Futuro dos motores

Motor do futuro. Em 2025 já andaremos todos de automóvel elétrico?

Em 2025, qual será o motor do futuro? Elétrico, gasolina ou Diesel? De acordo com a IHS Markit, todos. Fica a saber porquê.

“A morte [do Diesel] foi muito exagerada”, são as palavras de Stephanie Brinley, analista sénior da IHS Markit. A discussão sobre o futuro dos sistemas propulsores que equiparão os nossos automóveis intensificou-se este ano. Ainda uma consequência do Dieselgate, em que se discutem medidas para limitar ou banir os automóveis a Diesel — e não só —, por parte de governos e municípios, e ainda pelo emergir do automóvel elétrico.

Apesar de todo o ruído e da agressividade das declarações sobre o fim do Diesel e da chegada triunfal dos elétricos, as previsões do IHS Markit apontam para um comportamento mais racional, tanto dos construtores como do mercado. Tudo aponta para que, durante a próxima década, um mix de tipos de motorizações seja o cenário mais realista, capazes de lidar com os requerimentos regulamentares — WLTP, RDE e emissões médias de CO2 —, expetativas sociais e necessidades comerciais.

Diesel

Até 2025, tudo praticamente na mesma

Para quem esperava uma mudança radical, engane-se. O motor do futuro será o mesmo de hoje, ou seja, o motor de combustão interna continuará a ser o tipo de propulsor mais comum no planeta. Mas com uma pequena diferença, já que apresentará níveis crescentes de eletrificação — os mild hybrids ganharão forte expressão durante a próxima década.

Em 2010, globalmente, os motores a gasolina tinham uma quota de 70% e os Diesel 21%. Com uma quota bastante abaixo dos 1%, os elétricos eram apenas marginais. Em 2025, haverá muito mais elétricos, mas o espectro será ainda dominado pelo motor térmico. A quota para os motores a gasolina deverá, inclusivamente, crescer até aos 73%, muito a custo da queda dos Diesel, que baixará para os 17%.

Motor elétrico

No continente europeu (EU28), a quota dos elétricos (inclui os híbridos plug-in), em 2017, ficará algures entre os 1,8 e 2% do total do mercado. Quota que crescerá até 2025, prevendo-se que se situe entre os 12 a 15%. Em 2030 poderá ser de 20 a 22% do mercado. Outros estudos, já referentes ao mercado global, apontam para números conservadores semelhantes relativamente aos elétricos. É praticamente opinião consensual entre os vários analistas que os elétricos só ganharão efetivamente tração no mercado pós-2030. 

Porquê só após 2030?

Demorará tempo até os elétricos reunirem as condições necessárias para se tornarem mais apetecíveis ao mercado. A tecnologia associada às baterias evoluirá — baterias de estado sólido já serão uma realidade —, os custos já serão mais baixos e até as imposições dos governos farão o seu papel — veja-se o caso da China. Tudo se conjugará para que o mercado se interesse de forma natural pelos elétricos.

Segundo Xavier Mosquet, parceiro sénior da Boston Consulting Group e autor de outro estudo recente relativo à implementação dos automóveis elétricos, “eventualmente chegaremos a um ponto onde os incentivos deixarão de ser necessários”, e conclui “a procura por veículos elétricos [em 2030] será impulsionada pelas forças do mercado e não pela regulamentação”.

Mas até lá…

…o “velho” motor térmico continuará a ser a força predominante. E até o Diesel continuará a ter um importante papel na redução de emissões de CO2 e os novos regulamentos WLTP e RDE manterão sobre controlo as emissões NOx. Sim, no continente europeu, onde o Diesel chegou a significar mais de metade do mercado, é inevitável que a sua quota diminua — algo a que já estamos a assistir.

Segundo as projeções da IHS Markit, a quota dos Diesel nos automóveis de passageiros na Europa decrescerá até aos 39% em 2021, 35% em 2025 e 25% em 2030. E não se deve tanto à “má publicidade” recente, mas sobretudo aos custos crescentes, sobretudo os relacionados com os sistemas de tratamento dos gases de escape, que fará com que o motor Diesel desapareça dos segmentos mais baixos do mercado.

Motor Honda

A eletrificação parcial do motor de combustão interna terá também um papel cada vez mais relevante no combate às emissões. Em 2010, 94% do total dos motores de combustão interna — fosse gasolina ou gasóleo —, não apresentavam qualquer tipo de assistência elétrica. Em 2016, esse valor já tinha descido para 62% e deverá continuar a decrescer até 2025, onde apenas 22% de todos os motores de combustão interna vendidos não apresentarão qualquer tipo de assistência elétrica.

A eletrificação parcial dos motores térmicos é mesmo uma das poucas certezas sobre o futuro da indústria automóvel no combate às emissões.

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A partir de 2019 todos os Smart serão elétricos

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