Chega em agosto

Jaguar I-Pace. Simplesmente o melhor elétrico que já conduzi

Com preços que se iniciam no 80 400 euros, o Jaguar I-Pace tem tudo para ser um verdadeiro sucesso de vendas no segmento premium. Não faltam qualidades ao SUV elétrico da Jaguar, mas também lhe podemos apontar alguns defeitos.

Em Portimão, Portugal

O título deste artigo é arriscado? Talvez seja. Mas foi isso que senti. O Jaguar I-Pace é simplesmente o melhor elétrico que já conduzi. E digo isto depois de ter testado a esmagadora maioria dos elétricos à venda no mercado nacional.

Sem querer entrar em comparações excessivas — até porque não esse o objetivo deste primeiro contacto — tenho de o fazer. O Tesla Model S P100D que testei há cerca de 4 semanas (e que brevemente será publicado no canal de YouTube da Razão Automóvel) oferece simplesmente a aceleração mais avassaladora que já experimentei aos comandos de um veículo de quatro rodas. Mas como veremos, o Jaguar I-Pace oferece algo mais…

Uma afirmação que ganha ainda mais força se tiveres em consideração que no último mês conduzi o novo BMW M5 e o Jaguar XE SV Project 8. A primeira vez que esmaguei o acelerador do modelo americano fiquei incrédulo com a resposta. A aceleração é tão forte que chega a causar vertigens. Sim, vertigens…

Abusei e o I-Pace manteve sempre a postura.

Mas deixem-me ir direto ao assunto: o Tesla é atualmente a referência da indústria em veículos elétricos. É o alvo que todas as marcas querem abater e não têm conseguido. E não é só uma questão de potência. É também uma questão de tecnologia e conforto, mesmo que o Model S já não ter argumentos para superar as últimas gerações de modelos como o Audi A6, BMW Série 5 ou Mercedes-Benz Classe E munidos de modernas plataformas. Nem vale a pena subir para o patamar do Audi A8 e companhia…

Convém não esquecer que a plataforma do Tesla Model S já conta com mais de 7 anos.

Nem as imagens, nem o vídeo fazem jus aos obstáculos que o I-Pace conseguiu superar.

E aquilo que afirmei sobre o Tesla Model S também vale para o Tesla Model X — rival indireto do Jaguar I-Pace. Indireto porque em termos de dimensões o Tesla é maior.

Resumindo… no que a veículos elétricos diz respeito ainda ninguém bateu a Tesla.

Até agora…

O império contra-ataca

Como vimos, a Tesla deu uma lição a toda a indústria automóvel, ao lançar-se sem «medos nem receios» no terreno pantanoso que os veículos 100% elétricos foram durante muitos anos. Uma aposta arriscada mas que começa a dar os seus frutos.

Escolhe um. Desde que seja azul ou cinzento…

Dito isto, seria de espera que as principais marcas alemãs — líderes nos segmentos premium — fossem as primeiras a dar réplica, mas não foram. A réplica veio da relativamente pequena Jaguar. Uma marca que depois de anos sem rumo, encontrou finalmente um destino que se avizinha risonho graças a um considerável empurrão de capitais vindos da Índia — mais concretamente do bolso do senhor Ratan Naval Tata.

Em tempo recorde — pouco mais de três anos — a Jaguar pensou, desenvolveu e produziu um modelo que conseguiu antever aquelas que são atualmente as grandes tendências do mercado: formato SUV, motorização elétrica e forte aposta na conectividade. Esqueceram-se apenas da condução automatizada…

Mais uma vez os alemãs ficaram a ver navios.

Jaguar I-Pace. O melhor elétrico que já conduzi

Não é o mais potente, não é o mais tecnológico mas o Jaguar I-Pace foi, sem margem para dúvidas, o melhor elétrico que já conduzi.

O Jaguar I-Pace combina como poucos modelos SUV uma estética simplesmente soberba, à qual não será alheia a assinatura de um génio do design chamado Ian Callum. Sentados ao seu volante, felizmente a estética tem réplica no trabalho de engenharia de chassis, suspensões, motores e baterias.

Vejam neste vídeo as minha considerações sobre o Jaguar I-Pace:

Se o Tesla Model S é o melhor elétrico em que já viajei, o Jaguar I-Pace é o melhor elétrico que já conduzi. O trabalho do chassis é soberbo e a resposta dos motores elétricos com uma potência combinada de 400 cv são a cereja no topo do bolo. No dia em que 400 cv de potência não for suficiente o mundo está perdido…

Os modelos norte-americanos da Tesla são mais confortáveis, mas o Jaguar I-Pace é mais envolvente.

Prazer de condução

Em condução desportiva o Jaguar I-Pace sente-se, curva e responde como um carro convencional, e oferece, em simultâneo, as vantagens reconhecidas aos carros elétricos, nomeadamente a resposta imediata ao esmagar do acelerador.

No I-Pace aceleramos dos 0-100 km/h em apenas 4,8 segundos e superamos os 200 km/h com facilidade.

Kiss the apex.

Mas é quando atiramos o Jaguar I-Pace para as curvas que o nosso sorriso ganha outra intensidade. As rodas nos extremos da carroçaria, o baixo centro gravítico e a experiência acumulada na produção de excitantes desportivos faz toda a diferença. A direção tem ótimo feedback, não existe praticamente nenhum adornar de carroçaria e os travões não se cansam.

Nota-se aqui toda a experiência dos engenheiros da Jaguar. E não levem a mal as comparações com a Tesla, até porque se o faço é porque estou a compará-lo com o melhor que se faz no segmento dos elétricos.

Onde é que o Jaguar I-Pace perde?

Mais do que um defeito, foi uma decisão da marca. Mais confortável ou mais dinâmico? Claramente a Jaguar optou pela segunda opção.

Ian Callum voltou a acertar. Concordas?

Ainda que não seja desconfortável, o Jaguar I-Pace sente-se mais desportivo do que seria de prever. Algo que é conseguido com prejuízo das reações em piso degradado, com o nosso esqueleto a abanar mais do que seria espectável num SUV que se quer (na maioria das vezes…) mais preocupado com o conforto.

Para quem gosta de conduzir, este é o elétrico do momento. Nem há outro!

Como comecei por dizer, o Tesla Model S P100D pode até ser mais rápido (muito mais rápido) em linha reta, mas quanto a mim, a verdadeira diversão começa quando acabam as retas. E nesse ambiente o Jaguar I-Pace não tem qualquer problema em medir forças com nenhum modelo. Seja ele elétrico ou equipado com motor de combustão.

Não te estás a esticar Guilherme?

Não me estou a esticar. Antes de receber «carta verde» para espremer o Jaguar I-Pace em circuito a marca inglesa emprestou-me um Jaguar F-Type para tirar as medidas ao circuito. Se senti saudades do barulho do motor de combustão? Senti. Se o F-Type curva melhor? Curva.

Mas caramba! O Jaguar I-Pace não está a um mundo de distância do seu primo desportivo e não temos de levar os putos na bagageira. E isso é sem dúvida uma grande vantagem, principalmente para os putos…

Mais. O I-Pace não se cansa. Como viste no vídeo mais acima, espremi tanto quanto podia as baterias, os travões e o chassis do I-Pace e não senti qualquer quebra de performance.

Jaguar Portugal
Um dos muitos Jaguar F-Type à nossa disposição cedidos pela Jaguar.

Confrontei um dos engenheiros com estas sensações e a resposta não se fez tardar: “ao contrário dos Tesla, o nosso I-Pace consegue dar uma volta ao Nürburgring sem sobreaquecer. Alias, podemos dar as voltas que quisermos”.

Quando o departamento SVO pegar no Jaguar I-Pace esperam coisas muito boas. Muito boas mesmo… a base de partida já é excelente.

O calcanhar de Aquiles do Jaguar I-Pace

Nota-se que a postura dinâmica do Jaguar I-Pace foi claramente uma decisão da marca — as suspensões pneumáticas podiam ter um espectro de amortecimento mais amplo. Mas no que diz respeito aos sistemas ativos de apoio à condução não foi o caso. Simplesmente a Jaguar não teve argumentos.

Face ao AutoPilot da Tesla os sistemas do Jaguar I-Pace não podem nada.

Temos travagem automática? Sim. Temos avisador de ângulo morto? Temos. Temos cruise-control adaptativo? Também temos. Mas a assistência na manutenção na faixa de rodagem não é de última geração e encontra-se a anos-luz do que as restantes marcas premium oferecem.

Interior bem construído onde apenas alguns materiais (bem escondidos) destoam.

De resto, o ambiente a bordo não é tão hi-tech como os Tesla mas ainda assim contamos com um sistema de infotainment com ligação à internet, hotspot wifi, GPS, ecrã tatil para o controlo da climatização e mais uma miríade de pequenos gadgets.

A questão da autonomia

A questão da autonomia é cada vez menos uma questão — pelo menos nos elétricos com preços acima dos 50 000 euros. Tendencialmente, o problema da autonomia vai passar a ser uma nota de rodapé.

Jaguar i-pace ipace portugal review (2)

Com um pack de baterias de iões de lítio de 90 kWh, que podem ser recarregadas, até 80%, em apenas 40 minutos num carregador rápido de corrente contínua a 100 kW, o Jaguar I-Pace garante paz de espírito mesmo nas viagens mais longas.

A marca anuncia 480 km de autonomia, já de acordo com o novo ciclo WLTP.

Mas vamos supor que não resta outra hipótese senão recorrer a um carregador de parede de corrente alternada do tipo wallbox (7,3 kW) — algo obrigatória na garagem de qualquer proprietário de um veículo elétrico. Nesse caso, para alcançar os mesmos 80% de carga serão necessárias mais de 10 horas. Nada de dramático portanto.

Pelas estradas do Algarve.

O futuro é elétrico? Pode ser. Mas para já é apenas uma realidade ao alcance de quem têm mais de 50 000 euros para dar por um automóvel. Abaixo deste valor, as propostas ainda não chegaram a este nível de autonomia.

O Jaguar I-Pace chega a Portugal em Agosto com preços a partir de 80 400 euros.

Primeiras impressões

8 / 10
Tal como referi no vídeo, a Jaguar fez all-in com o I-Pace. Resultado? Adiantou-se a toda a concorrência. De uma marca com a tradição da Jaguar não se esperava menos que isto: um modelo bem construído e com uma dinâmica exemplar. Será um sucesso de vendas? Será, tanto quanto o seu preço permitir.

  • Autonomia;

  • Capacidade de mala e habitabilidade

  • Comportamento dinâmico;

  • Estética;

  • Conforto em piso degradado;

  • Sistemas de apoio à condução;

Preço

80.400

Data de comercialização: Agosto 2018


Sabes responder a esta?
Como é que se chama o sistema de infotainment do novo Classe A?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Teste completo ao novo Mercedes-Benz A180d (W177)

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