Abarth Day 2018

Testámos TODOS os Abarth da atualidade em pista

O mês passado fui picado por um escorpião. Sintomas? Êxtase, adrenalina e suores frios. E não fui o único… mais de 300 pessoas sofreram do mesmo mal na 6ª edição do Abarth Day.

Em Braga, Portugal

Transformar carros pequenos em carros de alta performance, explorar cada detalhe para oferecer uma experiência de condução entusiasmante. É este o espírito Abarth desde 1949. Uma marca que nasceu como tantas outras: pequena e com recursos limitados. Tão pequena que nos seus primórdios, não era sequer uma marca de automóveis, era uma preparadora de modelos de baixa cilindrada.

Mas esta pequena preparadora tinha um algo mais. Esse algo mais era um homem, Carlo Abarth. Um intrépido apaixonado pela engenharia, pela mecânica, pela performance, e por esse vício quase poético que é a velocidade — se quiseres perder uns minutos de vida (não reembolsáveis) a ler sobre a temática «paixão pela velocidade» vê este link.

Piloto de motociclismo, quis o destino que dois acidentes graves quase roubassem a vida a Carlo Abarth. Não roubaram e nem sequer beliscaram a paixão que nutria pela velocidade. E por isso, impossibilitado de viver as sensações únicas da velocidade em duas rodas, virou-se para as quatro rodas e fundou a Abarth.

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Quem foi Carlo Abarth?

Carlo Abarth era um intrépido apaixonado pela velocidade e pela engenharia. Quão apaixonado? Perdeu 30 kg de peso para caber num dos seus modelos (Fiat Abarth 750) com o objetivo de bater uma série de recordes de velocidade, entre os quais a maior distância percorrida em 24 horas.

Felizmente, Carlo Abarth não guardou essa paixão só para si…

Carlo Abarth fundou a Abarth em março de 1949, após vários anos nas «más companhias» de Ferdinand e Ferry Porsche, Anton Piëch, Tazio Giorgio Nuvolari, entre outros gigantes da engenharia, indústria e desporto automóvel.

Carlo Abarth

Com todo o know-how adquirido nesses anos, a “marca do escorpião” começou a desenvolver peças especiais para modelos de baixa cilindrada, com especial apetência pelos modelos da Fiat. O objetivo de Carlo Abarth para a sua marca, em termos comerciais, era simples porém ambicioso: democratizar o acesso à velocidade e ao prazer de conduzir. E começou por produzir escapes de alto rendimento, aproveitando toda a experiência do mundo das duas rodas.

O «boom» da Abarth

O primeiro grande sucesso comercial de Carlo Abarth — vamos deixar os feitos desportivos para outro artigo… — foram os kits completos de transformação para o Fiat 500. E porquê o Fiat 500? Porque era leve, acessível e, com pouco investimento, absurdamente divertido de conduzir. O sucesso não tardou, e depressa as «Cassetta di Trasformazione Abarth» — ou em português «Caixas de Transformação Abarth» — ganharam fama dentro e fora das pistas.

Quase 70 anos depois, o espírito de Carlo Abarth continua bem vivo, não se apagou, nem tão pouco esmoreceu.

As «Cassetta di Trasformazione Abarth» continuam a ser produzidas — podendo ser adquiridas para qualquer modelo da Abarth —, a Abarth é hoje uma verdadeira marca de automóveis, e a legião de fãs de emoções fortes continua viciada na picada do escorpião.

Cassetta Trasformazione Abarth
Uma das famosas cassettas (caixas) da Abarth. Um belo presente de Natal…

Eu fui testemunha disso mesmo no Abarth Day 2018, que se realizou o mês passado no Circuito Vasco Sameiro em Braga. Evento no qual tive oportunidade de sentir pela primeira vez, a picada do escorpião.

Testei todos, mas mesmo todos os modelos da Abarth num dia que ficará para sempre na minha memória.

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Vamos para a pista?

Com toda a gama Abarth alinhada no «pit lane» do Circuito Vasco Sameiro, difícil foi escolher por onde começar. Com o Abarth 124 Spider, Abarth 695 Biposto e restante gama Abarth à minha disposição a expressão “tanto faz” ganhou mais sentido que nunca.

Abarth Day
E tu, qual escolhias?

Na falta de melhor critério decidi começar pelo Abarth 595, o modelo mais acessível da gama Abarth. Com 145 cv de potência, apenas 1035 kg de peso e uma aceleração dos 0-100 km/h de apenas 7,8s, há «veneno» suficiente no Abarth 595. A partir de 22 250 euros já temos acesso a um concentrado de diversão muito interessante. Se faz sentido em circuito, em cidade…

Quatro voltas depois estava de regresso ao «pit lane», com menos borracha nos pneus mas com um sorriso nitidamente mais rasgado no rosto. Seguiu-se o Abarth 595 Pista (desde 25 250 euros), que é uma série especial e uma versão intermédia da gama 595. Assim que rodei a chave, notei de imediato uma grande diferença: a nota de escape. Mais presente, mais encorpada… mais Abarth.

Abarth 595 Photo AIFA/Jorge Cunha
Mesmo na versão de acesso o Abarth 595 já permite momentos de diversão muito interessantes.

Arranquei com a certeza que levava nas mãos algo mais «espigado». Os 160 cv de potência desta versão notam-se não tanto a baixos regimes, mas na transição dos médios para os altos regimes. A grande diferença desta versão nem é tanto a potência, mas sim o «software» disponibilizado, nomeadamente o sistema Uconnect de 7″ com Uconnect Link e Abarth Telemetry.

Abarth 595 AIFA/Jorge Cunha
Diversão assegurada.

Ainda assim, era notório que chegava às curvas ligeiramente mais depressa e podia levar mais momento para a curva, fruto das jantes de liga leve de 17″.

Seguiu-se o Abarth 595 Turismo (desde 28 250 euros), no qual vimos a potência do 595 subir para uns «sumarentos» 165 cv de potência, fruto da adoção de um turbo Garrett 1446 no motor 1.4 T-Jet. Mas não é só mais potência que ganhamos, com a versão Turismo ganhamos acabamentos exclusivos, amortecedores traseiros Koni com válvula FSD (Frequency Sective Damping).

Abarth 595 AIFA/Jorge Cunha
Como ou sem capota, as diferenças dinâmicas não são significativas.

Face à edição especial 595 Pista, é difícil encontrar diferenças significativas para o 595 Turismo. Naturalmente, em termos estéticos as diferenças notam-se, mas em termos de performance, as diferenças em pista não são tão notórias. É quando nos sentamos ao volante do Abarth 595 Competizione que sentimos um verdadeiro salto em termos de potência e performance na gama 595.

Travamos mais tarde, aceleramos mais cedo e curvamos mais depressa. Agradeçam aos préstimos dos 180 cv de potência (filtro de ar BMC, Turbo Garrett 1446 e ECU específica), ao diferencial autoblocante mecânico e aos amortecedores Koni FSD (Ft/Tr).

Abarth 595 competizione
A picada do «escorpião» é forte neste Competizione.

Nota-se que em termos dinâmicos estamos ao volante de algo muito especial. Um «pequeno foguete» capaz de cumprir os 0-100 km/h em apenas 6,7s e alcançar os 225 km/h.

Tanta potência em tão pouco carro tornam a sua condução delicada? Admiravelmente não.

Atacamos as curvas sempre apoiados na dianteira, com a traseira a seguir de forma religiosa todos os movimentos. É pena que não seja possível desligar totalmente as ajudas eletrónicas, principalmente em circuito, porque em cidade a liberdade que o ESP permite é suficiente para fazer de qualquer pedaço de asfalto uma espécie de kartódromo. Quem nunca…

Sobre o Abarth 695 Biposto não vou escrever quase nada, a não ser B-R-U-T-A-L! É um carro de corridas com matrícula e piscas para andar na estrada. Se querem saber mais sobre esta máquina vejam o teste do Nuno Antunes ao 695 Biposto.

Abarth 695 Biposto
Um Abarth 695 Biposto no seu habitat natural.

Quanto ao Abarth 695 Rivale, bem… é tudo aquilo que escrevi sobre o 595 Competizione com o acréscimo de estilo, exclusividade e luxo que as versões 695 oferecem. Limitado a 3000 unidades, tem acabamentos feitos à mão e pormenores exclusivos a perder de vista (logótipos, tapetes, tablier com detalhes em madeira, carroçaria bicolor, etc). Ah… e o escape da Akrapovic que emana um som que impõe respeito.

Faz swipe na galeria:

Finalmente o Abarth 124 Spider

Por esta altura já tinha cumprido seguramente mais de 30 voltas ao Circuito Vasco Sameiro. Com o traçado totalmente memorizado, era a altura ideal para «expremer» o Abarth 124 Spider.

Abarth 124 AIFA/Jorge Cunha
Não lhe falta agressividade.

Se podemos olhar para os Abarth 595 como «balas citadinas», prontas para fazer de uma ida ao supermercado uma experiência emocionante, então devemos olhar para o Abarth 124 Spider como um estradista por excelência, cujo seu habitat natural são estradas de montanha.

No Abarth 124 Spider tudo foi pensado para maximizar as sensações ao volante.

Posição de condução, comportamento da direção, resposta do motor, barulho e travagem. O Abarth 124 Spider transporta consigo toda a aura dos roadsters. Temos um chassis desenvolvido de raiz para ser um roadster (ao contrário da maioria dos seus concorrentes) e isso sente-se pelo equilíbrio em pista. Com apenas meia volta ao traçado de Braga senti-me logo à vontade para desligar todas as ajudas eletrónicas.

Abarth 124 AIFA/Jorge Cunha
Derivas destas saem com naturalidade.

O eixo dianteiro, servido por suspensões de triângulos duplos tem um ótimo feedback, e a traseira é bastante progressiva. Em circuito pedia-se apenas um pouco mais de firmeza no conjunto mola/amortecedor mas para o quotidiano parece-me ser a afinação ideal.

As derivas de traseira são uma constante, bem como a confiança nas reações deste 124 Spider.

Celebrar o espírito Abarth

Terminei o dia exausto, afinal de contas, testei uma mão cheia de carros em circuito. Exausto mas feliz porque o espírito de Carlo Abarth continua bem vivo.

A Abarth podia ser apenas uma invenção do departamento de marketing da Fiat, mas não é. É uma marca independente, com o seu próprio ADN e com recursos exclusivos. As versões 695 são montadas à mão, limitadas e muito exclusivas como se exige em modelos desta natureza.

Fiat Abarth 2000
Um dos mais belos concept da Abarth. Pequeno, leve, potente e belo como Carlo Abarth apreciava.

No dia seguinte a ter estado no Circuito Vasco Sameiro, mais de 300 viaturas Abarth juntaram-se para a 6ª edição do Abarth Day. Celebrou-se o legado de Carlo Abarth, mas acima de tudo celebrou-se a paixão pela velocidade, pela performance e pelo prazer de conduzir.

Motores, máquinas, amor pelos automóveis, paixão pela velocidade. É uma doença, uma bela porém louca doença, que afetou toda a humanidade, e que fez de nós ferverosos admiradores de tudo o que é mais e mais veloz, de tudo o que é mecanicamente perfeito.

Carlo Abarth, fundador da Abarth

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Em que ano a Chrysler e Fiat passaram a ser a FCA?
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Mas podes descobrir a resposta aqui:

Sergio Marchionne. Recordamos o legado do «homem forte» da Fiat

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