Ao volante do Honda Jazz 20 Anos. Mais do que uma «roupa» de festa?

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Só existem 20 exemplares

Ao volante do Honda Jazz 20 Anos. Mais do que uma «roupa» de festa?

O Honda Jazz celebra 20 anos no mercado português e para assinalar o momento recebeu uma série especial limitada a 20 unidades. Mas o que muda?

Já passaram 20 anos desde que o Honda Jazz «aterrou» no mercado português e desde essa altura já somou mais de 23 mil unidades vendidas, distribuídas por quatro gerações.

Para assinalar estas duas décadas de presença no mercado nacional, a Honda Portugal Automóveis lançou uma edição especial Jazz 20 anos, limitada a apenas 20 unidades.

Não quisemos deixar passar a efeméride e já conduzimos um destes exemplares exclusivos. Mas será que ele se destaca o suficiente de um Honda Jazz «normal»? A resposta está nas próximas linhas…

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Honda Jazz 20 Anos
O logótipo comemorativo dos 20 anos do Honda Jazz em Portugal aparece em destaque na traseira. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

O que muda?

Por comparação com os restantes Honda Jazz, esta edição especial dos 20 anos distingue-se por apresentar um tejadilho em cor exclusiva (cinza), um emblema específico na traseira e por se fazer acompanhar de um porta-chaves único que assinala esta importante data.

Honda Jazz 20 Anos porta chaves
Quem comprar esta versão especial do Honda Jazz também leva para casa um porta-chaves exclusivo, com o logótipo dos 20 anos. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Competente em todos os cenários

Em tudo o resto, é um Jazz “normal” e isso são, quase sempre, boas notícias.

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Na quarta geração, lançada em 2020, o utilitário nipónico sofreu uma evolução notória ao nível da segurança (valeu-lhe as tão cobiçadas cinco estrelas nos testes EuroNCAP), recebeu um habitáculo mais amplo (continua a oferecer uma modularidade referencial) e ganhou novos argumentos tecnológicos, onde se destaca o novo sistema de infoentretenimento, que permite integração com smartphone através dos sistemas Android Auto (wireless) e Apple CarPlay (com fios).

Diria que é mesmo notável o espaço que a Honda conseguiu «arrancar» de um modelo tão compacto, abaixo da barreira dos quatro metros de comprimento.

Isso é particularmente evidente nos lugares traseiros, onde o espaço é mais do que suficiente para que dois adultos de estatura média viagem de forma confortável (há imenso espaço ao nível da cabeça e dos joelhos), e na bagageira, cuja capacidade arranca nos 304 litros e pode ir até aos 1205 litros.

A somar a isto, continuamos a contar com os populares bancos (traseiros) mágicos da Honda, que podem ficar numa posição vertical aos encostos, abrindo espaço para o transporte de objetos de maior dimensão, e podemos reclinar por completo o banco do passageiro da frente, criando uma superfície plana.

Como funciona o sistema híbrido?

A animar este Honda Jazz está um sistema híbrido que combina um motor de quatro cilindros a gasolina com 1,5 litros de capacidade com um motor elétrico, um motor/gerador e uma pequena bateria.

Honda Jazz 20 Anos motor © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Somados todos estes «ingredientes», temos ao nosso dispor uma potência máxima de 109 cv e um binário de 253 Nm, números que estão longe de impressionar no papel, mas que na prática são sempre muito bem explorados, fazendo com que este pequeno Jazz nunca precise de mais «músculo».

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Durante a condução, o sistema híbrido pode funcionar de três modos distintos (gestão automática entre eles): EV Drive, Hybrid Drive e Engine Drive.

  • EV Drive: modo 100% elétrico e é aquele que está ativado por defeito quando arrancamos e quando não é exigida a intervenção do motor térmico;
  • Hybrid Drive: quando é necessária mais potência, o motor a gasolina junta-se ao sistema elétrico para atender ao esforço;
  • Engine Drive: utilizado a velocidades mais elevadas, onde só o motor a gasolina é chamado a intervir.

Durante a grande parte das vezes, o sistema híbrido vai privilegiar os modos EV Drive e Hybrid Drive, que são os mais eficientes numa utilização urbana. Já em autoestrada ou vias rápidas, será o modo Engine Drive a estar quase sempre em ação, com o motor a gasolina a assumir quase todas as despesas. Só nas ultrapassagens é que o motor elétrico (mais potente) vai «dar uma ajuda».

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Um híbrido com genica

Este sistema híbrido destaca-se por ter um funcionamento muito suave, mas ao mesmo tempo consegue ter bastante genica.

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Durante este ensaio nunca senti que este Jazz precisava de mais potência ou fiquei desiludido com a resposta do sistema. Não é um desportivo, como é óbvio, mas responde muito bem nas exigências do dia a dia.

Honda Jazz 20 Anos farolins
O sistema híbrido e:HEV deste Honda Jazz convence em quase todos os cenários: é suave e poupado. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Mas apesar do funcionamento convencer, é impossível ignorar o funcionamento da caixa de engrenagem fixa (a fazer lembrar uma CVT), que não só provoca algum arrasto como ainda faz com que o motor a gasolina tenha uma sonoridade algo incomodativa.

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É certo que isto é algo que sentimos apenas nas acelerações mais fortes, mas contrasta de forma muito evidente com a toada serena e calma do habitáculo.

Honda Jazz 20 Anos bancos
Bancos são confortáveis, oferecem um bom suporte e o tecido é muito agradável ao toque. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

Muito poupado…

Entre os trunfos que este Jazz apresenta, são os consumos que mais destaque merecem. Numa utilização urbana, é muito fácil andar sempre abaixo dos 5 l/100 km de média, mesmo sem qualquer preocupação a esse nível. E durante este ensaio consegui mesmo chegar aos 4,1 l/100 km.

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Quando o levei para a autoestrada, numa viagem de ida e volta entre Lisboa e Leiria, os consumos naturalmente subiram, mas ficaram-se por uns aceitáveis 6,2 l/100 km.

Honda Jazz 20 Anos perfil
Edição especial 20 Anos do Jazz acrescenta-lhe um tejadilho cinza que contrasta na perfeição com a cor escolhida para a carroçaria. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

E na estrada?

Se os consumos baixos e a genica do sistema híbrido são pontos positivos, nem tudo são rosas ao volante deste Honda Jazz. Além do ruído excessivo do motor de combustão quando em maior carga, a direção apresenta, a meu ver, demasiada assistência, o que nos impede de perceber na plenitude o que está a acontecer no eixo dianteiro.

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A somar a isto, a suspensão nem sempre consegue filtrar com sucesso as irregularidades do asfalto e isso sente-se quando passamos por um piso em pior estado, com este Jazz a mostrar-se algo sensível.

Honda Jazz 20 Anos perfil
O Honda Jazz 20 Anos conta com jantes em liga leve de 16”. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

É o carro certo para si?

A verdade é que poucas coisas distinguem este Jazz 20 Anos do Jazz dito «normal», mas o tejadilho numa cor exclusiva e o lettering comemorativo são um apontamento interessante para assinalar esta data.

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Mas mais importante ainda são os argumentos que este modelo revela, qualquer que seja a versão. Tem um sistema híbrido muito competente, muito poupado e que nunca nos deixa a ansiar por mais potência.

Honda Jazz 20 Anos perfil
Em 20 anos o Honda Jazz já vendeu cerca de 23 mil unidades no nosso país. © Thom V. Esveld / Razão Automóvel

A isso junta-lhe um habitáculo muito bem acabado, com um nível de equipamento vasto, com uma boa oferta em tecnologia e segurança e, claro, continua a ser um dos modelos do segmento que mais se destaca no que à versatilidade e espaço diz respeito.

O preço é algo elevado, já o tinha dito e escrito quando o modelo foi lançado, em 2020, mas vem acompanhado de uma garantia de cinco anos sem limite de quilómetros, algo que poucos rivais oferecem.

Preço

unidade ensaiada

30.250

Versão base: €30.250

IUC: €137

Classificação Euro NCAP:

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros em linha
    • Capacidade: 1498 cm3
    • Posição: Dianteira Transversal
    • Carregamento: Injeção direta
    • Distribuição: 2 a.c.c./4 válvulas por cilindros
    • Potência: Motor de combustão: 98 cv entre as 5500-6400 rpm; Motor elétrico: 109 cv
    • Binário: Motor de combustão: 131 Nm entre as 4500-5000 rpm; Motor elétrico: 235 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa redutora (uma velocidade)
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4044 mm / 1694 mm / 1526 mm
    • Distância entre os eixos: 2517 mm
    • Bagageira: 304 litros
    • Jantes / Pneus: 185/55 R16
    • Peso: 1228 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 4,6 l/100 km
    • Emissões de CO2: 104 g/km
    • Vel. máxima: 175 km/h
    • Aceleração: 9,5s
  • Garantias
    • Mecânica: 5 anos sem limite de quilómetros
  • Equipamento
    • Tejadilho de cor exclusiva (cinza)
    • Badge traseiro especial aniversário
    • Bancos mágicos
    • Bancos da frente aquecidos e sistema anti fadiga
    • Volante aquecido em pele
    • Informação de Ângulo morto incl. Monitor de Trânsito lateral
    • Assistência à travagem
    • Sistema de travagem atenuante de colisões
    • Sistema de alerta de esvaziamento de pneus
    • Avisador de colisões dianteiras
    • Controlo da velocidade de cruzeiro com limitador de velocidade
    • Avisador de saída de faixa
    • Sistema assistência à manutenção na faixa de rodagem
    • Função de seguimento a baixa velocidade (Low speed following)
    • Sistema de reconhecimento da sinalização de trânsito
    • Sistema inteligente de acesso e arranque sem chave
    • Espelhos elétricos e aquecidos
    • Câmara traseira de auxílio ao estacionamento
    • Honda CONNECT NAVI Garmin (ecrã tátil de 9", AM/FM/DAB, Apple Carplay e Android Auto)
    • Wireless Apple CarPlay
    • Faróis LED
    • A/C automático com controlo da temperatura
Avaliação
7 / 10
Este exemplar é um de apenas 20 que a Honda Portugal Automóveis preparou e isso confere-lhe uma exclusividade e um apelo pouco comuns neste segmento de modelos. É certo que poucas coisas distinguem esta versão especial das restantes, mas o sistema híbrido e:HEV, a longa lista de equipamento e a modularidade do habitáculo continuam a ser um cartão de visita fortíssimo. O preço é algo elevado, mas a garantia de cinco anos (sem limite de quilómetros) é um bónus que pode ajudar a atenuá-lo.
  • Equipamento
  • Modularidade
  • Consumos
  • Preço
  • Ruído do motor nas acelerações mais fortes
Sabe responder a esta?
Em que ano a designação Type R surgiu nos modelos Honda?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

Type R. A história da linhagem mais desejada da Honda

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