Diesel

Diesel. Como evitar problemas no filtro de partículas, EGR e AdBlue

As complexas e dispendiosas avarias nos sistemas anti-poluição dos motores Diesel, nomeadamente no filtro de partículas (que também estão a chegar aos motores a gasolina), são o principal receio na hora de comprar um automóvel Diesel. Mas dessas dores de cabeça podem ser evitadas.

Nunca os motores Diesel foram tão falados. Seja pelo Dieselgate, seja porque alguns construtores decretam o fim dos motores a gasóleo, ou ainda porque na mesma altura marcas como a Mercedes-Benz lançam-se agora com os modelos plug-in Diesel, quando tudo parece remar contra — excepção feita para Mazda, como já é habitual.

É um facto que as apertadas leis anti-poluição têm apertado o cerco às motorizações Diesel, com os construtores a terem que unir esforços para conseguir, cada vez mais, reduzir as emissões poluentes.

Os sistemas anti-poluição — válvula EGR, filtros de partículas e redução catalítica seletiva — têm sido os principais aliados para cumprir as exigentes metas. Tecnologias que têm os seus inconvenientes, nomeadamente quando não sabemos lidar com elas…

As complexas e dispendiosas avarias nos sistemas anti-poluição, nomeadamente no filtro de partículas, são o principal receio na hora de comprar um automóvel Diesel, mas estas podem ser evitadas

O artigo é extenso, mas vai valer a pena para prolongares a vida dos componentes e do teu carro a gasóleo, e poupar alguns trocos na carteira, para além de ficares a conhecer cada um dos sistemas.

Válvula EGR (Exhaust Gas Recirculation)

Como o nome indica, a válvula EGR (válvula de recirculação dos gases de escape) — uma tecnologia que remonta à década de 70 — faz com que uma porção dos gases de escape gerados durante a combustão regressem à câmara de combustão para incinerar as partículas poluentes.

É um dos mecanismos que permite controlar as emissões NOx (óxidos de azoto), que são geradas num reduzido intervalo de altas temperaturas e pressões no interior do cilindro.

O NOx é um dos poluentes mais prejudiciais à saúde humana.

Válvula EGR
Válvula EGR.

Os gases são reconduzindos para a admissão, onde são novamente queimados na câmara de combustão, o que permite baixar a temperatura no interior da câmara durante a combustão, reduzindo assim a geração de NOx e, ao mesmo tempo, queimando os NOx já gerados e presentes nesses mesmos gases de escape.

Causas e consequências

A válvula EGR está posicionada entre o coletor de escape e o coletor de admissão, e também tem as suas desvantagens. A principal é precisamente o “retorno” dos gases de escape, fazendo com que o coletor e todo o circuito de admissão acumulem sujidade, podendo restringir a potência e a eficiência do motor. Normalmente recebes um aviso, ao acender-se a luz do motor.

Isto pode significar que a válvula EGR não está a funcionar a 100%.

Se registares que a temperatura do motor está ligeiramente superior ao normal, também pode significar excesso de sujidade na válvula EGR. Com os consumos acontece a mesma coisa. Valores mais altos sem motivo aparente, podem ser justificados com alguma obstrução da EGR.

Um trabalhar instável ao ralenti, e falhas na resposta em baixos e médios regimes é provavelmente mais uma falha na EGR.

Em caso de anomalia, antes da substituição da válvula EGR, deves fazer uma limpeza da válvula. É bastante simples e normalmente tem bons resultados, tanto no andamento do automóvel, como na tua carteira.

válvula egr
Prevenção

Como prevenção, e mesmo que não tenhas problemas de maior, efetua a limpeza da EGR nas revisões. Evita esforços quando o motor ainda está frio e evita conduzir sempre a baixa rotação.

VÊ AQUI: Porque não deves conduzir a baixa rotação?

Filtro de partículas (FAP)

O filtro de partículas Diesel está concebido para eliminar as partículas de fuligem dos gases de escape, e está localizado no sistema de escape. É uma tecnologia mais recente que a tecnologia EGR, e passou a ser obrigatório a partir de 2010, para cumprir as normas anti-poluição Euro 5.

Ao contrário de um catalisador em que os gases passam por canais abertos nos monólitos cerâmicos ou metálicos, no filtro de partículas isso não acontece. A finalidade destes filtros é prender a fuligem e a seguir eliminá-la, incinerando-as a altas temperaturas.

Como qualquer filtro, estes sistemas também precisam de ser limpos regularmente, de forma a poderem manter a sua função. O processo de regeneração é periódico, despoletado após a fuligem acumulada atingir um certo nível. É possível eliminar, durante este processo, até 85% da fuligem e em algumas situações quase 100%.

fap filtro de partículas
Causas e consequências

A forma de fazer esta regeneração do filtro, varia consoante a tecnologia usada pelos fabricantes automóveis, no entanto pressupõem sempre uma determinada temperatura do motor e gases de escape (entre 650 e 1000 ºC) e um certo período de tempo. Pelo que a forma como usamos o carro determina e muito a saúde e longevidade deste componente.

Os percursos citadinos frequentes (normalmente curtos) ou o uso pouco frequente do automóvel, faz com que os filtros não atinjam a temperatura ideal para conseguir efetuar a regeneração e queimar as partículas.

Estas ficam acumuladas no filtro, aumentando a contrapressão no escape, fazendo com que o automóvel vá perdendo rendimento e aumentando o consumo de combustível. Caso a regeneração não aconteça, poderá acender a luz de avaria no painel de instrumentos, a informar que algo está mal com o filtro de partículas.

É possível iniciar-se um processo de regeneração se conduzirmos por mais ou menos 10 minutos, a velocidades superiores a 70 km/h, obrigando o motor a circular a regimes um pouco mais elevados que o normal.

A NÃO PERDER: Fiat. A marca que «inventou» os motores Diesel modernos

Ignorando o aviso outro tipo de avarias podem surgir. O carro poder entrar em modo de segurança. Se isto acontecer a resolução já poderá exigir a deslocação a uma oficina para ser feita a regeneração.

Caso a regeneração já não seja possível, pois o nível de partículas existentes no filtro é muito elevado, será necessário a sua substituição, o que acarreta custos avultados.

A vida útil dos filtros de partículas depende muito, tanto do automóvel, como da condução que é feita, e pode ir dos 80 mil quilómetros, aos 200 mil quilómetros (até mais). A substituição também pode ser feita quando se deteta que o mesmo já não consegue regenerar, ou por alguma situação no motor ou sensores que tenha danificado irremediavelmente o filtro.

Prevenção de avarias
Evita trajetos curtos e a pouca utilização do teu carro, assim como condução constante a baixas rotações. As alterações à centralina e reprogramações, também podem não ter efeitos benéficos para o filtro de partículas.

SCR e AdBlue

Este aditivo — não é um aditivo de combustível, como alguns referem — chegou até nós mais recentemente, em 2015, e uma vez mais foi criado para conseguir atingir os níveis de emissões exigidos, sobretudo dos óxidos de azoto (NOx) no caso dos Diesel, já sob a norma Euro 6. Até então era usado apenas nos veículos pesados.

A solução passa pelo sistema SCR — Redução Catalítica Seletiva —, cujo funcionamento ocorre através da utilização do líquido AdBlue.  O sistema SCR é basicamente uma espécie de catalisador, instalado no sistema de escape, que desagrega os gases provenientes da combustão, separando os óxidos de azoto (NOx) dos restantes.

adblue

O AdBlue é uma solução aquosa de ureia (32,5% de ureia pura, 67,5% de água desmineralizada) que é injetada no sistema de escape, provocando uma reação química quando em contacto com os gases, desagregando o NOx dos restantes gases e neutralizando-os, transformando-os em gases inofensivos — vapor de água e azoto.

A solução não é tóxica, mas é altamente corrosiva, motivo pelo qual o abastecimento é normalmente feito na oficina, e os fabricantes desenvolvem o sistema de forma a que a autonomia do depósito seja suficiente para percorrer os quilómetros entre revisões.

O sistema é totalmente independente e não interfere com a combustão no interior do motor, conseguindo eliminar até 80% das emissões de óxido de azoto, sem afetar performances e consumos.

Causas e consequências

São raras as avarias conhecidas neste sistema, no entanto, tal como nos filtros de partículas, podem se verificar problemas idênticos, como é o caso de uma limitação de potência e até mesmo a impossibilidade de arrancar com o carro. Isto pode acontecer por falta do “aditivo” AdBlue, que provoca mesmo a imobilização do veículo, ou algum outro tipo de anomalia no sistema, e que esteja a impossibilitar o processo do sistema SCR.

Vê nesta galeria as recomendações para o bom funcionamento de um sistema AdBlue:

Neste caso, os percursos urbanos e a pouca utilização do carro, apenas vai levar a um maior consumo de AdBlue, devido às condições pouco favoráveis. Nem todos os automóveis que recorrem a este sistema têm um indicador do nível de AdBlue, mas todos estão preparados para alertar o condutor quando o nível de AdBlue está baixo, altura em que ainda é possível percorrer alguns milhares de quilómetros até abastecer.

Os depósitos de AdBlue são pequenos, uma vez que o consumo é de aproximadamente dois litros para cada mil quilómetros, e o preço de cada litro é de aproximadamente um euro.

adblue

Aqui a prevenção é feita apenas com o cuidado de não deixar o líquido AdBlue terminar. Bons quilómetros!

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