Em Portugal em abril

Mitsubishi Eclipse Cross. O início de uma nova era.

O Mitsubishi Eclipse Cross é a proposta da marca para o segmento dos SUV médios, um dos mais competitivos atualmente. Tem tudo o que é preciso para vingar?

Em Girona, Espanha

Nada como celebrar o centésimo aniversário de existência com o lançamento de um novo modelo. Totalmente no zeitgeist, mas também fiel à sua história, a marca lançou um novo crossover/SUV para concorrer no disputado segmento onde se encontram os líderes europeus Nissan Qashqai e Volkswagen Tiguan. O seu nome? Eclipse Cross.

Não podemos deixar de apontar o dedo ao nome. Apesar da rica história da marca no mundo fora de estrada, a Mitsubishi também tem um belo legado no mundo dos coupés e desportivos. E Eclipse é sinónimo de coupé. Passar a fazer parte da identidade de um SUV, que a marca o intitula de SUV Coupé (o que for que isso signifique), não é a mesma coisa — e no Salão de Tóquio o nome Evolution também passou a fazer parte dum… crossover elétrico.

O fim de uma era

Esqueçamos o nome e concentremo-nos no modelo em si. O Eclipse Cross posiciona-se entre ASX e o Outlander. Para melhor separar os três modelos, também ficámos a saber que o próximo ASX irá ficar mais pequeno, rivalizando com propostas como o Renault Captur ou o Peugeot 2008, e o Outlander irá crescer.

Não deixa de ser algo irónico que o modelo que inicia o processo de renovação e de uma superior percepção da marca acabe por ser, efetivamente, o fim de uma era. A marca japonesa passou a fazer parte, recentemente, da Aliança Renault Nissan, renomeada Aliança Renault Nissan Mitsubishi. O que torna o Eclipse Cross, provavelmente, no último modelo com hardware exclusivo Mitsubishi, já que passará a usufruir das plataformas e componentes da Renault e Nissan.

Do Outlander recebe a plataforma, ainda que numa variante mais curta. Esta foi reforçada em pontos chave e passou a fazer uso, também, de adesivos industriais, em vez de pontos de soldadura. O resultado é uma estrutura mais rígida, como mais leve, providenciando fundações sólidas para o chassis.

Mitsubishi Eclipse Cross

Tal como o Outlander, o Eclipse Cross é um “tudo à frente”, mas em opção, a Mitsubishi também permite equipar o seu novo modelo com tração integral, equipando-o com uma nova iteração do S-AWC (Super All Wheel Control). Não esperem competências épicas “à la” Evolution, já que o Eclipse Cross não é um desportivo.

Estilo também controverso

Se o nome escolhido foi controverso, o que dizer da sua estética. Distinto é talvez a palavra mais adequada para o definir. Deriva das premissas visuais vistas no concept XR-PHEV de 2014, mas a sua tradução para a realidade industrial deixa algo a desejar.

É difícil conseguir um bom ângulo do carro, seja de frente com o seu Dynamic Shield, como a marca o refere; seja atrás com a solução do óculo traseiro bipartido, que permite conjugar a linha de teto descendente — SUV Coupé, lembram-se? —, com bons níveis de visibilidade traseira. E não é “treta” — ao contrário de outros automóveis com solução semelhante, no Eclipse Cross conseguimos realmente ver para trás.

Mitsubishi Eclipse Cross

Interior mais consensual

O interior, por outro lado, é mais consensual. A qualidade percebida é superior a outros modelos da marca, a construção é robusta e é fácil de encontrar uma boa posição de condução. Espaço também não falta. Apesar da marca o definir como “coupé”, o Eclipse Cross apresenta-se prático e versátil. O banco traseiro pode deslizar separadamente (40/60) longitudinalmente em 20 cm, favorecendo ou a capacidade da bagageira ou o espaço para os ocupantes.

Mesmo assim, a capacidade não é referencial, apesar de estar em bom plano. No máximo são 485 litros (466 para a versão 4WD), reduzindo para 378 (359 no 4WD), com os bancos traseiros totalmente recuados.

Motor vivaz…

Se a estética exterior nos deixa de pé atrás, o motor, por outro lado, convenceu rapidamente. O 1.5 T-MIVEC ClearTec, a gasolina, é o único motor disponível, para já. A motorização Diesel tardará quase um ano — uma evolução do 2.2 DI-D —, e uma versão eletrificada também está nos planos. Mas não recorrerá à tecnologia do Outlander PHEV, que se revelou cara para ser integrada no Eclipse Cross.

O 1.5 T-MIVEC ClearTec é novo e surpreendeu pela sua resposta. Mostra vivacidade desde os mais baixos regimes, mas, como a generalidade dos motores turbo, são os regimes médios o seu ponto forte. Debita 163 cv às 5500 rpm e 250 Nm entre as 1800 e 4500 rpm, valores acima da média do segmento.

…amordaçado pela CVT

Se para Portugal a versão mais procurada será a versão de duas rodas motrizes e caixa manual, na restante Europa haverá maior predilecção pela caixa auto e até pelas quatro rodas motrizes — razão pela qual todos os Eclipse Cross disponíveis durante a apresentação traziam a infame CVT (caixa de variação contínua). E dando-lhe total controlo, lamento, mas continua a ser a menos agradável das transmissões.

Longe de ser a pior que já experimentámos, continua a não convencer. O motor parece sofrer de excesso de inércia, como se ganhasse enorme dificuldade em desenvolver, apesar dos valores no velocímetro ditarem outra realidade.

Mas esta CVT tem um modo redenção. Graças à “magia negra” da eletrónica, a caixa, em modo manual, simula oito velocidades, e até convence. Responde de forma mais precisa aos nossos ímpetos, e só se lamenta a ação inversa do manípulo da caixa de velocidades — empurrando-o para a frente sobe uma relação em vez de reduzir.

Ao volante

Tive oportunidade de conduzir a versão de tração dianteira e tração integral, e a de duas rodas motrizes ganha o meu voto, dado que parece mais ágil e flui melhor sobre a estrada do que o de tração integral. Ambos providenciaram um nível de conforto a bordo bastante razoável, com bons níveis de insonorização, e a suspensão absorve eficazmente as (poucas) irregularidades das boas estradas espanholas por onde circulámos.

O comportamento é eficaz, sem apetência desportiva — não faz parte dos seus objetivos —, resistindo bem à subviragem. A carroçaria adorna, mas não muito, e a suspensão controla eficazmente os seus movimentos. Não entusiasma, mas também não compromete.

Mitsubishi Eclipse Cross

Sistema de navegação? Nem vê-lo

A versão de tração às quatro era a mais equipada. Comparativamente à de tração dianteira, disponível num nível de equipamento inferior, trazia patilhas por detrás do volante, regulação elétrica dos bancos, Head Up Display e botão de arranque ao invés de chave.

Curiosamente, a Mitsubishi prescindiu do sistema de navegação na versão mais equipada. Porquê? Segundo os responsáveis da marca, dado o uso crescente de smartphones, os quais permitem ter aplicações superiores de navegação, tudo foi feito para garantir o máximo de conectividade: Android Auto e Apple CarPlay — é bom que tenham um bom pacote de dados… 

O que não falta são os mais recentes assistentes de condução que contribuem ativamente para a segurança, que estão disponíveis de série em todos os níveis de equipamento — entre vários destaca-se a travagem autónoma de emergência. Recentemente o Eclipse Cross foi testado pelo Euro NCAP, tendo atingindo as cinco estrelas.

Em Portugal

O Mitsubishi Eclipse Cross tem chegada prevista para abril de 2018, com os preços a serem anunciados em data mais próxima ao seu lançamento.

 


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