Ensaio

Testámos o Kia Stonic. Preço de combate mas não só…

O Kia Stonic assume-se como novo e sério rival no cada vez mais concorrido segmento dos SUV compactos, e vem munido de um preço de combate.

Nenhuma marca quer estar de fora do novo segmento dos SUV/Crossover compactos. Um segmento que não pára de subir em vendas e em propostas. A Kia responde ao desafio com o novo Stonic, que este ano já viu chegar uma mão cheia de novidades:  Citroën C3 AircrossSeat Arona, Opel Crossland X, e está para breve a chegada do “primo afastado” — já vão perceber porquê — o Hyundai Kauai.

Seria de esperar que o Stonic da Kia, integrada no grupo Hyundai, fosse diretamente relacionado com o ousado Hyundai Kauai, mas não. Apesar de concorrerem no mesmo espaço, não partilham as mesmas soluções técnicas. O Kia Stonic recorre à plataforma do Kia Rio, enquanto o Kauai recorre a uma plataforma mais evoluída de um segmento acima. Tendo conduzido tanto o Kauai como agora o Stonic, as origens distintas de ambos transparecem na apreciação do produto final. Pode ser apenas uma questão de percepção, mas o Kauai aparenta realmente estar um patamar acima em diversos parâmetros.

No entanto, o Kia Stonic vem munido de muitos e bons argumentos. Não é apenas o preço de combate que justifica o sucesso do modelo em Portugal nesta fase de lançamento — nos primeiros dois meses  já foram vendidos 300 Stonic.

“Com o preto nunca me comprometo”, já dizia Ivone Silva na rábula Olívia Patroa e Olívia Costureira.

Apelo consensual

Se existe argumento a favor destes SUV/Crossover urbanos é definitivamente o seu desenho. E o Stonic não foge à regra. Pessoalmente, não o considero o melhor esforço da equipa de design da Kia, liderada pelo Peter Schreyer, mas no global, é um modelo apelativo e consensual, sem o efeito polarizador do Kauai. Algumas áreas poderiam estar melhor resolvidas, sobretudo na carroçaria bicolor, um problema que não afeta a nossa unidade, já que o nosso era um monocromático e neutro preto.

O Kia Stonic é um dos candidatos dos World Car Awards 2018

É sem dúvida mais apelativo do que o Rio, modelo do qual deriva. Lamenta-se porém que os esforços de distinção entre os dois modelos não tenham ido mais longe no interior — os interiores são virtualmente iguais.  Não que o interior tenha algo de errado, não tem. Apesar dos materiais tenderem para os plásticos duros, a construção é robusta e a ergonomia no geral correta.

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Espaço q.b. e muito equipamento

Sentamo-nos corretamente numa posição de condução mais semelhante aos automóveis convencionais do que a um SUV — com 1,5 m de altura, o Stonic não é muito alto, estando ao nível de alguns utilitários e citadinos. É mais comprido, largo e alto do que o Rio, mas não por muito. O que justifica as cotas internas verificadas bastante similares.

Comparativamente, tem pouco mais espaço para ombros e cabeça atrás, mas a bagageira é praticamente idêntica: 332 contra 325 litros do Rio. Considerando os rivais, é apenas razoável — para os que precisam de mais espaço no segmento, existem outras propostas. Por outro lado, o Stonic traz uma roda suplente de emergência, um item cada vez menos comum.

A unidade por nós testada era a versão com o nível de equipamento intermédio EX. Apesar do seu estatuto, a lista de equipamento de série não deixa de ser bastante completa.

Comparando com o TX, o nível de equipamento mais elevado, as diferenças resumem-se aos bancos em tecido em vez de pele, à ausência de um carregador USB traseiro, do apoio de braço dianteiro com compartimento para arrumos, do espelho retrovisor electrocrómico, às luzes traseiras em LED, o arranque através de botão, e do volante “D-CUT” em pele perfurada.

De resto, praticamente equivalem-se — o sistema de infoentretenimento de 7″ com sistema de navegação está presente, assim como a câmara traseira, o cruise control com limitador de velocidade ou o sistema Bluetooth mãos livres com reconhecimento de voz.

Opcional, para todos os Kia Stonic, é o pacote de equipamentos ADAS (Assistência Avançada à Condução) que integra o sistema AEB (travagem autónoma de emergência),  o LDWS (sistema de alerta de saída da faixa de rodagem), o HBA (faróis máximos automáticos) e o DAA (sistema de alerta ao condutor). O custo são 500 euros, o qual recomendamos vivamente — o Stonic atinge as quatro estrelas no Euro NCAP quando equipado com o pacote ADAS.

Dinâmica benigna

Novamente, a semelhança com automóveis mais baixos sobressai quando conduzimos o Stonic. Pouco ou nada parece ter em comum com o universo dinânico SUV/Crossover. Desde a posição de condução à forma como se comporta. Já fui surpreendido antes relativamente à dinâmica destes pequenos crossover. O Kia Stonic pode não ser tão divertido, mas é inegável que possui agilidade e eficácia em igual medida.

Kia Stonic
Dinamicamente competente.

O acerto da suspensão tende para o firme — no entanto, nunca se revelou desconfortável — o que permite um muito bom controlo dos movimentos da carroçaria. O seu comportamento é neutro “como a Suíça”. Mesmo quando abusamos do seu chassis, resiste muito bem à subviragem, não demonstra vícios nem reações bruscas. Peca, no entanto, pela excessiva leveza da direção — uma benção em cidade e manobras de parqueamento, mas senti falta de um pouco de mais peso ou resistência em condução mais empenhada ou em autoestrada. Leveza é mesmo o que caracteriza todos os comandos do Stonic.

Temos motor

O chassis tem um excelente parceiro no motor. O pequeno três cilindros turbo, com apenas um litro de capacidade, fornece 120 cv — mais 20 do que no Rio —, mas mais importante é a disponibilidade dos 172 Nm logo a partir das 1500 rpm. A performance está acessível praticamente de forma imediata a qualquer regime. O motor tem nos médios regimes o seu ponto forte, as vibrações são, no geral, reduzidas.

Não esperem é consumos baixos como os 5,0 litros anunciados. Médias entre os 7,0 e os 8,0 litros deverão ser a norma — podem ser mais baixos, mas obriga a mais estrada aberta e menos cidade.

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Quanto custa

Um dos argumentos mais fortes do novo Stonic é o seu preço nesta fase de lançamento, com campanha em vigor até ao final do ano. Sem campanhas, o preço ficaria pouco acima dos 21 500 euros, pelo que os 17 800 possíveis da nossa unidade, caso optem pelo financiamento da marca, é uma oportunidade interessante. Como sempre, tratando-se de um Kia, a garantia de 7 anos é um argumento de peso, e a marca oferece a primeira anuidade do IUC, que no caso do Kia Stonic 1.0 T-GDI EX, é de 112,79 euros.

Pode até ser o “parente afastado” do Hyundai Kauai (com o qual partilha apenas motor), mas não compromete. O seu sucesso comercial é prova disso mesmo.

Ficha técnica
Kia Stonic 1.0 T-GDI EX
Configurar este modelo

Preço

unidade ensaiada

17.801

Versão base: €21.501

IUC: €113

Classificação Euro NCAP: 3 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: 3 cilindros em linha
    • Capacidade: 998 cm3
    • Posição: Transversal Dianteira
    • Carregamento: Inj. Direta, Turbo
    • Distribuição: 2 a.c.c., 4 válvulas por cilindro
    • Potência: 120 cv às 6000 rpm
    • Binário: 172 Nm entre as 1500 às 4000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual de 6 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4140 mm / 1760 mm / 1500 mm
    • Distância entre os eixos: 2580 mm
    • Bagageira: 332 litros
    • Jantes / Pneus: 205/55 R17
    • Peso: 1185 kg
    • Relação peso/potência: 9,87 kg/cv
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 5,0 l/100 km
    • Emissões de CO2: 115 g/km
    • Vel. máxima: 184 km/h
    • Aceleração: 10,3 segundos
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: 12 anos
    • Mecânica: 7 anos ou 150 000 km sem limite de km nos primeiros 3 anos
    • Reviews Interval: 15 em 15 mil km ou de ano a ano
  • Equipamento
    • HAC - Hill assist control
    • Fecho de segurança para crianças
    • TPMS (Sistema de monitorização de pressão de pneus)
    • Ar condicionado automárico
    • Cruise control com limitador de velocidade
    • Comandos audio no volante
    • Rádio com RDS com sistema de navegação e ecran táctil de 7"
    • Camara de estacionamento traseiro com guias dinâmicos
    • Sensor de luz e de chuva
    • Volante e alavanca das velocidades em pele
    • Jantes de liga leve 17''
    • Luzes diurnas em LED
    • Retrovisores à cor da carroçaria, aquecidos com regulação eléctrica
    • Sensores de estacionamento traseiros
    • Vidros traseiros escurecidos
Avaliação
7 / 10
Não foi uma proposta que impressionasse ou destacasse em algum parâmetro. No entanto, também não desiludiu — tudo o que faz, fá-lo de forma eficaz e competente. Bem construído, bem comportado, com espaço mais que suficiente, e um bom motor tornam-no um capaz companheiro para o dia-a-dia. O Kia Stonic, de todos os pequeno crossover que temos conduzido acaba por ser aquele que mais aproxima-se de um automóvel — não é uma crítica em si, mas muitos procuram algo mais próximo de um verdadeiro SUV. Se o exterior convence, lamenta-se a ausência de um interior único em vez de recorrer ao mesmo do Kia Rio. É de aproveitar a campanha em vigor que retira 3700 euros ao preço de tabela.
  • Motor progressivo e responsivo
  • Comportamento eficaz
  • Preço (de campanha)
  • Direção muito leve
  • Interior decalcado do Kia Rio
  • Pack ADAS opcional

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