Goodwood Festival of Speed 2018

Um cliente quis um Cygnet V8. A Aston Martin disse “Sim, podemos fazer”

De capítulo para esquecer da história da marca, a uma das estrelas de Goodwood. Este é o Aston Martin Cygnet V8… leram bem… V8.

O Aston Martin Cygnet não é, definitivamente, o ponto mais alto da história centenária da marca britânica. Não era mais que um Toyota iQ pós-rinoplastia e um interior forrado com materiais mais nobres, ao qual depois era acrescido um preço “à Aston Martin”.

O seu nascimento resultou de uma necessidade para cumprir a meta de redução de emissões impostas pela UE, mas acabou por ser sinónimo de um flop comercial de proporções bíblicas — estima-se que o número total de Cygnet produzidos sejam inferiores a mil.

Mas agora, ele renasce das cinzas qual fénix, e qual híbrido “infernal”, trocou o “motorzinho” da Toyota pelo 4.7 V8 que equipava o anterior Vantage! Agora sim… já soa mais a algo da Aston Martin. “O derradeiro carro citadino” é como a marca se dirige a ele.

 

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O motor tem de ser maior que o carro, não?

Este bizarro monstro é criação da Q by Aston Martin – Commission, a divisão que trata daqueles pedidos muito especiais dos seus clientes. E sem cerimónias, foi mesmo assim que este Cygnet V8 surgiu. Um cliente, com mais dinheiro do que bom senso, — e com um sentido de humor negro, imaginamos  —, dirigiu-se à Aston Martin com este peculiar pedido, e a Aston Martin disse… sim.

Altura de arregaçar as mangas… como é que conseguiram encaixar o V8 do Vantage e a sua transmissão semi-automática na frente do iQ, desculpem, do Cygnet? Fácil — aparentemente —, cortando muito metal. A antepara que separa o compartimento do motor do habitáculo teve de sair para que o motor coubesse no minúsculo compartimento anteriormente ocupado por um quatro cilindros de 1.3 l, pelo que uma nova foi construída; assim como foi feito um novo túnel de transmissão — oh yeah… este “bebé” é tração traseira!

Aston Martin Cygnet V8
Não estão a ver mal. É um 4.7 V8 montado longitudinalmente no compartimento do motor de um Cygnet

A integridade estrutural de todo o (pequeno) corpo é garantido por uma roll cage integral; e o motor, ao “invadir” o habitáculo, obrigou a retirar os bancos traseiros e a recuar os dianteiros. Aparte as vias bastante mais largas, não deixa de impressionar o quão semelhante por fora o Cygnet V8 se mantém às suas origens. O alargamento das vias surge da necessidade de colocar uma suspensão — derivada de componentes do anterior Vantage — e rodas capazes de digerir tanta potência —as jantes, forjadas de cinco braços, cresceram das originais 16 polegadas para 19, e os pneus são bem mais largos (275/35).

Mais rápido do que o Vantage

O V8 do anterior Vantage S extraía dos seus 4700 cm3 cerca de 436 cv e 490 Nm, capaz de garantir prestações de desportivo aos mais de 1600 kg do coupé. Mas o pequeno Cygnet V8 é consideravelmente mais leve, ao pesar “apenas” 1375 kg, com todos os fluídos a bordo — apenas 3,15 kg/cv. De acordo com a Aston Martin, os 4,2s necessários para atingir os 96 km/h (60 mph) melhora o tempo do Vantage S, e a velocidade máxima deste “monstro de Frankenstein” é de 274 km/h… vou repetir, 274 km/h… num iQ/Cygnet!

E soa muito bem mesmo:

Felizmente pára tão eficazmente como anda para a frente. Mais uma vez, os engenheiros da Aston Martin foram ao Vantage S buscar muitos dos componentes do sistema de travagem, incluíndo os discos dianteiros de 380 mm com pinças de seis pistões e de 330 mm com pinças de quatro pistões atrás.

Feito para conduzir. Depressa.

A distância entre eixos mantém-se nuns muitos curtos 2,02 m, mas a largura é 22 cm superior (1,92 m) à do Cygnet original — só podemos para já imaginar como será o comportamento desta criatura.

Mas tudo no Cygnet V8 foi pensado para uma condução rápida… muito rápida. Os bancos foram substituídos por bacquets em materiais compósitos, de costas fixas, da Recaro, com arnés de quatro apoios; existe um extintor em conformidade com as regras da FIA; o volante, em Alcantara, é removível; o painel de instrumentos, também proveniente do Vantage, é em carbono.

O conforto não foi totalmente esquecido com a presença do ar condicionado — sim, houve espaço para o instalar —, vem munido de duas entradas USB, e até tem pequenos toques de luxo, ou não fosse um Aston Martin, como as duas pegas em pele para abrir as portas, cujo painéis interiores passam a ser em carbono.

O derradeiro citadino? Sem dúvida nenhuma…

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