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EQnator

“Terminator” em forma de SUV. Conduzimos o Mercedes-Benz EQC 4×4²

Com este EQC 4x42 com aspeto de Bigfoot, a Mercedes-Benz quer mostrar de que forma a propulsão elétrica pode traduzir-se em vantagens na condução em todo o terreno puro e duro.

Em Alpes Suábios, Alemanha

O Mercedes-Benz EQC 4×42 rola sobre uns eixos especiais que lhe permitem passar sobre quase tudo o que se possa cruzar no seu caminho. Uma espécie de Terminator em forma de SUV.

A eletromobilidade tem muito a ver com a luta por conseguir mais uns quilómetros de autonomia com a mesma carga de bateria que convida a praticar uma condução muito sensata. Certo? Bom… quase sempre, mas o concept Mercedes-Benz EQC 4×4² manda estes preconceitos pela janela: com as suas rodas enormes colocadas nuns eixos especiais (pórtico) ganha o aspeto de monstro de apetite voraz que devora smarts indefesos ao pequeno-almoço.

“Chamamos-lhe EQnator” (de EQC + Terminator), brinca Hendrik Loos, um dos engenheiros da pequena equipa de desenvolvimento que não enjeita a possibilidade deste 4×4 com ar de ciborgue ser requisitado por algum produtor de filmes para ser protagonista num hipotético novo episódio (nesse caso, o sétimo) da conhecida saga cinematográfica, depois do último capítulo no final de 2019.

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Mercedes-Benz EQC 4×4²
Quem diria que um EQC era capaz de aventuras deste género?

EQC 4×42 imparável!

Este protótipo, que nasceu com o intuito de mostrar o potencial dos 4×4 elétricos, parte da base do EQC 400 4Matic que parece ter sido submetido a uma dieta de esteróides anabolizantes para ficar com os “membros inferiores” insuflados. O segredo são os eixos pórticos em que o eixo principal está acima do centro da roda, enquanto no extremo do eixo (na união com a roda) existe uma caixa de engrenagens.

Como o eixo e a carcaça do diferencial ficam num ponto mais alto, a altura ao solo é muito superior, neste caso 29,3 cm. Isto significa mais do dobro da que existe num EQC regular e também 5,8 cm mais do que um Mercedes-Benz Classe G, por exemplo, considerado por muitos como o monstro sagrado dos veículos de todo o terreno.

E quando comparamos os atributos 4×4 com os de um EQC normal, as diferenças são impressionantes: ângulos de ataque e de saída aumentados de 20º para mais de 30º, ângulo ventral mais do que duplicou (de 11,6º para 24,2º), capacidade de vau muito superior (400 mm em vez de 250 mm), deixando também para trás o Classe G nessas mesmas competências.

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Um EQC “em pontas”

O que pode parecer simples necessitou, no entanto, de bastante engenho. Desde o início do projeto ficou claro que iriam ser usados eixos pórticos, o que implicaria colocar o eixo muito mais acima na união à roda. A Mercedes até tinha a possibilidade de usar os que permitiram transformar o Classe G no G500 4×42, outro elemento da família — este EQC 4×42 é o terceiro elemento, sendo o Classe E All Terrain o segundo — apresentado no início de 2016 e que teve até uma pequena produção em série.

O problema é que esse eixo do G500 não cabia no EQC e a solução passou por adotar o chassis do Classe E All-Terrain 4×4 e adaptá-lo ao EQC, com as cavas das rodas a serem alargadas em 10 cm de cada lado, também para que as jantes de 20” pudessem caber.

Mercedes-Benz EQC 4×4²

Mas, como explica, Juergen Ebeler, que dirigiu o projeto, “este transplante obrigou a procurar algumas soluções rebuscadas como a da colocação de um motor elétrico no lugar do diferencial no eixo traseiro. Para isso, foi também necessário usar um sub-chassis e triângulos de suspensão distintos para que a suspensão pneumática original, com uma afinação um pouco mais seca, coubesse”. Já na suspensão dianteira as alterações foram mais pequenas, indo pouco além de reajuste da cinemática do eixo.

Os programas de condução Offroad são os mesmos do GLC, mas foram acrescentados mais dois (de um total de sete), um deles para terrenos m-e-s-m-o desafiantes a que se chamou Offroad Plus, ainda que tenham sido recalibrados para gerar um binário superior nos arranques em terrenos soltos. O novo modo Offroad tem um novo mapeamento do acelerador para situações em que seja preciso gerir o avanço do SUV “com pinças”, por vezes a velocidades inferiores à do caminhar de um ser humano.

O sistema de propulsão é o que conhecemos, que usa dois motores elétricos (um em cada eixo) de 204 cv e 380 Nm cada, para um rendimento total de 408 cv e 760 Nm, sendo alimentado pela mesma bateria, colocada no piso entre os eixos, de 80 kWh de capacidade utilizável.

Mercedes-Benz EQC 4×4²

O pesado acumulador de energia acaba por ajudar, até, a que este todo o terreno esteja apto para trilhos realmente duros, não só por a bateria ajudar a baixar o centro de gravidade, como também por as proteções que a envolvem permitirem prescindir das proteções adicionais para motor e caixa de velocidades que são comuns neste tipo de veículos. O facto de não existir um volumoso conjunto motor/caixa de velocidades também ajuda a que o diâmetro de viragem seja inferior.

Outra particularidade do EQC 4×42 é a de poder soar tão ameaçador quanto parece. Dentro da cavidade destinada aos faróis dianteiros há também uns altifalantes que emitem o som que melhor exprime o movimento do veículo, de acordo com o modo de condução selecionado e tendo em conta parâmetros como a posição do pedal do acelerador, a velocidade a que o veículo se desloca e o rácio de recuperação de energia. O som é enviado também para o interior do carro com que a Mercedes-Benz propõe conquistar o mundo, sem limites: por isso existe uma tenda no tejadilho e até um pequeno bote insuflável para a viagem continuar mesmo quando já não houver terra mais ou menos firme pela frente.

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Ao infinito e mais além? Sim e não…

Com tanto equipamento dir-se-ia que o principal obstáculo a partir para a aventura à conquista do mundo será mesma a autonomia, que dos anunciados 414 km no EQC normal poderá não ir muito além de metade dessa distância se houver muita exigência em condução TT. Ou seja, tudo bem desde que o fim do mundo seja… perto de casa.

Esta experiência ao volante da “fera” teve lugar numa pedreira cheia de “armadilhas”, de rochas pontiagudas a crateras profundas, além de amontoados de areia arraçados de dunas e que o EQC 4×42 deixou para trás quase sempre sem sequer “se despentear”.

É verdade que não há redutoras, mas com 760 Nm de binário “instantâneos” (porque… elétricos), cruzamentos de eixos enormes e os tais ângulos TT e altura ao solo muito generosos, a caixa de transferências nem sequer fez falta. Também não há bloqueios de diferenciais (como existem num Classe G, por exemplo), mas o controlo de estabilidade ativado pelos travões dá conta do recado.

Pode-se dizer que foi mais difícil subir até ao posto de comando deste EQC 4×42, cerca de 20 cm mais alto, do que propriamente superar os desafios que o terreno foi mostrando. O tabliê é em tudo idêntico ao do EQC “normal”, ao contrário das primeiras sensações em movimento: tanto pela superior altura ao solo como pelo impressionante silêncio da locomoção elétrica, que ainda causa mais impacto aqui neste cenário “de guerra” do que num carro elétrico que se guia em asfalto. O esforço bem audível que os motores são obrigados a fazer para “desatascar” um veículo TT de alguns obstáculos mais difíceis é aqui poupado e substituído por um silêncio apaziguador… e pelo ruído das pedras a bater na parte inferior do SUV ou da areia a ser trucidada pelas jantes de 20”.

A Mercedes-Benz não tem intenções de fabricar em série este EQC 4×42 com ares de mutante, mas a recém-anunciada submarca G poderá beneficiar de vários dos componentes que foram desenvolvidos pela pequena equipa de engenheiros que usou os seus tempos livres para fazer este projeto.

Entre os quais o Classe G 100% elétrico que será um dos mais aguardados pela numerosa falange de adeptos do icónico 4×4 de formas quadradas e que, não num futuro muito distante, irá enfrentar um outro ícone do todo o terreno sobre rodas, o não menos anguloso Hummer elétrico que chegará ao mercado em 2021. Uma verdadeira luta de Terminators em perspetiva…

Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform.

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