24 Horas TT Vila de Fronteira

Fronteira não é só uma corrida. É isso e muito mais…

Fronteira não é só competição, é uma festa, disseram-nos. Desconfiados, esquecemos a corrida e perdemo-nos na planície. Apenas para descobrir que é verdade.

24 Horas TT Vila de Fronteira ou simplesmente “Fronteira”. É a prova que fecha a temporada do todo-o-terreno em Portugal, apesar de não pontuar para nenhum campeonato nacional ou internacional. As 24 Horas TT Vila de Fronteira são, na verdade, um acontecimento que vai muito para além da competição. É um dos momento altos do todo-o-terreno em Portugal, num fim-de-semana em que os adeptos da «lama, terra e do pó» se lançam à estrada, numa autêntica romaria, até à pitoresca vila alentejana de Fronteira.

Muitas equipas são compostas por grupos de amigos. Objetivo? Máxima diversão.

Objetivo? Não é apenas para ver as máquinas a passar. Há uma festa para lá da festa…

Estes são os testemunhos

“Há já cinco anos que venho ver os carros a Fronteira”, garante Edite Gouveia, que fomos encontrar sentada no meio do nada, em plena planície alentejana, apenas com o filho mais novo, ao colo, e a filha, logo ali ao lado, a tentar proteger-se do frio. Aborrecidos? Nem por isso.

Fronteira 2017
Frio? Aqui não há frio. Há paixão pelo todo-o-terreno. E como todas as paixões, esta também aquece o corpo e a alma.

Fortemente encasacada e a poucos metros do trilho por onde passam os carros, esta coruchense afirma que “todos lá em casa gostamos de velocidade, de motas, de carros. Principalmente, o meu marido. Nós, começámos por acompanhá-lo, e, desde há quatro ou cinco anos, temos vindo sempre”.

Pouco preocupada com as extensas nuvens de pó que os pilotos levantam ao passar, Edite explica que, “habitualmente, vamos para as zonas de espectáculo. No entanto, este ano, quando chegámos, estavam uma grande confusão, pelo que decidimos fugir para aqui, para um sítio mais descampado”.

Alentejo.

De resto, “normalmente, não ficamos para ver a corrida toda. Vimos no próprio dia da corrida, ficamos até cerca das três ou quatro da madrugada, e depois regressamos a casa, porque a viagem ainda é longe”, afirma, perante o olhar de confirmação do filho.

Fronteira 2017
Conseguem adivinhar de que carro é este vulto? Toda a história aqui.

“Só saímos daqui no domingo!”

Já com a noite a cair e depois de mais alguns quilómetros percorridos, encontro a primeira concentração de jipes — ou isso ou era um acampamento cigano tal não era a festa e as fogueiras que contrastavam com a calmaria das planícies alentejanas. Alguns desses jipes, ladeados, inclusivamente, por uma pequena tenda ou cobertura, e quase sempre com grupos de pessoas a procurarem proteger-se do frio.

Perto da pista, aqui já demarcada por uma fita e com a GNR a observar, à distância (na altura, já corria a notícia de que um espectador se havia sentido mal, o que obrigou, inclusivamente, à sua evacuação por helicóptero), um grupo de homens, agasalhados e em redor de uma fogueira, espera pelo próximo concorrente. Com Paulo Loureiro, 49 anos, um apaixonado assumido do todo-o-terreno com presença assídua em Fronteira “há já três anos”, a recordar que “este grupo nunca falha! Mais um, menos um, ficamos sempre até ao fim da prova”.

Fronteira 2017
Vende-se T0 com 10 000 hectares e lareira.

Provenientes de Lisboa, “chegámos hoje [sábado]”, sendo que, na bagageira dos jipes, “trouxemos comida e bebida”. Sendo que, “por estarmos numa zona de espectáculo, tivemos ainda de pagar 20€ para poder estar aqui. Mas já inclui a lenha para a fogueira!… ”.

“Dormir? Se for preciso, dormimos nos carros! Mas ninguém aqui está a pensar a dormir…”, assegura Paulo Loureiro.

Clubes de todo-o-terreno também fazem parte da festa de Fronteira

Mais a frente e já com a noite avançada, a descoberta de uma verdadeira cidade sobre rodas. Com mais de uma centena de veículos todo-o-terreno dispostos numa espécie de parque de estacionamento improvisado, em pleno restolho e não muito distante da então já impossível de visualizar pista de terra. Por onde, espaçadamente, iam passando os concorrentes.

Fronteira 2017
SUV’s not allowed.

“Somos todos membros do Clube Terra-a-Terra, de Loures”, esclarecia Pedro Luís, um dos responsáveis pela organização de mais um Passeio TT Loures-Fronteira, com que nos cruzámos. “Há 11 anos que fazemos este passeio. Este ano trouxemos perto de 200 carros. Saímos de Loures na sexta-feira, viemos quase sempre por caminhos velhos, e só regressamos no domingo, após o final da prova”.

De resto e ainda sobre esta ação, destinada apenas a sócios do clube, Pedro Luís explica que os os participantes estão obrigados a pagar um valor de participação, que segundo a Razão Automóvel apurou terá rondado os 40€, e que, basicamente, se destina “a cobrir o valor exigido pelo ACP, para que possamos instalarmo-nos aqui”. Com o pagamento deste valor, os participantes beneficiam ainda de “refeições, nomeadamente, dois pequenos-almoços, almoços e lanches ajantarados, além do estacionamento junto à pista, lenha à discrição, casas de banho, seguro e road-book para as viagens de vinda e volta”.

Fronteira 2017
Isto é Sudoeste das «quatro rodas»

Tudo, afinal, para fazer daquela que é uma das mais emblemáticas provas de todo-o-terreno do panorama nacional, aquilo que todos pretendem: uma verdadeira e genuína festa, que apetece repetir.

Se as nossas palavras não vos chegaram, esta galeria é a «prova provada» de que Fronteira não é só competição. É isso, e muito mais…

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Mas podes descobrir a resposta aqui:

Nürburgring. Novo recorde desta vez para o Jaguar XE SV Project 8