Mercado

O ano de 2018 foi (ainda) mais negro para os Diesel

Mudou o ano mas não a tendência. Depois de 2017 ter revelado uma quebra nas vendas dos Diesel, 2018 veio confirmar os dias negros para estes motores.

Numa semana em que muito se tem falado acerca dos Diesel por cá (tudo graças à polémica em volta das declarações do Ministro do Ambiente), os dados divulgados pela JATO Dynamics vieram confirmar que se 2017 foi um ano negro para as vendas dos Diesel na Europa, 2018 não lhe ficou nada atrás.

Com uma quota de mercado de apenas 36% (uma queda de 7,8% em relação ao ano passado) no mercado europeu — que cresceu apenas 0,1% em 2018 —, os motores Diesel não foram além de valores alcançados em 2001, isto já depois de em 2017 a quota de mercado deste tipo de motores ter descido para os 43,8%, o valor mais baixo desde 2003.

Se compararmos os 36% de quota de mercado alcançados no ano passado com os 55% alcançados em 2011, ou até com os 51% atingidos em 2015, não é difícil perceber que as vendas dos Diesel estão em queda desde que o Dieselgate se tornou público, em 2015.

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Volume de vendas também em queda

Como seria de esperar, a queda na quota de mercado também se refletiu no volume de vendas dos Diesel. Assim, em 2018 as vendas de automóveis com motorização Diesel ficaram-se pelas 5,59 milhões de unidades, sendo preciso recuar até 2001 para encontrar um resultado mais baixo, quando foram registados 5,44 milhões de automóveis com este tipo de motorização.

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Diesel continua a liderar em Portugal

Se em 2017 os motores Diesel ainda lideravam as vendas em seis países, em 2018 estes viram o seu domínio reduzido a apenas três: Irlanda, Portugal e Itália. Para além disso, estes três países são os únicos em que os Diesel ainda correspondem a mais de 50% do mercado.

Por cá, mesmo depois de uma quebra de 7,8% em relação a 2017 (ano em que a quota de mercado se ficou pelos 61%) os Diesel não só lideraram o mercado como corresponderam a mais de 50% das vendas. Aliás, em toda a Europa só há um país onde os Diesel atingiram uma quota de mercado superior a Portugal, a Irlanda, que ainda assim viu as vendas destes motores caírem 10,7%.

Já a Itália, que em entre 2016 e 2017 só tinha visto as vendas dos Diesel caírem cerca de 1% (tendo até alcançado uma quota de mercado em 2017 superior à de 2011, 56,5% face a 55%) viu as vendas deste tipo de motorização caírem 5,1%.

Por fim, a França ultrapassou o Reino Unido estabelecendo-se como o terceiro maior mercado dos motores Diesel em termos de volume de vendas atrás da Alemanha e da Itália. A incerteza acerca do Brexit e as dúvidas acerca de possíveis proibições de circulação levaram o mercado dos Diesel no Reino Unido a cair para valores de 2004 (32%, uma quebra de 10,3% em relação a 2017).

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Diesel ainda é rei entre os premium

Apesar da quebra nas vendas, os motores Diesel continuam a liderar as preferências de quem compra modelos premium de marcas como a Audi, Mercedes-Benz, BMW ou Volvo. Senão vejamos, entre as dez marcas que mais automóveis com motor Diesel vendem, oito são premium, sendo que este tipo de motorização correspondeu a mais de metade das vendas.

No entanto, entre as 83 marcas analisadas, apenas três viram as vendas dos Diesel crescerem em relação a 2017, sendo que a DS assistiu ao maior crescimento passando dos 44% para os 49%. O ano de 2018 foi ainda sinónimo de abandono dos motores Diesel por parte de várias marcas, umas para apostarem na eletrificação e outras apenas porque estes já representavam valores de vendas reduzidos.

E o futuro?

Os números de 2018 confirmaram que “o pânico Diesel” é uma realidade, com uma percentagem considerável dos consumidores europeus a abandonarem estas motorizações. No entanto, de acordo com a JATO Dynamics, a tendência é que após dois anos de queda acentuada, esta seja mais moderada nos próximos anos.

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Os analistas referem ainda que, ao contrário do que aconteceu inicialmente, a queda nas vendas já não se deve tanto a escândalos mas sim ao aumento da oferta de modelos híbridos e elétricos. Ao mesmo tempo, a JATO Dynamics aponta as “mensagens pouco claras” acerca dos Diesel por parte dos governos como outra das causas do declínio deste tipo de motores.

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