Ao volante

Primeiras impressões do Volkswagen T-Roc.

Esqueçam os Volkswagen a que estão habituados, este é diferente. Após 300 km ao volante do Volkswagen T-Roc estas são as nossas primeiras impressões.

Em Lisboa, Portugal

Era inevitável, não era? A apresentação Internacional do Volkswagen T-Roc realizou-se em Portugal. Mais de 40 unidades do SUV «made in Portugal» esperavam por nós − e por mais de uma centena de jornalistas nas próximas semanas − no Aeroporto de Lisboa, a pouco mais de trinta minutos do local que o viu “nascer”: a fábrica da Autoeuropa em Palmela.

Fizemos mais de 300 km ao volante do T-Roc − 314 km para sermos mais precisos. Objetivo: recolher as primeiras impressões deixadas pelo mais recente e pequeno SUV da Volkswagen. Mas permitam-nos deixar-vos já com duas notas rápidas: não é um Volkswagen “tradicional” e é mais barato que o Golf nas versões equivalentes.

Finalmente Volkswagen!

Não sabemos até que ponto é que as paisagens, o clima e a boa gastronomia do nosso país tiveram influência na criatividade dos designers da Volkswagen.

No novo Volkswagen T-Roc a marca alemã decidiu (e bem…) deixar de lado algum − se escrevesse “muito” não estaria a exagerar… − conservadorismo e arriscou como há muito tempo não víamos na marca de Wolfsburg.

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Versão T-Roc Style

O resultado está à vista. Carroçaria em tons bicolor (pela primeira vez na VW) e linhas mais arrojadas do que é normal.

Ao todo, temos 11 cores diferentes para a carroçaria e 4 tons diferentes para o tejadilho. Assinatura luminosa diferenciada (as luzes de presença também fazem de piscas) e uma barra em alumínio escovado ao longo de toda a carroçaria a reforçar a linha descendente do tejadilho − que tentou dar ao T-Roc “ares” de coupé.

Em termos de proporções o Volkswagen T-Roc também está muito bem conseguido. Olhem para ele como a versão SUV do Golf, ainda que possua menos 30mm de comprimento do que este − 4,23 metros do T-Roc contra 4,26 metros do Golf.

Colorido por dentro e por fora

No interior a tónica é a mesma do design exterior. Diversos plásticos do tablier podem assumir as cores da carroçaria, uma solução em tudo similar à que encontramos no Volkswagen Polo que chegou agora ao mercado nacional.

Do Volkswagen Golf transitam os sistemas de infotainment e algumas soluções técnicas − entre elas, o Active Info Display (painel de instrumentos 100% digital). O que não transita do Golf é a qualidade dos materiais, principalmente na parte superior do tablier. Apesar da montagem ser rigorosa, não encontramos os mesmos plásticos «suaves ao toque» do Golf.

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“Porque é que é que o T-Roc não está ao nível do Golf neste aspeto?”, foi a pergunta que fizemos a Manuel Barredo Sosa, diretor de produto do Volkswagen T-Roc. A resposta foi objetiva, sem rodeios:

Desde o primeiro momento, o nosso objetivo sempre foi lançar o T-Roc com um preço competitivo. Houve um grande esforço da marca para consegui-lo − inclusive da Autoeuropa − e tivemos de fazer opções. Os materiais não são os mesmos do Golf mas o T-Roc continua a apresentar uma qualidade e um rigor de construção tipicamente Volkswagen. Nem podia ser de outra forma.

Manuel Barredo Sosa, Project Manager da Volkswagen

Equipamento e espaço

O Volkswagen T-Roc sente-se espaçoso em todos os sentidos. Face ao Golf (as comparações são inevitáveis, até porque os dois modelos recorrem à mesma plataforma MQB), estamos sentados numa posição 100 mm mais elevada. Tipicamente SUV.

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Neste comando podemos controlar todos os parâmetros de condução (suspensões, caixa, motor, etc).

Atrás, o espaço volta a equiparar-se ao Golf apesar da linha descendente do tejadilho − só as pessoas com mais de 1,80 m deverão sentir problemas ao nível do espaço para a cabeça. Na bagageira, nova surpresa, com o Volkswagen T-Roc a oferecer-nos 445 litros de capacidade e uma superfície de carga plana − regressando às comparações com Golf, o T-Roc oferece mais 65 litros de capacidade.

Ao nível de equipamento, todas as versões contam com Lane Assist (assistente de manutenção na faixa de rodagem) e Front Assist (travagem de emergência). E por falar em equipamento, temos três versões disponíveis: T-Roc, Style e Sport. A primeira é a versão base, e as segundas equivalem-se no topo da gama. Naturalmente, à medida que vamos subindo na gama vão aumentando as tecnologias a bordo − e o preço também, mas já lá vamos.

À semelhança do novo Golf, o T-Roc também pode vir equipado com o sistema Trafic Jam Assist da marca alemã, um sistema que mantém a distância e a direção do carro nas filas de trânsito sem intervenção do condutor.

Motorizações, caixas e afins

Se quiserem, já podem encomendar o novo Volkswagen T-Roc. As primeiras unidades chegam ao nosso mercado na última semana de novembro, mas apenas na versão 1.0 TSI de 115 cv  e 200 Nm de binário máximo. Esta é uma das motorizações que a marca mais espera vender no nosso país e que permite ao «SUV nacional» cumprir o tradicional 0-100 km/h em apenas 10,1 segundos − a velocidade máxima cifra-se nos 187 km/h.

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Alemão com sotaque português.

A versão 1.6 TDI de 115 cv só chega em março − o período de encomendas arranca em janeiro. A gama de motores Diesel do Volkwagen T-Roc contemplará ainda o motor 2.0 TDI nas versões de 150 e 190 cv de potência. Estes últimos disponíveis com a caixa DSG-7 e sistema de tração integral 4Motion (ambos opcionais).

As versões mais potentes a gasolina alinham pelo mesmo patamar de potência das versões TDI, com o motor 1.5 TSI de 150 cv e o motor 2.0 TSI de 200 cv.

Sensações ao volante

Neste primeiro contacto apenas tivemos oportunidade de testar a versão T-Roc Style 2.0 TDI (150cv) com sistema 4Motion e caixa de dupla embraiagem DSG-7.

Em cidade o Volkswagen T-Roc destacou-se pela forma como lidou com os buracos da estrada da capital portuguesa. A suspensão tolera bem os pisos degradados sem agitar demasiado os ocupantes.

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O T-Roc lida bem com os pisos degradados.

Apanhámos a ponte 25 de Abril em direção a Palmela, onde pudemos atestar a estabilidade direcional deste modelo em autoestrada. Apesar do centro gravítico mais elevado, a verdade é que neste aspeto o T-Roc equivale-se ao Golf.

Com a Serra da Arrábida ali tão perto, não resistimos e fomos até ao Portinho da Arrábida, com chuva e vento a receberem-nos. Não foram as condições ideais para um teste dinâmico mas permitiu-nos atestar a competência do sistema 4Motion em situações de aderência precária, onde faz verdadeiramente a diferença. Provocámos o chassis e não deixámos escapar um único cavalo de potência. O destino final foi Cascais.

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No Guincho.

Em termos acústicos a Volkswagen também fez o trabalho de casa. O habitáculo apresenta-se bem insonorizado. Em suma, apesar de ser um SUV, comporta-se como um hatchback. Ainda assim teremos de conduzir as versões de tração dianteira para tirar a «prova dos nove».

Volkswagen T-Roc mais barato que o Golf

Como já referimos, no final de novembro chegam as primeiras unidades às estradas nacionais. A versão mais acessível é proposta por por 23 275 euros (T-Roc 1.0 TSI 115cv). Um valor bastante competitivo, cerca de 1000 euros abaixo do Golf com a mesma motorização, sendo que o T-Roc ainda conta com os sistemas Front Assist e Lane Assist de série, ao contrário do Golf.

Mais acima, em termos de equipamento e de preço, temos a versão Style. Esta versão acrescenta itens como o Cruise Control Adaptativo, jantes de 17 polegadas, Park Assist, Infotainment com sistema de navegação, entre outros. Na versão Sport, a tónica é colocada no comportamento, adicionando itens como o chassis adaptativo.

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Aqueles que estiverem interessados na versão 1.6 TDI de 115cv vão ter de esperar até março. À semelhança da versão 1.0 TSI, o T-Roc Diesel versão «base» é mais barato que o Golf equivalente − o diferencial cifra-se em cerca de 800 euros. A partir de dezembro estará disponível o motor 1.5 TSI de 150 cv (por 31 032 euros), exclusivamente associado ao nível Sport e com caixa DSG-7.

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Primeiras impressões

8 / 10
Em suma, apesar de ser um SUV, comporta-se como um hatchback. Ainda assim teremos de conduzir as versões de tração dianteira para tirar a «prova dos nove».

Preço

23.275

Data de comercialização: Novembro 2017


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