Condução autónoma

Condução autónoma. Investigadores alertam para as interferências das tempestades solares

Numa altura em que a condução autónoma é colocada em causa com o registo do primeiro acidente mortal, cientistas vêem agora alertar para as interferências que podem surgir da radiação que atravessa o nosso planeta.

Segundo investigadores do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas em Boulder, no Colorado, EUA, fenómenos naturais que frequentemente atingem o nosso planeta, como as tempestades solares, as quais levam a um aumento da atividade magnética e da radiação, podem interferir com o bom funcionamento dos sistemas de condução autónoma.

Em causa ficam, por exemplo, as ligações entre o sistema GPS do carro e o satélite que vai indicando à viatura o caminho a tomar. Existindo mesmo o perigo de, no caso das tempestades solares mais fortes (a escala vai de 0 a 5), os sistemas elétricos e de comunicações falharem.

Carros autónomos não podem ficar entregues só ao GPS

Para Scott McIntosh, diretor do Observatório de Alta Altitude, estrutura inserida no Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas de Boulder, os construtores automóveis não podem deixar os carros autónomos entregues apenas e só aos sistemas de GPS, já que, as interferências a que estes estão sujeitos, podem torná-los um perigo para os humanos.

Volvo XC90 Condução Autónoma 2018
Volvo XC90 Drive Me

Existem muitas implicações decorrentes desta opção, especialmente quando analisada sob um ponto de vista atual. A verdade é que tal poderá resultar numa série de acidentes, sendo que será a indústria a sofrer as repercussões

Scott McIntosh, diretor do Observatório de Alta Altitude, à Bloomberg
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LIDAR é solução, diz indústria

No entanto, também é verdade que as equipas de engenheiros envolvidas no desenvolvimento da condução autónoma começaram já a desenvolver formas de combater esta permeabilidade aos fatores externos.

Nomeadamente, fazendo com que a tecnologia que está na base da condução autónoma confie mais nos sensores e no LIDAR — uma tecnologia ótica, que recorre a lasers instalados nas viaturas, capaz de “ver” o espaço em redor, medindo a distância entre si e os obstáculos —, assim como nos mapas de alta definição instalados nos sistemas de navegação. Soluções que, no caso do automóvel ser atingido por fenómenos naturais externos, permitirão, à partida, que a viatura continue o seu curso, sem problemas de maior.

Chrysler Pacifica Waymo Autonoma 2018

Nvidia defende mais-valia da redundância

Para Danny Shapiro, diretor sénior da divisão automóvel na Nvidia Corporation, companhia responsável pelo desenvolvimento dos chips e sistemas de inteligência artificial utilizado pela grande maioria dos construtores automóveis, a questão da interferência provocada pelos fenómenos naturais é algo facilmente ultrapassável. A oferta de carros autónomos terá de contar com suficientes sistemas redundantes, capazes de garantir uma resposta à altura, quando confrontados com este tipo de situações. E que, dessa forma, dispensam o recurso a satélites.

Com a informação detalhada que os sistemas instalados na viatura já conseguem recolher com vista, por exemplo, a uma mudança segura e autónoma de faixa, ou na percepção das faixas exclusivas para bicicletas, a verdade é que nem sequer existe tempo para pegar em todos esses dados, enviá-los para a cloud e ficar à espera de recebê-los de volta, já processados. Isso é possível, sim, de fazer, quando somos confrontados com questões de momento, como, por exemplo, qual é o caminho mais rápido para o Starbucks mais próximo.

Danny Shapiro, diretor sénior da divisão automóvel na Nvidia Corporation

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