europeu.

A justificação prende-se, de acordo com a própria marca, pelas “condições legislativas políticas na Europa” e uma “mudança significativa na atitude relativa aos automóveis Diesel que tem sido largamente documentada”.

A chegada do Bentayga V8 e a decisão estratégica de maior foco na eletrificação do seu futuro, são os outros fatores que contribuíram para que a Bentley retirasse o Bentayga Diesel dos mercados europeus.

Bentley Bentayga Diesel

No entanto, o Bentley Bentayga Diesel continuará a ser vendido em alguns mercados internacionais, onde as motorizações Diesel também têm expressão comercial, como a Austrália, a Rússia e a África do Sul.

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