Desde 28 350 euros

Ao volante da melhor combinação motor-caixa do Honda Civic

A expetativa para este teste ao Honda Civic Sedan foi completamente virada do avesso. Os culpados são o 1.5 i-VTEC Turbo, a caixa manual e o chassis.

Supostamente, o Honda Civic Sedan é o mais familiar e “conservador” dos Civic. O mais familiar, já que a atual geração, a 10ª, não contempla uma carrinha como o predecessor. O Sedan, berlina de quatro portas, é mais comprido que o de cinco portas, e é a capacidade da bagageira a beneficiada — são mais 99 l do que o hatchback, totalizando 519 l.

O mais “conservador” porque atenua a agressividade visual excessiva do hatch, ao reduzir a dimensão das falsas entradas e saídas de ar presentes nas extremidades.

Mas ainda não convence. Pessoalmente, considero-o ainda excessivo — sobretudo nas extremidades —, logo desnecessário; e longe, muito longe, dos atributos visuais mais assertivos e depurados do Civic de há cinco gerações — sim, foi preciso recuar até aos anos 90 para encontrar, talvez, o último Civic Sedan genuinamente e visualmente apelativo — comparem na galeria abaixo.

Considerações estéticas à parte, regressemos ao “supostamente” inicial. Supostamente, porque não foi preciso passar muito tempo, ou quilómetros, para o caráter mais familiar do Sedan ficar quase esquecido. Deixei para trás questões de praticidade, versatilidade e espaciais — aquelas que interessam em veículos familiares —, e dei por mim completamente absorvido pelo trinómio motor-caixa-chassis.

Tirando o Type R da equação, esta é definitivamente a melhor combinação motor-caixa do Honda Civic.

Trinómio de respeito

E caramba (!), que combinação. O motor, 1.5 i-VTEC Turbo, tem 182 cv e 240 Nm, sempre com excelente resposta, turbo lag imperceptível, oferece prestações já interessantes, como os 8,4s dos 0 aos 100 km/h atestam. Mas é a sua disponibilidade que marca, tornando o acesso a todo o seu potencial bastante fácil — podem chamá-lo de VTEC, mas com a potência máxima alcançada logo às 5500 rpm, e o binário máximo disponível a partir das 1900 rpm, não é necessário “espremê-lo” e esperar pelo kick para andar depressa.

A segunda parte desta combinação é a transmissãoCVT aqui? Nem vê-la. Trata-se de uma deliciosa caixa de seis velocidades manual, de manuseamento leve, mas mecanicamente preciso, na melhor tradição japonesa. Apesar do binário “gordo” sempre ali… ao “pé” de semear, a experiência tátil da caixa faz com que a usemos só pelo gozo de a usar.

Honda Civic Sedan 1.5 i-VTEC Turbo Executive

E por fim o chassis — um dos pontos fortes de todos os Civic. A elevada rigidez torcional fornece fundações sólidas para o trabalhar da suspensão — o eixo traseiro é também independente —, que garante um comportamento preciso e neutro, mas nunca unidimensional. A direção é leve, precisa e rápida, e o eixo dianteiro acompanha-a, respondendo de forma imediata.

Experiência de condução

A experiência de condução é claramente o destaque do Honda Civic Sedan 1.5 VTEC Turbo com caixa manual. É uma máquina genuinamente interativa, que convida a uma condução mais espigada — daí talvez os consumos acima dos 8,0 l/100 km verificados —, talvez não a mais adequada para um familiar. Têm sempre disponíveis opções como a CVT, ou o mais pacato 1.6 i-DTEC, que compensa com consumos bastante comedidos.

A experiência de condução é ainda para mais enriquecida por uma posição de condução excelente, acompanhada por bancos com muito bom suporte.

O Honda Civic Sedan é mais baixo que a média — apenas 1,416 m de altura —, assim como a sua posição de condução. Esta assemelha-se a um desportivo, onde as pernas vão mais esticadas que o habitual — para os que gostam de SUV e irem sentados como se estivessem à mesa, este não é o carro para vocês.

Proposta de cariz familiar, mas do meu ponto de vista, a condução deste Civic Sedan assemelha-se mais a outras de cariz desportivo… E tudo sem modos de condução inúteis — o Civic revela como “perder tempo” a desenvolver apenas um bom setup é superior a ter dois, três ou mais à escolha, que parecem nunca acertar na mouche.

Honda Civic Sedan 1.5 i-VTEC Turbo Executive

Nem tudo é perfeito

Se o exterior é controverso, o interior, apesar de não o ser tanto, dificilmente convence. Seja pelo desenho confuso; pelo sistema de info-entretenimento — tanto a nível gráfico como a nível operacional —; até pelos comandos no volante, que são bastantes, mas não permitem, por exemplo, fazer reset ao computador de bordo — para isso temos um “pau”, que emerge diretamente do painel de instrumentos, para o fazer… porquê?

E nem me falem dos comandos sensíveis ao toque, para aumentar ou diminuir o volume do rádio…

Felizmente, todo o interior é bem construído, não há ruídos parasitas, e os materiais oscilam entre os algos moles e duros, dependendo da área do habitáculo.

Quatro portas, mas prático

Apesar de quase me ter esquecido de que estava a conduzir um carro com propósitos familiares, é importante referir que os predicados familiares do Sedan equivalem-se ou superiorizam-se ao cinco portas, excetuando num pormenor. Esperem encontrar espaço atrás generoso; a bagageira, como já referimos, é (praticamente) 100 l maior do que a do hatchback, e os bancos também rebatem (60/40).

Mas trata-se de um quatro portas. Isso significa um acesso à bagageira pior do que no cinco portas, sobretudo quando se trata de volumes de maiores dimensões, já que o bocal de acesso é mais pequeno. A solução seria adotar a mesma… solução do Skoda Octavia, que apesar do formato de três volumes, tem um portão traseiro como um dois volumes, integrando o óculo traseiro.

Quanto custa

O Honda Civic 1.5 i-VTEC Turbo Executive testado é a versão de topo dos Civic Sedan, o que significa que vem equipado com “todos os molhos” — os opcionais dos outros níveis de equipamento são, aqui, de série. O único opcional existente refere-se apenas à pintura metalizada, que adiciona 550 euros aos 33 750 euros pedidos — a versão Comfort, de acesso, começa nos 28 350 euros. Para o que oferece, tanto a nível de equipamento, como pelas suas características intrínsecas, até o preço é competitivo.

Preço

unidade ensaiada

34.300

Versão base: €33.750

IUC: €169

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil. em linha
    • Capacidade: 1498 cm3
    • Posição: Transversal Dianteira
    • Carregamento: Injeção direta, Turbo, Intercooler
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 valv. cil.
    • Potência: 182 cv às 5500 rpm
    • Binário: 240 Nm entre as 1900 e 5000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 vel.
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4,648 m / 1,799 m / 1,416 m
    • Distância entre os eixos: 2,698 m
    • Bagageira: 519 l
    • Jantes / Pneus: 215/50 R17
    • Peso: 1354 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,8 l/100 km
    • Emissões de CO2: 131 g/km
    • Vel. máxima: 210 km/h
    • Aceleração: 8,4s
  • Equipamento
    • Sistema de Travagem Atenuante de Colisões
    • Avisador de Colisão Frontal
    • Avisador de Saída de Faixa de Rodagem
    • Sistema de Assistência à Manutenção na Faixa de Rodagem
    • Controlo Inteligente da Velocidade de Cruzeiro Adaptável
    • Informação de Ângulo Morto
    • Monitor de Trânsito Lateral Cruzado
    • Câmara retrovisora multiangular
    • Sistema Inteligente de Acesso e Arranque sem chave
    • Estofos em Pele
    • Punho da Alavanca das Mudanças em Pele
    • Pedais em Aluminio
    • A/C automático com controlo duplo da climatização
    • Faróis LED, Automáticos com Sensor de Luz
    • Sensores de Estacionamento (Dianteiros e Traseiros)
    • Espelhos Retrácteis das Portas com Comando à Distância (através da chave)
    • Regulação Elétrica do Apoio Lombar do Banco do Condutor e Passageiro
    • Bancos Aquecidos (Dianteiros e Traseiros)
    • Honda CONNECT NAVI Garmin — ecrã tátil 7", Apple CarPlay, Android Auto
    • Carregamento sem fios
    • Teto de abrir
    • Câmara Traseira de Auxílio ao Estacionamento
Extras
Pintura metalizada — 550€;
Avaliação
8 / 10
Excluindo o Civic Type R, a combinação do motor 1.5 i-VTEC Turbo e da caixa manual de seis velocidades, é sem dúvida a mais conseguida de todos os Civic. Para aqueles que necessitam de uma proposta familiar, mas não querem prescindir de uma condução eficaz, mas imersiva, é difícil não recomendá-lo. É uma das propostas mais interativas e entusiasmantes do segmento, mas convém controlar os ânimos, que os consumos facilmente disparam. O interior tem espaço de sobra, mas apesar da montagem robusta, o desenho do interior é um tanto ou quanto confuso com "muita coisa a acontecer", tal como no exterior. As maiores críticas vão mesmo para o sistema de info-entretenimento — gráficos e operação —, e alguns comandos sensíveis ao toque, de uso algo delicado e pouco intuitivo. O nível de equipamento Executive, como topo de gama, é muito completo — só existe um extra —, o que torna o seu preço bastante competitivo.
  • Disponibilidade do motor
  • Tato e precisão da caixa manual
  • Comportamento preciso e neutro
  • Posição de condução
  • Gráficos e operação do sistema de info-entretenimento
  • Alguns comandos no volante e consola central
  • Consumos

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