Carro do ano

Volkswagen Passat. Vencedor do troféu Carro do Ano 1997 em Portugal

Em 1997 o Volkswagen Passat conquista, pela segunda vez, o maior número de votos do jurados, sendo o primeiro automóvel a consegui-lo, desde 1985.

O Volkswagen Passat volta a ser o Carro do Ano em Portugal em 1997 (B5, a 5ª geração, lançado em 1996) depois de ter conquistado esse galardão em 1990 (B3, a 3ª geração) — spoiler alert: voltará a sê-lo em 2006 e 2015 —, a primeira vez que tal feito é conseguido na história do evento nacional.

Esta geração do Passat foi, talvez, a mais significativa — seria o primeiro capítulo de uma nova era não só para o modelo como para a marca. Poucos anos antes do lançamento do Passat B5, em 1993, Ferdinand Piëch toma as rédeas da marca e do grupo, com a missão de não só voltar aos lucros, como estabelecendo objetivos ambiciosos em matéria de produto e posicionamento para a Volkswagen e Audi.

Apesar de ser claro que seria a Audi a marca que melhor rivalizaria com a Mercedes-Benz e a BMW, a sua ambição para a Volkswagen não parecia ser diferente da planeada para a Audi. Piëch encetou um plano para elevar o posicionamento da marca Volkswagen a níveis que qualquer outro na indústria consideraria absurdo. Mas não Piëch, que tinha uma ambição e determinação inabalável.

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Volkswagen Passat B5

Passat, o primeiro ato

É neste contexto que nasce a quinta geração do Volkswagen Passat, o primeiro passo concreto nessa ambição, criando as bases para tudo o que viria a seguir — desde o seminal Golf IV até culminar com modelos como o Touareg e, sobretudo com o Phaeton.

E que salto foi este quinto Passat! Rigor parece ter sido a única palavra de ordem que guiou o seu desenvolvimento, qualidade que emanava de todos os seus poros. Fosse da estética de geometria rigorosa, sólida e de excelente execução — aos olhos de hoje é conservadora, mas teve forte impacto na altura e era a estética certa para as ambições de posicionamento da Volkswagen —; ao interior (espaçoso) que além de refletir a rigorosa estética exterior, tinha as suas partes logicamente dispostas resultando numa elevada ergonomia, revestidos com materiais de corte superior e robustamente montados, deixando a concorrência para trás.

A “cereja no topo do bolo” foi o recurso às fundações do seu “primo” Audi A4 — que tinha ganho o troféu de carro do ano em Portugal um ano antes — prescindindo das mais modestas vindas do Golf, como o antecessor. Fundações que contribuíram de forma decisiva para o superior refinamento e sofisticação que marcaram esta geração. Mais que um patamar acima dos seus rivais, pela primeira vez um Passat podia ser comparado, sem grandes receios, com as chamadas propostas premium.

Não admira que o Passat B5 tenha mudado tanto a percepção sobre o modelo que conhecíamos. Uma mudança de percepção que se refletiu nas tabelas de vendas e impulsionaram o Passat para a liderança do segmento, liderança que se manteve até aos nossos dias.

Proposto em duas carroçarias, sedã e carrinha (Variant), também as motorizações pareciam ter sido decalcadas do “primo” A4. Desde o mais mundano 1.6 l a gasolina, passando pelo 1.8 l de cinco válvulas por cilindro, com e sem turbo, ao V6 de 2.8 l. Seria nos Diesel que conheceria maior sucesso, uma motorização em plena ascensão na Europa, sobretudo com o eterno 1.9 TDI, em inúmeras versões (90, 100, 110, 115 cv), um dos blocos mais reverenciados a saírem de Wolfsburgo. Contaria ainda com um 2.5 V6 TDI, de 150 cv, da Audi.

A proximidade técnica com a Audi garantia ao Volkswagen Passat uma carroçaria galvanizada e uma sofisticada suspensão dianteira multi-braços (quatro braços) em alumínio, tal e qual o A4. Também as linhas rigorosas do Passat revelavam ser bastante aerodinâmicas, com um Cx de 0,27, um valor que, mesmo nos nossos dias, ainda é concorrencial.

Mais estilo e exclusividade

Com o restyling, no ano 2000, veio também uma dose acrescida de estilo (nota-se no desenho mais estilizado da grelha, óticas e respetivo preenchimento) e até um pouco de “brilho”, consequência do novo chefe de design, com o pragmatismo exacerbado original a ser algo atenuado pelos apontamentos decorativos cromados.

Mas a ambição de Piëch em elevar o estatuto do seu modelo e marca mantinha-se inabalado. Como justificar o surgimento em 2001 de um Passat com um motor de oito cilindros em W — em V seria demasiado “comum” — a não ser o de pura ambição, determinação, praticamente esquecendo todo o bom senso?

Será que Piëch tinha tido longe demais depressa demais? As parcas vendas do Passat W8 assim o parecem confirmar — à volta de 11 mil unidades vendidas —, ainda que este monstro de motor, com 4,0 l de capacidade, e uma etiqueta de preço a condizer, possam ter intimidado na mesma medida que fascinado potenciais clientes.

TUDO SOBRE: Lembras-te deste? Volkswagen Passat W8. Leram bem, oito cilindros em W

A quinta geração do Volkswagen Passat é considerada, por muitos, ainda hoje, como o “pico” do Passat — não admira ter conquistado tantos galardões e ter sido o sucesso comercial que foi. Todas as gerações que se seguiram nunca conseguiram verdadeiramente replicar o impacto do Passat B5, ainda que tenham beneficiado das fundações por ele estabelecidas.

volkswagen passat w8

O Volkswagen Passat B5 manter-se ia em produção durante nove anos, com esta a terminar em 2005, sendo a mais bem sucedida geração de um nome que já acumula mais de 30 milhões de unidades produzidas.

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TENS DE VER: Conheça todos os vencedores do Carro do Ano em Portugal desde 1985

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