Velocidade

A Humanidade e a paixão pela velocidade

Velocidade. Arriscamos por ela, por vezes demais, acabando alguns por dar a vida por ela. O ópio da humanidade é a velocidade.

Primeira, segunda, terceira, trava! Segunda, trava! Agora é a fundo, agora é sempre a fundo! O Homem ama a velocidade. Nós amamos a velocidade. Eventualmente a velocidade é derradeira paixão da humanidade.

Competir, ser mais rápido, ser melhor. Está na nossa génese, não há volta a dar. Pálpebras dilatadas, mãos suadas, coração acelerado: pum-bum pum-bum pum-bum.

Rodamos a chave, ligamos o motor e desligamos a razão — excepto nas vias públicas! Somos só nós, o automóvel e a estrada. A tríplice quase perfeita. Quando menos damos por isso, ZÁS! Já estamos viciados na velocidade.

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Gyronaut X1 — a mota mais rápida do mundo, em 1966
Gyronaut X1 — a mota mais rápida do mundo, em 1966

Não é fácil exprimir por palavras a derradeira emoção da velocidade. Por isso vamos a factos históricos que são prova deste amor. Um amor que como amor que é, faz o homem superar-se. Foi a procura pela velocidade que alimentou muitas das inovações tecnológicas que hoje dispomos.

A velocidade foi e continua a ser terreno fértil de inovações, tanto na indústria aeronáutica como na indústria automóvel. Mesmo que só depois do pico de adrenalina — normalmente atingido na competição — encontre aplicação «útil» no nosso quotidiano. Mas encontra! Mais tarde mas encontra sempre…

A velocidade já foi inclusivamente palco de confrontos titânicos entre nações. Já separou famílias e já nos roubou alguns heróis, heróis que ironicamente devem à velocidade esse mesmo reconhecimento. Já alimentou indústrias e continua a alimentar, mas acima de tudo alimenta-nos a alma e faz-nos sentir mais vivos do que algumas nos sentiríamos sem a experimentar.

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Quem já sentiu arrepios ao ver uma corrida, a conduzir ou mesmo a competir sabe do que estou a falar. Aos outros, aos quais as minhas palavras não fazem sentido, nada tenho a dizer. Nunca vão entender…

Afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com o seu capot ornado com grossos tubos semelhantes a serpentes de sopro explosivo… um automóvel que ruge e parece correr sobre a metralha é mais belo do que a Vitória de Samotrácia.

Fillipo Marinetti, Manifesto Futurista

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