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Quatro piscas. Tens a certeza de que os sabes usar?

Vulgarmente conhecidas como "quatro piscas", as luzes de emergência são muitas vezes usadas de forma abusiva ou errada. E tu, achas que as sabes usar?

Luzes de emergência, “quatro piscas” ou luzes de perigo, o famoso botão que permite ligar em simultâneo os quatro indicadores de mudança de direção para assinalar uma situação de perigo é, provavelmente, um dos mais usados em contexto urbano.

Afinal de contas, quantas vezes não nos deparamos com carros estacionados em segunda fila com os “quatro piscas” ligados? Nestes casos, o condutor parece convencido de que estes funcionam como o manto da invisibilidade do Harry Potter, tornando “invisível” aos olhos da lei o carro cujo estacionamento abusivo constitui uma contraordenação.

Outras vezes, e por mim falo, são usados em estrada aberta (e principalmente de noite) para agradecer momentos cada vez mais raros de cortesia ao volante como, por exemplo, o facilitar de uma ultrapassagem ou a cedência de passagem.

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Os portugueses que muitas vezes parecem ter “medo” dos piscas têm, curiosamente, uma relação especial com os quatro piscas. Principalmente em meio urbano. © Razão Automóvel

Mas será que sabes mesmo quando e como é que os “quatro piscas” ou luzes de emergência podem (e devem) ser usados? Neste artigo, olhamos para o Código da Estrada para te dar uma resposta exata.

O que diz a lei?

A utilização dos “quatro piscas”, luzes de emergência ou luzes avisadoras de perigo está prevista no artigo 63º do Código da Estrada e dificilmente este poderia ser mais claro quanto às circunstâncias em que estas luzes podem ser usadas.

Desta forma, e segundo o que prevê o Código da Estrada, os “quatro piscas” podem (e devem) ser usados quando:

  • o veículo representa um perigo especial para os outros utentes da via;
  • em caso de súbita redução da velocidade provocada por obstáculo imprevisto ou por condições meteorológicas ou ambientais especiais (como, por exemplo, quando nos deparamos com um acidente);
  • em caso de imobilização forçada do veículo por acidente ou avaria, se este representar um perigo para os demais utentes da via;
  • o veículo esteja a ser rebocado.

Nos dois últimos casos, se os “quatro piscas” não funcionarem, o condutor deve (se for possível) usar as luzes de presença. Por fim, os “quatro piscas” devem ainda ser usados em caso de avaria do sistema principal de luzes (presença, cruzamento e estrada), algo que, apesar de pouco comum, pode acontecer (eu que o diga).

Já quem violar as normas que te apresentámos incorre numa coima de 60 a 300 euros.

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Estás a ver aquele triângulo? Há quem pareça convencido de que acioná-lo permite estacionar em segunda fila ou parar em lugares proibidos. © Diogo Teixeira / Razão Automóvel

E os restantes casos?

Bem, apresentada a “letra da lei”, escusado será dizer que a utilização dos “quatro piscas” em todas as restantes situações é indevida. No entanto, há que ressalvar um pequeno pormenor (ou será “pormaior”?).

Se usar os “quatro piscas” para agradecer quando um veículo nos facilita uma ultrapassagem dificilmente prejudica alguém e já é conhecido como “gíria da estrada”, o mesmo não acontece quando usamos as luzes de emergência para deixar o carro estacionado em segunda fila, num lugar reservado a pessoas com mobilidade reduzida ou numa paragem de autocarro.

Como é óbvio, o mais provável é muitos de nós já termos usado os “quatro piscas” para desculpar um estacionamento ou paragem num local onde não o devíamos fazer. No entanto, tendo em conta que há todo um enquadramento legal destinado a punir o estacionamento proibido e que este pode ir desde a aplicação de coimas até à remoção do carro, talvez não seja má ideia procurar um lugar.

Afinal de contas, os famosos “quatro piscas” não dão poderes especiais ao carro, não o tornam num veículo prioritário nem fazem as autoridades deixar de o ver a incorrer numa contraordenação.

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