"Caixa negra" obrigatória nos automóveis novos a partir de 2022. Que dados vai recolher?

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“Caixa negra” obrigatória nos automóveis novos a partir de 2022. Que dados vai recolher?

O sistema de registo de dados ou «caixa negra» começa a chegar aos automóveis novos lançados a partir de julho de 2022, promete aumentar a segurança, mas tem dado muito que falar.

Um dos novos sistemas de segurança que a União Europeia obriga a ter nos automóveis novos lançados a partir de julho de 2022 é o sistema de registo de dados, também chamado de «caixa negra» e é um dos que mais discussões tem motivado.

Inspirado no sistema usado há muito tempo nos aviões, tem sido alvo de vozes dissonantes, que alegam a existência de uma potencial violação da lei de proteção de dados.

Só que já é obrigatório para todos os automóveis novos lançados e a partir de julho de 2024, todos os automóveis novos à venda terão de ter este sistema.

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Acidentes de viação
A «caixa negra» pretende monitorizar os dados de telemetria dos automóveis, oferecendo provas, por exemplo, em caso de acidente.

Os dados registados

Queremos dissipar todas as dúvidas que ainda existem acerca da «caixa negra» neste artigo e a primeira de todas é mesmo o mito urbano de que este sistema terá a capacidade de gravar as conversas que ocorrem dentro do veículo — não vai…

Se é verdade que tal acontece nos aviões, a «caixa negra» dos automóveis vai, em certos aspetos, assemelhar-se um pouco mais ao tacógrafo utilizado nos veículos pesados (uma espécie de tacógrafo do século XXI).

O sistema de registo de dados terá a capacidade para registar, acima de tudo, aquilo que conhecemos como dados de telemetria.

  • A pressão no acelerador ou as rotações do motor;
  • O ângulo de viragem e a velocidade angular em graus;
  • A velocidade nos últimos cinco segundos;
  • O recurso aos travões;
  • A duração do Delta V (aceleração positiva ou negativa);
  • A ativação dos airbags e pré tensores dos cintos;
  • O uso dos cintos de segurança e as dimensões dos ocupantes;
  • A variação da velocidade à qual o veículo foi submetido após o impacto;
  • A aceleração longitudinal em metros por segundo ao quadrado (m/s2).

O principal objetivo deste sistema passa por permitir a «reconstrução» dos acidentes rodoviários, com o intuito de facilitar o apuramento de responsabilidades.

Acabar com a impunidade

Enquanto que, atualmente, para se perceber se antes de um acidente um condutor circulava em excesso de velocidade é necessário recorrer a uma série de medições e peritagens, no futuro bastará aceder à «caixa negra» e será o próprio carro a fornecer essa informação.

Cinto de segurança
O uso do cinto de segurança será um dos dados registados.

Mais útil ainda será a possibilidade de saber se os passageiros estavam a usar o cinto de segurança, algo que atualmente não é fácil de averiguar. A juntar a tudo isto, há quem defenda que estes dados podem também ajudar as marcas de automóveis a melhorar os sistemas de segurança.

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A Volvo Car Accident Research Team analisa os dados de alguns acidentes nos quais os modelos da marca escandinava se viram envolvidos para melhorar a segurança de futuros modelos. Com este sistema, o trabalho dos técnicos suecos será muito mais simples do que é atualmente, como podem relembrar neste artigo.

Quanto aos receios relativos à privacidade, a União Europeia apenas pretende que estes dados sejam consultados em caso de acidente. Além disso, nada indica que estes dispositivos venham a ter capacidade para transmitir os dados registados, servindo em vez disso para os armazenar para quando for necessária a consulta.

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