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Onde vamos buscar matérias-primas para fazer tantas baterias? Resposta pode estar no fundo dos oceanos

O risco é real. Pode não haver em número suficiente matérias-primas para fazer tantas baterias. Mas parece haver uma solução no horizonte, ou melhor, no fundo do mar.

Lítio, cobalto, níquel e manganês estão entre as principais matérias-primas que compõem as baterias dos automóveis elétricos. No entanto, nos últimos anos, devido à pressão esmagadora para desenvolver e colocar no mercado muitos mais veículos elétricos, existe o risco real de não haver matérias-primas para fazer tantas baterias.

Um assunto que já abordámos anteriormente — simplesmente não temos capacidade instalada no planeta para extrair as quantidades necessárias de matérias-primas para a quantidade de veículos elétricos esperados e poderá demorar muitos anos até a termos.

De acordo com o Banco Mundial, a procura por alguns dos materiais que usamos para fazer baterias poderá crescer até 11 vezes até 2050, com previsões de haver rupturas no fornecimento de níquel, cobalto e cobre tão cedo como 2025.

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Matérias Primas baterias

Para mitigar ou suprimir a necessidade de matérias-primas, existe uma alternativa. A DeepGreen Metals, uma empresa canadiana de mineração do fundo submarino, sugere como alternativa à mineração terrestre a exploração do fundo do mar, mais precisamente, do oceano Pacífico. Porquê o oceano Pacífico? Porque é lá, pelo menos numa área já determinada, que se encontrou uma enorme concentração de nódulos polimetálicos.

Nódulos… quê?

Também chamados nódulos de manganês, os nódulos polimetálicos são depósitos de óxidos de ferromanganês e outros metais, como os que são necessários à produção de baterias. O seu tamanho varia entre 1 cm e 10 cm — não parecem mais que pequenas pedras —, estimando-se que possam haver reservas de 500 mil milhões de toneladas no leito oceânico.

Nódulos polimetálicos
Não parecem mais que pequenas pedras, mas nelas estão concentradas todos os materiais para fazer uma bateria para um automóvel elétrico.

É possível de encontrá-los em todos os oceanos — já são conhecidos vários depósitos um pouco por todo o planeta —, e até já os encontraram em lagos. Ao contrário da extração de minério terrestre, os nódulos polimetálicos estão assentes sobre o fundo oceânico, não sendo necessário qualquer tipo de atividade de perfuração. Aparentemente, basta simplesmente… recolhê-los.

Quais as vantagens?

Ao contrário da mineração terrestre, a recolha de nódulos polimetálicos tem como principal vantagem o seu impacto ambiental que é muito inferior. Isto de acordo com um estudo independente encomendado pela DeepGreen Metals, que comparou o impacto ambiental entre a mineração terrestre e a recolha de nódulos polimetálicos para fazer mil milhões de baterias para veículos elétricos.

Os resultados são prometedores. O estudo calculou que as emissões de CO2 são reduzidas em 70% (0,4 Gt no total em vez de 1,5 Gt recorrendo aos métodos atuais), são necessários menos 94% e 92% de área de terreno e floresta, respetivamente; e por fim, não existem resíduos sólidos neste tipo de atividade.

O estudo também refere que o impacto na fauna é 93% inferior quando comparado com a mineração terrestre. No entanto, a própria DeepGreen Metals refere que apesar do número de espécies animais ser mais limitada na área de recolha no fundo oceânico, a verdade é que ainda não se sabe assim tanto sobre a variedade de espécies que possam por lá viver, logo não se sabe qual o impacto real nesse ecossistema. É intenção da DeepGreen Metals efetuar um estudo mais aprofundado, por vários anos, sobre os efeitos a longo prazo no leito oceânico.

"A extração de metais virgens de qualquer fonte é, por definição, não sustentável e gera danos ambientais. Acreditamos que os nódulos polimetálicos são uma parte importante da solução. Contém elevadas concentrações de níquel, cobalto e manganês; são efetivamente uma bateria para um veículo elétrico numa rocha."

Gerard Barron, CEO e presidente da DeepGreen Metals

De acordo com o estudo, os nódulos polimetálicos são constituídos por quase 100% de materiais usáveis e não são tóxicos, enquanto os minerais extraídos da terra têm uma menor taxa de aproveitamento e contém elementos tóxicos.

Poderá estar aqui a solução para conseguir as matérias-primas para fazer tantas baterias que vamos precisar? A DeepGreen Metals acha que sim.

Fonte: DriveTribe e Autocar.

Estudo: Where Should Metals for the Green Transition Come From?


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