"Inferno na produção"

Tesla Model 3. Últimos números revelados não são o esperado

A Tesla divulgou o número de carros produzidos e entregues no último trimestre de 2017. Afinal, quantos Tesla Model 3 foram produzidos?

No que toca a relatórios de produção e entregas, este era, talvez, o mais antecipado de todos. Porquê? Pois, finalmente, poderíamos saber quantos Tesla Model 3 foram produzidos, o que permite averiguar o progresso na resolução dos problemas que persistem na linha de produção do desejado modelo.

O Tesla Model 3 é, provavelmente, o automóvel mais antecipado de sempre, rivalizando em expetativas e “hype” com o iPhoneA sua apresentação, em abril de 2016, garantiu mais de 370 mil pré-reservas, a 1000 dólares cada, facto inédito na indústria. Atualmente, esse número ascende a meio milhão de encomendas, de acordo com o próprio Elon Musk.

Musk prometeu entregar os primeiros carros em julho de 2017, objetivo alcançado na data prometida — por si só, um evento —, com uma cerimónia que viu os primeiros 30 Tesla Model 3 serem entregues a funcionários do construtor norte-americano. Tudo parecia encaminhado para os números prometidos: 100 carros produzidos durante o mês de agosto, mais de 1500 em setembro, e acabar o ano de 2017 ao ritmo de 20 mil unidades por mês.

The Model 3 body line slowed down to 1/10th speed

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“Inferno na produção”

A realidade bateu forte. Até ao final de setembro, apenas 260 Tesla Model 3 tinham sido entregues — longe dos mais de 1500 prometidos. As primeiras entregas a clientes finais, prometidas para outubro, foram adiadas um mês ou mais para a frente. As 5000 unidades por semana prometidas para o final do ano 2017, como devem imaginar, nem de perto foi alcançado.

A principal razão por trás destes atrasos e constrangimentos na produção do Model 3, devem-se, sobretudo, à montagem dos módulos das baterias, mais especificamente, combinar a complexidade do design dos módulos com a automação do processo de montagem. Segundo comunicado da Tesla, parte do processo de produção dos módulos era responsabilidade de fornecedores externos, função que passou a estar agora sob direta responsabilidade da Tesla, obrigando a um profundo redesenhar desses mesmos processos.

Tesla Model 3 — Linha de produção

Afinal, quantos Tesla Model 3 é que foram feitos?

Os números não são famosos. O Tesla Model 3 foi produzido em 2425 unidades no último trimestre de 2017 — 1550 já foram entregues e 860 estão em trânsito, a caminho dos seus destinos finais.

Os maiores progressos foram registados, precisamente, nos últimos sete dias úteis do ano, com a produção a subir para perto das 800 unidades por semana. A manter o ritmo, a marca deverá conseguir, neste início de ano, produzir o Model 3 ao ritmo de 1000 unidades por semana.

Definitivamente houve avanços relativamente ao trimestre anterior — de 260 unidades produzidas para 2425 —, mas para o Model 3, um modelo de grande volume, é um número extraordinariamente baixo. Musk previa produzir 500 mil Tesla este ano — maior parte dos quais Model 3 —, meta que não será de certeza atingida.

As previsões da marca são, agora, bastante mais moderadas. As prometidas 5000 unidades por semana — para dezembro de 2017, relembramos —, só serão alcançadas no verão de 2018. No final do primeiro trimestre, em março, a Tesla espera estar a produzir 2500 Model 3 por semana.

Dores de crescimento

Nem tudo são más notícias. A marca entregou, pela primeira vez na sua história, mais de 100 mil carros num ano (101 312) — um aumento de 33% relativo a 2016. Para tal contribuiu a crescente procura do Model S e do Model X. No último trimestre de 2017, a Tesla produziu 24 565 automóveis e entregou 29 870, dos quais 15 200 referem-se ao Model S e 13 120 ao Model X.

Apesar dos progressos no “inferno na produção” de Elon Musk, ainda transparece as enormes dificuldades na transição de pequeno construtor para um de grande volume. O Model 3 pode significar o estabelecimento definitivo da Tesla como um dos principais construtores de automóveis, mas a margem de manobra é cada vez mais reduzida.

O ano de 2018 marca o início da “invasão elétrica”, com os primeiros modelos com valores de autonomia elevados dos principais construtores a chegarem ao mercado. Modelos que vêm de construtores mais sólidos e estabelecidos, significando concorrência acrescida para o construtor norte-americano.

O maior número de propostas também alargará o leque de escolhas no mercado, pelo que o risco de os clientes da Tesla “fugirem” para outras marcas é acrescido.

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