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Ultracarro

V10 e 3106 cv. SP Automotive Chaos, o “ultracarro” grego com números «de doidos»

SP Automotive Chaos é a primeira criação da Spyros Panopoulos Automotive, e anuncia números insanos: até mais de 3000 cv e até 12,4 milhões de euros.

Ficámos a conhecer a grega Spyros Panopoulos Automotive o ano passado quando anunciou pela primeira vez o seu Project Chaos, o derradeiro hipercarro que daria origem a toda uma nova classe de veículos: os “ultracarros” como referem os seus criadores.

Agora temos um primeiro olhar (ainda digital) sobre o “ultracarro” Chaos, assim como sobre as suas especificações e números «de doidos» que até fazem o Devel Sixteen (o tal dos 5000 cv) levantar-se e prestar atenção.

Repare-se no Chaos “Earth Version”, a versão de «entrada» anuncia 2077 cv de potência e 1389 Nm de binário (limitador previsto ficar entre as 10 000 rpm e 11 000 rpm), 7,9s para chegar aos… 300 km/h, mais de 500 km/h de velocidade máxima e menos de 8,1s no clássico quarto de milha (mais rápido que o Rimac Nevera).

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SP Automotive Chaos

O Chaos “Zero Gravity”, a versão suprema deste ultracarro, anuncia 3106 cv e 1983 Nm (limitador previsto ficar entre as 11 800 rpm e 12 200 rpm), incríveis 1,55s para chegar aos 100 km/h, 7,1s até aos 300 km/h e o quarto de milha é (teoricamente) dizimado em 7,5s!

Modéstia é uma palavra que o SP Automotive Chaos não conhece.

Os números fantásticos anunciados são obtidos graças a um V10 (a 90º) com 4,0 l de capacidade sobrealimentado por dois turbocompressores, que envia toda a sua força às quatro rodas do Chaos através de uma caixa de dupla embraiagem com “sete ou oito velocidades”, segundo se pode ler no site da SP Automotive.

Materiais exóticos e impressão 3D para tornar a fantasia realidade

Para lá destas declarações, no mínimo, espantosas que vão obrigatoriamente ter de encontrar eco no mundo físico, o outro grande ponto de interesse do Chaos passa pela sua construção e os materiais com que é feito.

SP Automotive Chaos

O SP Automotive Chaos apoia-se, maioritariamente, na fabricação aditiva, mais vulgarmente conhecida como impressão 3D, para garantir que extrai o máximo de performance de cada componente sem que isso acarrete uma massa excessiva.

Basta ver os valores anunciados de 1388 kg (não sabemos se são a seco ou se já incluem fluídos) para o Chaos “Earth Version” e dos bem mais impressionantes 1272 kg para o Chaos “Zero Gravity”, valores impressionantes para um «monstro» de potência, com tração às quatro rodas — um Bugatti Chiron com 1500 cv «atira-se» para as duas toneladas, por exemplo.

Para conseguir esse feito, a impressão 3D permitiu otimizar o desenho das mais variadas peças, originando intricadas «esculturas» (observem a cambota do motor abaixo, por exemplo) que requerem muito menos material sem que haja perda das características de resistência necessárias.

A impressão 3D, num processo denominado pela SP Automotive de Anadiaplasi, foi usada em quase tudo, desde o bloco e várias peças para o motor (algumas opções apenas estarão disponíveis na versão “Zero Gravity”), como para 78% da carroçaria, passando pelas jantes de 21″ e 22″, pinças de travão, ou pelos quatro escapes.

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Os materiais usados, impressos ou não, não ficam atrás em espetacularidade. A fibra de carbono quase que parece vulgar, quando vemos o Chaos recorrer a ligas de titânio e magnésio, carbono-kevlar, inconel (para os escapes) ou o uso de zylon (polímero sintético) para a monocoque.

SP Automotive Chaos

A suspensão de duplos triângulos sobrepostos, por exemplo, pode ser em liga de titânio ou magnésio e os discos de travão em carbono-cerâmica (442-452 mm à frente, dependendo da versão e 416-426 mm atrás), mordidos por pinças em titânio ou magnésio.

Não parece, mas é grande

O SP Automotive Chaos apresenta um desenho «ultra» agressivo, mas aerodinamicamente otimizado, fazendo uso, por exemplo, de túneis Venturi. Nesta primeira visualização digital, fica a perceção de ser até compacto nas suas dimensões, mas é precisamente o oposto.

SP Automotive Chaos

O “ultracarro” é maior que praticamente os super e hiperdesportivos, anunciando 5,053 m de comprimento, 2,068 m de largura e uns parcos 1,121 m de altura. A distância entre eixos são uns longos 2,854 m.

O carro completo que vemos nas imagens é apenas uma reprodução digital, mas não podemos deixar de mencionar a praticamente inexistente altura ao solo e o vão dianteiro de grandes dimensões que tornam impossível superar até a mais pequena lomba. Vamos ter de esperar pelo primeiro exemplar real para averiguar o quão perto esta versão digital está.

SP Automotive Chaos

O interior é tão exótico como o exterior, para apenas dois ocupantes. O volante, impresso em 3D, pois está claro, parece mais uma manche de avião e integra um ecrã tátil. Existem alguns comandos físicos ao meio e o passageiro também tem direito a um ecrã.

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Tal como o exterior, os materiais usados para o interior não podiam ser mais exóticos. Desde a fibra de carbono ao zylon, passando pelo titânio e magnésio, e não podiam faltar revestimentos em Alcantara.

O conteúdo tecnológico anunciado pela SP Automotive para o Chaos também surpreende: óculos VR, realidade aumentada, conectividade 5G, reconhecimento por impressões digitais e câmaras de reconhecimento facial (que permitem ler as expressões faciais que permitem adaptar a condução do Chaos ao estado de humor e capacidades do condutor) farão parte do seu arsenal.

Entregas arrancam já em 2022

Como seria de esperar, a produção do Chaos será bastante limitada, com a SP Automotive a anunciar um máximo de 20 unidades… por continente. Tendo em conta o exotismo dos materiais e construção, e a produção limitada, não surpreende que o seu preço comece na casa dos sete dígitos.

O Chaos “Earth Version” arranca nos 5,5 milhões de euros, mas o mais exótico (materiais usados e construção) Chaos “Zero Gravity” vê o seu preço subir até uns astronómicos 12,4 milhões de euros!

Fantasia ou realidade?

As especificações e performance anunciadas para o Chaos são de «outro mundo», mas a Spyros Panopoulos Automotive, apesar de recente, tem um histórico real de inovação de 23 anos quando consideramos a obra do seu homónimo fundador, Spyros Panopoulos.

A sua experiência em materiais e técnicas de construção ganhou-a no mundo da competição e do tuning (era ele o dono da eXtreme Tuners) e chegou a colaborar com vários construtores automóveis no desenvolvimento e produção de várias partes com especificações de alta performance para motores de combustão interna.

SP Automotive Chaos

É certo que só quando vermos o Chaos ser devidamente e independentemente testado — o próprio Spyros Panopoulos já disse que iria providenciar um exemplar para ser testado pelo Top Gear —, poderemos retirar este “ultracarro” e os números que anuncia do «mundo da fantasia» em que parecem estar.

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