Apresentação

Czinger 21C. Mais que um hiper-desportivo, é uma nova forma de fazer automóveis

O Czinger 21C não é apenas mais um hiper-desportivo… O recurso à impressão 3D e a um novo tipo de linha de montagem, faz dele um vislumbre para o futuro da produção automóvel.

No Salão de Genebra que deveria ter acontecido, seria revelado publicamente o novo, norte-americano e balístico Czinger 21C. Sim, é mais um hiper-desportivo com números avassaladores de potência, aceleração e velocidade máxima.

Apesar de, hoje em dia, parecer surgir um hiper-desportivo novo todas as semanas, há muito a destacar no Czinger 21C, como o seu design, marcado por um cockpit bastante estreito. Só possível pela disposição dos dois lugares, em fila (tandem) e não lado a lado. Resultado: o 21C junta-se aos poucos modelos que oferecem posição de condução central.

No que toca à performance, destaque para a promessa de apenas 29s para cumprir os ambiciosos 0-400 km/h-0, um valor inferior aos 31,49s conseguidos pelo Koenigsegg Regera. Para compreender como tal poderá ser possível, o melhor é mesmo começar pelos seus números…

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1250 kg ou menos

Começamos pela sua baixa massa, uns baixos 1250 kg para a versão de estrada, ainda uns mais baixos 1218 kg para a versão focada para circuitos que podem ser reduzidos a 1165 kg, caso só o usemos exclusivamente em circuito.

1250 kg é um valor bastante baixo neste universo dos hiper-desportivos, e para mais acompanhados por 1250 cv de potência máxima combinada. Combinada? Sim, pois o Czinger 21C é também um veículo híbrido, integrando três motores elétricos: dois no eixo dianteiro, garantindo tração integral e vetorização de binário, enquanto o terceiro está junto ao motor de combustão, servindo de gerador.

A alimentar os motores elétricos está uma pequena bateria de titanato de lítio de apenas 1 kWh, uma escolha não muito comum no mundo automóvel (algumas versões do Mitsubishi i-Miev vinham com este tipo de bateria), mas mais rápidas que as de iões de lítio no que toca ao carregamento.

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2.88 V8

Mas é o motor de combustão de concepção própria, no entanto, que merece todos os destaques. Trata-se de um compacto V8 bi-turbo com apenas 2.88 l, cambota plana e um limitador às… 11 000 rpm(!) — mais um que ultrapassa a barreira das 10 000 rpm, para mais sobrealimentado, juntando-se aos V12 atmosféricos do Valkyrie e do T.50 de Gordon Murray.

Czinger 21C
V8, mas com apenas 2.88 l

A potência máxima deste 2.88 V8 é de 950 cv às 10 500 rpm e 746 Nm de binário, com a máquina elétrica a fornecer os equídeos em falta para atingir os 1250 cv de potência máxima combinada anunciada. A Czinger refere ainda que o seu V8 bi-turbo, ao conseguir 329 cv/l, é também o motor de produção que mais potência específica tem.

Contas feitas, 1250 cv para 1250 kg trata-se de uma criatura com uma relação peso/potência de apenas 1 kg por cavalo — as prestações não podiam ser nada mais que balísticas…

É rápido? Sem dúvida

Fugazes 1,9s e já estamos nos 100 km/h; 8,3s é o suficiente para efetuar os 402 m de uma clássica drag race; dos 0 aos 300 km/h e de volta aos 0 km/h, apenas 15s; e, como já referimos, a Czinger anuncia apenas 29s para fazer os 0-400 km/h-0, um valor inferior ao do recordista Regera.

Czinger 21C

A velocidade máxima anunciada é de 432 km/h para a versão de estrada, com a versão de circuitos a “ficar-se” pelos 380 km/h — culpe-se (em parte) os mais de 790 kg de downforce a 250 km/h, quando comparados com os 250 kg à mesma velocidade da versão de estrada.

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Por fim, a transmissão é do tipo transaxle (transeixo) com a caixa de velocidades a ser do tipo sequencial com sete velocidades. Tal como o motor, também a transmissão é de concepção própria.

Para lá dos números

No entanto, para lá dos números impressionantes, é a forma como o Czinger 21C (abreviação de 21st Century ou Século XXI) foi concebido e será produzido que chama a atenção. Apesar de só agora o Czinger 21C de produção ter sido revelado, na realidade foi em 2017 que o vimos pela primeira vez, ainda como protótipo, e chamado de Divergent Blade.

Czinger 21C
Posição de condução central. O segundo passageiro fica atrás do condutor.

Divergent é a empresa que desenvolveu as tecnologias necessárias à produção do Czinger 21C. Entre elas encontramos a fabricação aditiva, mais vulgarmente conhecida como impressão 3D; e também é dela a concepção da linha de montagem, ou melhor, célula de montagem do 21C, mas já lá iremos…

Não é coincidência que por detrás da Divergent encontramos nas funções de CEO, Kevin Czinger, o fundador e CEO da… Czinger.

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Impressão 3D

A fabricação aditiva ou impressão 3D é uma tecnologia com um elevado potencial disruptivo quando aplicada à produção automóvel (e não só), e o 21C torna-se, assim, no primeiro carro de produção (apesar de apenas serem 80 unidades no total) onde podemos ver extensas partes da sua estrutura e chassis a serem obtidos desta forma.

Czinger 21C
Uma das muitas peças resultantes do recurso à impressão 3D

A impressão 3D no 21C é usada em peças de formas complexas, à base de uma liga de alumínio — os materiais mais usados no 21C são o alumínio, fibra de carbono e titânio —, impossíveis de produzir a partir de métodos de produção convencionais, ou então a requerer duas ou mais peças (posteriormente unidas) para conseguir a mesma função de uma peça só.

Talvez um dos componentes onde vemos esta tecnologia a ser usada de forma mais dramática seja nos orgânicos e complexos triângulos da suspensão do Czinger 21C, onde os braços são ocos e de espessura variável — ao permitir formas “impossíveis” a impressão 3D possibilita a otimização estrutural de qualquer componente para lá do que era possível até agora, usando menos material, reduzindo o desperdício e não menos importante, o peso.

Além da impressão 3D, o Czinger 21C recorre também a métodos convencionais de produção, por exemplo, integra também peças extrudidas em alumínio.

Linha Célula de montagem

As novidades não se ficam pela impressão 3D, a linha de produção do 21C também não é nada convencional. A Divergent diz não ter uma linha de produção, mas uma célula de produção. Ou seja, em vez de vermos um veículo a ganhar forma ao longo de um corredor ou corredores numa fábrica, neste caso vemos, concentrados num espaço de 17 m por 17 m (bem mais compacto que o espaço ocupado por máquinas-ferramenta numa linha de montagem), um grupo de braços robô, capazes de se mover 2 m por segundo, a montar o “esqueleto” do 21C.

Czinger 21C

De acordo com Lukas Czinger, diretor da automação e fabricação (e filho de Kevin Czinger), com este sistema deixa de ser necessário ter máquinas-ferramentas: “não é baseado numa linha de montagem, mas numa célula de montagem. E é feito com uma precisão que não é muito vista na indústria automóvel”.

Cada uma destas células tem capacidade para montar 10 mil estruturas de veículos por ano com um custo muito inferior: apenas três milhões de dólares, contra os mais de 500 milhões de dólares da montagem de uma estrutura/carroçaria tradicional.

Czinger 21C

Ainda de acordo com Lukas, em menos de uma hora, estes robôs conseguem montar toda a estrutura do Czinger 21C, segurando-a em posições distintas, enquanto as várias partes são instaladas.

Além disso, esta solução é extremamente flexível, permitindo que num curto espaço de tempo os robôs possam montar veículos totalmente distintos, obedecendo a outras ordens dadas na programação — algo que também não é viável numa linha de produção convencional.

A Top Gear teve oportunidade de visitar a fábrica da Czinger, dando-nos a conhecer melhor as tecnologias que o 21C encerra, tanto ao nível da impressão 3D, como a forma como este é montado.

Quanto custa?

Serão produzidos apenas 80 unidades — 55 unidades do modelo de estrada e 25 do modelo de circuito —, e o preço base, sem impostos, é de 1,7 milhões de dólares, aproximadamente 1,53 milhões de euros.

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