Recharge No modo Recharge está a reduzir a sua pegada ecológica.

Obrigado por guardar energia para o que mais importa.

Uma iniciativa
x

Recharge

Estamos a guardar energia para o que mais importa.

Glórias do Passado

Lamborghini Miura, o pai dos superdesportivos modernos

No ano em que o Lamborghini Miura celebra o seu 50º aniversário (2016), recordamos a história do primeiro supercarro moderno.

Filho de fazendeiros, Ferruccio Lamborghini começou a trabalhar como aprendiz de mecânico com apenas 14 anos. Aos 33, já com um vasto conhecimento em engenharia, o empresário italiano fundou a Lamborghini Trattori, uma empresa que fabricava… tractores agrícolas. Mas não se ficou por aí: em 1959 Ferruccio construiu uma fábrica de aquecedores a óleo, a Lamborghini Bruciatori.

A Lamborghini enquanto marca de automóveis foi criada apenas em 1963, com o objetivo de competir com a Ferrari. Ferrucio Lamborghini interpelou Enzo Ferrari para queixar-se de alguns defeitos e apontar algumas soluções para os modelos da Ferrari. Enzo sentiu-se ofendido pelas sugestões de um “mero” fabricante de tratores e respondeu a Ferrucio dizendo que este “não percebia nada de automóveis”.

A resposta de Lamborghini ao “insulto” de Enzo não se fez esperar. O Lamborghini Miura pode não ter sido o primeiro, mas em 1966, seria a sua resposta mais forte à Ferrari.

VEJAM TAMBÉM: 14 concepts da Bertone que vais querer colar na parede do teu quarto
Lamborghini Miura no Salão de Genebra
Lamborghini Miura no Salão de Genebra, 1966

Apresentado pela primeira vez à imprensa mundial no Salão de Genebra (na imagem em cima) com uma carroçaria, após o chassis ter sido apresentado no ano anterior, as encomendas começaram a surgir de toda a parte. De imediato o mundo ficou rendido não só à beleza mas também às especificações técnicas do Miura.

Touro bravo

E não era caso para menos: motor V12 em posição central traseira e… transversal — uma opção influenciada pelo primeiro Mini (1959) —, com quatro carburadores Weber, transmissão manual de cinco velocidades e suspensão traseira e dianteira independente faziam deste carro algo de revolucionário, assim como os seus 350 cavalos de potência.

À data do seu lançamento, o Lamborghini Miura era o carro de produção mais rápido do planeta. A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpria-se em 6,7s, enquanto que a velocidade máxima anunciada era de 280 km/h (atingi-la é que se revelou mais difícil). Ainda hoje, 50 anos depois, impressiona!

Lamborghini Miura

Já o design ficou a cargo de Marcello Gandini, um italiano que primava pela atenção ao detalhe e à aerodinâmica dos seu carros. Com uma silhueta sedutora, mas ao mesmo tempo intimidante, o Lamborghini Miura quebrava corações no mundo automóvel (e não só…).

Em 1969, o desportivo italiano foi figura de destaque da sequência de abertura do filme “The Italian Job”, gravado nos Alpes Italianos. De facto, era um carro de tal forma popular que podia ser visto na garagem de personalidades famosas como Miles Davis, Rod Stewart e Frank Sinatra.

A NÃO PERDER: Lamborghini – the Legend, a história do homem que fundou a marca do touro

Embora já tivesse a reputação de carro mais rápido de todos os tempos, a Lamborghini decidiu melhorar a receita e lançou em 1968 o Miura S, com 370 cavalos de potência. Mas a marca de Sant’Agata Bolognese não se ficou por aqui: pouco tempo depois, em 1971, foi apresentado o Lamborghini Miura SV, com um motor de 385 cv e um sistema de lubrificação melhorado. Este foi o último e talvez o mais famoso desportivo da “gama”.

Apesar de ter sido o porta-estandarte da marca durante sete anos, a produção do Lamborghini Miura terminou em 1973, numa altura em que a marca se debatia com problemas financeiros. De qualquer forma, não há dúvida que este desportivo marcou a indústria automóvel como nenhum outro.

Seria o passo essencial para definir a receita definitiva para os superdesportivos futuros. Seria o seu sucessor — o Countach —, que a cimentaria, ao rodar o motor central traseiro em 90º, para uma posição longitudinal, a arquitetura de eleição de todos os futuros superdesportivos. Mas isso é outra história…

Mais artigos em Clássicos