Salão de Frankfurt 2017

Os novos putos da turma. Hyundai i30 N, SEAT Leon Cupra R e Renault Mégane RS

Neste artigo vou fazer uma análise aos hot hatch apresentados no Salão de Frankfurt. O novato coreano, o repetente espanhol e o bom aluno francês.

O Salão de Frankfurt não foi «grande espingarda». Não foi o quê?

Desculpem. É uma expressão alentejana usada para descrever algo que ficou aquém das expectativas.

Vamos por partes

O Mercedes-AMG Project One brilhou em termos técnicos mas em termos estéticos… ok. A Porsche apresentou mais uma variante do 911 (mais uma…) e as restantes marcas fizeram juras de amor eterno às versões 100% elétricas.

Sim. Para fazer valer o meu ponto de vista, estou a esquecer-me de alguns modelos de propósito.

É batota? claro. Mas estão à vontade para discordar de mim na caixa de comentários. A meu favor tenho ainda o facto de nove marcas terem dito “obrigadinho, mas não vamos a Frankfurt este ano”.

Resultado

Um Salão que soube a pouco mas ainda assim com muitos motivos de interesse. É de alguns desses que vou falar.

Até porque são modelos que estão no horizonte aspiracional de muitos de nós. Ao contrário de outros.

Regresso às aulas

Nos segmentos dos hot hatch não faltaram novidades. Esta edição do Salão de Frankfurt parece um verdadeiro regresso às aulas em termos de desportivos de tração dianteira.

Numa altura em que se discute a condução autónoma, há marcas a lançar os melhores desportivos de tração dianteira da história. Exagero? Nem por isso.

Enquanto via estas novidades do salão lembrei-me do regresso às aulas. Ali estavam as marcas de automóveis com as suas melhores roupas, mochilas a brilhar e canetas da Molin. Lembram-se?

Esqueçam os betinhos da Porsche, Lamborghini e companhia. Vamos falar dos rufias? Vamos a isso!

Hyundai i30 N: o novato coreano

No segmento dos rufias… perdão hot hatch! Temos uma estreia absoluta. O novo Hyundai i30 N.

A marca coreana regressou à escola dos desportivos com a lição muito bem estudada. Tão bem estudada que as primeiras unidades do modelo já esgotaram na Alemanha.

Foram buscar um explicador à BMW, Albert Biermann, ex-diretor da escola M Performance. Foi ele o responsável por ensinar gerações e gerações de modelos M a curvar, travar, acelerar e divertir. Divertir muito.

Como a Hyundai já disse anteriormente, o objetivo do i30 N não é ser o modelo mais potente do mercado, ligando pouco à matemática do cronómetro.

A sua disciplina preferida vai ser «trabalhos manuais», ou seja, ser um dos carros do segmento com melhor feeling de condução e capacidade de gerar sorrisos em curva. Vocês sabem do que falo…

Isso não significa que o Hyundai i30 N seja sub-motorizado. Os 275 cv providenciados pelo motor 2.0 Turbo de última geração serão mais que suficientes para aterrorizar o eixo dianteiro.

Num recreio cheio de rufias (Golf GTI, Mégane RS, 308 GTI, Leon Cupra, etc) tenho a certeza que o Hyundai i30 N vai ser aquele puto discreto que quando se irrita… está o caldo entornado.

E tendo em consideração o longo programa de testes no Nürburgring e a fama de fiabilidade da marca, há certamente muito sumo para extrair deste bloco à posteriori.

SEAT Leon Cupra R: o repetente espanhol

Mais 10 cv de potência, componentes em carbono, nova geometria de suspensão, molas mais rijas e travões da Brembo.

A SEAT tem aperfeiçoado o Leon Cupra ano após ano e parece que o objetivo são os 20 valores. Portanto, a marca espanhola reviu toda a matéria e apresenta-se neste ano lectivo ainda com mais argumentos.

Já conduzi todos os hot hatch atualmente em comercialização – estou mortinho para meter as mãos neste e no «novato coreano». Posso dizer com toda a segurança que o SEAT Leon Cupra é um dos modelos mais eficazes do momento.

E nesta versão limitada a 799 unidades, o SEAT Leon Cupra R deve conhecer patamares ainda mais elevados de eficácia.

Não só de eficácia mas também de requinte, olhem só.

Em termos estéticos, parece a derradeira interpretação do design do SEAT Leon. A carroçaria em tons mate, os apêndices em carbono, as vias mais largas. Enfim, mais um aterrorizador de pneus dianteiros com classe.

Renault Mégane RS: o bully francês

Nesta nova geração o Renault Mégane RS entra com tudo a perder. Como assim?

A última vez que passou os portões desta C+S era um dos melhores alunos da turma e aterrorizava meio mundo no recreio. Agora perdeu a carroçaria de três portas e 200 cm3 de capacidade.

Parece que levou um puxão de orelhas em casa e tem de ser mais responsável. Apenas vai estar disponível na carroçaria de cinco portas e terá vários modos de condução – do modo mais confortável ao mais aterrador.

Amoleceu? Tenho dúvidas. Nunca suspeitem do trabalho da Renault Sport. Daquele departamento já sairam alguns dos melhores FWD da história – a prova está aqui.

Pela primeira vez o Renault Mégane RS atingiu a cifra dos 300 cv, oriundos do novo motor 1.8 turbo (partilhado com a Alpine) e além de um chassis certamente afinado até à exaustão, tem ainda um eixo traseiro direcionável (4Control).

Quem é que vai prevalecer?

A «escola» dos hot hatch está cada vez mais exigente. Qual será o melhor aluno desta nova fornada? Não sei.

Estou convencido que todos serão bons em diferentes disciplinas.

Estou muito curioso para «sentir» em pista os ensinamentos do Albert Biermann no Hyundai i30 N – depois de ouvir o som dos escapes fiquei ainda mais. Estou curioso para saber como é que a SEAT conseguiu melhorar aquilo que já era quase perfeito. E finalmente estou curioso para saber se o mais «mauzão» da turma amoleceu mesmo ou é só aparência. Falo naturalmente do Mégane RS.

E já que estamos numa de falar de regresso às aulas, como praxe deviam partilhar este artigo. Merci, como dizem os italianos. É verdade, nunca fui bom a línguas…

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